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Bruno Soller vê Flávio Bolsonaro como 'bastante favorito' e crava: 'Lula tem que ter 11% da abstenção, senão perde'

Bruno Soller vê Flávio Bolsonaro como 'bastante favorito' e crava: 'Lula tem que ter 11% da abstenção, senão perde'

CEO do Real Time Big Data afirma que medidas reforçam a imagem de preocupação social do presidente, mas avalia que o eleitor pode enxergar iniciativas anunciadas às vésperas da votação como promessas eleitorais

Por Evilásio Júnior

21/10/2026 às 13:23

Foto: Reprodução / YouTube

O CEO do instituto de pesquisas Real Time Big Data, Bruno Soller, analisou, em entrevista à CBN Salvador, nesta quarta-feira (21), os fatores que podem influenciar o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

Entre os pontos abordados, estão o impacto dos benefícios sociais anunciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a circulação de notícias falsas nas redes sociais e a possibilidade de aumento da abstenção.

Na avaliação do cientista político, as medidas anunciadas pelo governo podem ajudar o petista a reforçar a narrativa de preocupação com a população de baixa renda. O pesquisador, entretanto, pondera que a proximidade da votação pode provocar desconfiança entre os eleitores.

“Tem um impacto se não diretamente, mas pelo menos reforça uma narrativa de um governo que estaria preocupado com as pessoas mais humildes, com os mais pobres”, afirmou.

Pacotes de benefícios podem gerar desconfiança

O pacote de medidas e benefícios econômicos anunciados por Lula durante o período eleitoral custa cerca de R$ 298,4 bilhões no total, conforme levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. 

Ao comentar as medidas anunciadas pelo governo às vésperas da eleição, Soller disse que elas têm potencial para influenciar a percepção do eleitor, mas destacou que a população também pode interpretar as iniciativas como promessas motivadas pela disputa eleitoral.

O CEO recorreu a uma analogia com uma partida de futebol para descrever o momento da campanha. Na avaliação dele, a impressão transmitida pelos anúncios pode ser a de uma tentativa de reação nos minutos finais de um jogo.

“Sabe aquele negócio, está tendo o jogo Bahia e Vitória. Está 48 minutos do segundo o tempo e o Bahia está perdendo. O Vitória está ganhando de 1 a 0, o time do Bahia começa a dar aquele famoso chuveirinho na área. Começa a jogar a bola para dentro da área para ver se acontece alguma coisa, se a bola entra, para tentar empatar o jogo. Me parece que a gente está vivendo um pouco disso, e as pessoas sentem nos grupos qualitativos, que parece um pouco de desespero do presidente”, declarou.

Para Soller, a pergunta que surge entre os eleitores é por que as medidas não foram adotadas anteriormente. “Porque a pergunta que se faz é: por que não fez isso antes? Se era tanto, teve quatro anos para fazer, por que não antes e só agora?”, questionou.

Ele acrescentou que o caráter eleitoral das promessas pode reduzir a disposição de parte do público em acreditar que os benefícios serão efetivamente implementados.

Apesar das ressalvas, o pesquisador observou que as pesquisas têm indicado relativa consolidação das intenções de voto, com pouca oscilação entre os levantamentos, ainda que os institutos apresentem diferenças nos resultados.

“Então, assim, claro que tudo pode acontecer no Brasil, ainda mais que a gente tem quatro dias aí pela frente. Mas, se eu tivesse que fazer uma aposta probabilística, me parece que o Flávio Bolsonaro é bastante favorito a vencer as eleições no domingo”, considerou.

Notícias falsas e responsabilidade das plataformas

Outro tema da entrevista foi a disseminação de informações falsas durante a campanha. Soller avaliou que a desinformação pode produzir efeitos negativos para quem a divulga, especialmente quando os próprios eleitores passam a reconhecer o conteúdo como falso.

Segundo ele, o excesso de informações contraditórias também pode deixar a população confusa sobre o que é verdadeiro.

O executivo defendeu uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade das plataformas digitais, como a Meta, e os mecanismos de distribuição de conteúdo pelos algoritmos.

“Para eles é muito bom ter a polêmica, porque isso gera cada vez mais dinheiro para essas empresas”, afirmou, ao comentar o modelo de funcionamento das grandes empresas de tecnologia.

Soller também questionou a preparação da Justiça Eleitoral para lidar com o problema. Na avaliação dele, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as plataformas deveriam discutir previamente critérios de transparência e métricas relacionadas à circulação de conteúdos políticos durante as eleições.

Para o pesquisador, é necessário estabelecer mecanismos mais claros de responsabilização pela disseminação de informações falsas no ambiente digital.

Abstenção pode aumentar no segundo turno

Soller também abordou a possibilidade de crescimento da abstenção no segundo turno. Em seu entendimento, eleitores que escolheram candidatos derrotados na primeira etapa da eleição podem demonstrar resistência em optar por um dos dois nomes que permaneceram na disputa.

O CEO citou as altas taxas de rejeição dos candidatos como um dos fatores que podem contribuir para o afastamento de parte do eleitorado. De acordo com o último levantamento do instituto Quaest, enquanto Flávio teve uma queda na rejeição de 54% para 52%, a recusa a Lula despencou de 53% para 47%.

No entanto, ele mencionou ainda a ausência de disputas para governador em 21 estados, resolvidas no primeiro turno, como um elemento que pode reduzir a mobilização política em diferentes regiões do país.

Na avaliação do pesquisador, as disputas estaduais costumam estimular a participação dos eleitores, especialmente quando candidatos a governador, deputados e lideranças locais atuam para mobilizar suas bases.

Lula tem que ter 11% da abstenção

Soller acrescentou que a abstenção motivada pela insatisfação pode atingir os dois candidatos. No primeiro turno, mais de 21% do eleitorado, ou seja mais 33% dos votantes, deixaram de comparecer às urnas.

Já as dificuldades econômicas e logísticas, como transporte, trabalho e falta de alguém para cuidar dos filhos, podem afetar de maneira desproporcional os eleitores de menor renda.

Na avaliação do executivo, Lula só tem uma chance de ganhar e ele trouxe números.

“Isso acaba afetando um pouco mais o Lula. A reversão da abstenção é o ponto principal. Ele tem que ter 11% da abstenção, senão ele não ganhou”, disse, ao se referir à possibilidade de ausência de eleitores mais pobres, grupo no qual o presidente tem apoio.

O pesquisador ressaltou, contudo, que os efeitos da abstenção dependem das circunstâncias da eleição e do comportamento dos diferentes segmentos do eleitorado.

Embora as mensagens de campanha e os anúncios de benefícios possam influenciar a narrativa eleitoral, ele afirmou que ainda é difícil determinar o quanto as ações conseguem modificar efetivamente as intenções de voto.

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