Home
/
Notícias
/
Política
/
Aroldo Félix revela que bala de borracha da PM que o atingiu em protesto estava vencida desde 2015
Aroldo Félix revela que bala de borracha da PM que o atingiu em protesto estava vencida desde 2015
Candidato da UP afirma que policial teria efetuado disparos sem dar ordem de parada; durante entrevista à CBN Salvador, candidato também apresentou propostas para segurança, salário mínimo, educação e saúde
Por Evilásio Júnior
02/09/2026 às 13:05

Foto: Evilásio Júnior
O candidato ao governo da Bahia pela Unidade Popular (UP), Aroldo Félix, detalhou nesta quarta-feira (2), em entrevista à CBN Salvador, o episódio em que foi atingido por uma bala de borracha supostamente disparada por um policial militar. O caso aconteceu durante uma manifestação de entregadores de aplicativo, realizada na terça (1º), em Salvador.
De acordo com o postulante, após uma mobilização no Salvador Norte Shopping, o grupo realizou uma motociata por São Cristóvão e pela Paralela. Ele diz que estava na garupa de uma motocicleta quando foi atingido.
“Eu fui atingido com uma bala, uma moto em movimento. Os policiais passaram atirando. Não deram ordem de parar, não interceptaram a moto, só dispararam”, apontou.
Aroldo afirmou ainda que o mesmo PM teria efetuado um segundo disparo, também enquanto a motocicleta estava em movimento.
Candidato diz ter procurado órgãos públicos após o episódio
O candidato afirmou que passou parte da madrugada desta quarta ocupado com desdobramentos do episódio.
Segundo ele, foi à Corregedoria da Polícia Militar, registrou ocorrência, realizou exame de corpo de delito no Departamento de Polícia Técnica e posteriormente recebeu atendimento médico em uma UPA no Vale dos Barris.
Aroldo também afirmou ter guardado o projétil que o atingiu. Ele disse que a munição de borracha estava com a validade vencida.
“É um projétil que está com a data de validade de 2015. Fabricado em 2012, vencido em 2015”, relatou.
Aroldo afirmou que, segundo pessoas que o atenderam na Corregedoria, um impacto em regiões mais sensíveis do corpo poderia provocar consequências graves.
“Se pega na coluna, se pega em um local mais frágil, podia estar hoje aqui sem movimento, paraplégico, tetraplégico”, disse.
O candidato criticou ainda as condições de equipamentos da Polícia Militar e afirmou que, caso seja eleito, pretende promover mudanças na formação e atuação da corporação.

Foto: Divulgação
Desmilitarização e segurança pública
Aroldo Félix defendeu a proposta de desmilitarização das polícias, mas reconheceu que a mudança estrutural depende do Congresso Nacional. Como alternativa dentro das atribuições do governo estadual, ele prometeu uma espécie de processo de reeducação da Polícia Militar.
“O processo de desmilitarização são várias etapas. E o que é que nós podemos fazer enquanto governador do Estado? Esse processo de reeducação da polícia”, afirmou.
O candidato também criticou a política de segurança pública adotada na Bahia e afirmou que pretende reduzir operações policiais contra trabalhadores e ampliar o uso de inteligência.
Na avaliação do postulante, o combate ao tráfico de drogas deveria priorizar o fornecimento e a atuação integrada com órgãos federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
“Não adianta só botar a polícia entrar na periferia, sair atirando e matando todo mundo”, criticou.
Ele também citou números de letalidade policial e afirmou que, apesar da redução dos homicídios em geral, as mortes decorrentes de ações policiais aumentaram.
Salário mínimo baiano de R$ 3.242
Durante a entrevista, Aroldo Félix também detalhou uma das principais propostas de seu programa de governo: a criação de um salário mínimo estadual equivalente ao dobro do piso nacional.
Ao considerar o salário mínimo de R$ 1.621, o valor defendido pelo candidato seria de R$ 3.242.
Ele afirmou que a medida seria acompanhada de mudanças na política tributária, com redução ou retirada de benefícios fiscais concedidos a grandes empresas e adoção de um sistema de tributação progressiva.
“Nós vamos criar o salário mínimo baiano. Assim como tem outros estados, outros estados já têm o seu salário mínimo próprio”, considerou.
Questionado sobre o impacto da medida para pequenos empresários, o candidato afirmou que pretende criar um Banco do Estado da Bahia, com a retomada do antigo Baneb, para oferecer subsídios e apoio financeiro a micro e pequenos empreendedores.
“Nós vamos criar aqui o Banco do Estado da Bahia e nós vamos, com esse recurso do Banco do Estado da Bahia, subsidiar o pequeno, o microempreendedor”, disse.
Aroldo também afirmou que, no caso de grandes empresas que não conseguissem se adaptar ao novo cenário, seu governo poderia recorrer à estatização.
“Se ele estiver querendo sair porque não tem condições de pagar os impostos agora e aumentar o salário dos trabalhadores, os trabalhadores tomam conta e o governo do Estado vai estatizar aquela empresa”, prometeu.
Candidato quer suspender pagamento da dívida da Bahia
Outra proposta defendida por Aroldo é a suspensão do pagamento da dívida pública estadual para realização de uma auditoria e posterior renegociação.
Questionado sobre os empréstimos contratados pelo Estado, o candidato confirmou que sua proposta também alcançaria a quitação das obrigações.
“Nós vamos suspender o pagamento da dívida pública, porque só favorece banqueiros e rentistas”, opinou.
Aroldo afirmou que a suspensão seria acompanhada de uma auditoria e reconheceu que a medida poderia gerar uma reação política. Questionado sobre eventual risco de impeachment, respondeu que pretende apostar na mobilização popular para sustentar as medidas.
Educação e fim da aprovação automática
Na área da educação, o candidato criticou a chamada aprovação automática e afirmou que pretende ampliar investimentos, reabrir escolas e aumentar a oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente no período noturno.
Aroldo citou o caso de um trabalhador que, segundo ele, teria abandonado os estudos por falta de uma opção noturna para concluir o ensino médio.
“Nós vamos investir em escola. Nós vamos pegar esse orçamento hoje e vamos investir, porque esse tipo de situação é um absurdo”, lamentou.
O candidato também reiterou uma proposta presente em seu programa de governo de destinar 10% do PIB da Bahia para a educação, além de ampliar as universidades estaduais.
Saúde: crítica ao modelo privado e ao PIX Saúde
Na saúde, Aroldo defendeu o fim dos contratos com organizações privadas e criticou a utilização de recursos públicos para financiar hospitais particulares.
Ele também se posicionou contra o PIX Saúde, programa defendido por ACM Neto (União Brasil) durante a campanha.
“Não vai ter PIX Saúde. Essa invenção de PIX Saúde é pegar dinheiro público e colocar na iniciativa privada, nos donos das grandes redes hospitalares particulares”, acusou.
O candidato afirmou que pretende ampliar a rede pública, construir hospitais e postos de saúde e atuar preventivamente para reduzir a demanda por atendimento de alta complexidade.
Aroldo também prometeu universalizar o saneamento básico e afirmou que pretende enfrentar o déficit habitacional do estado, estimado por ele em cerca de 500 mil moradias.
Aroldo é contra a Ponte Salvador-Itaparica
Durante a entrevista, o candidato também declarou oposição à Ponte Salvador-Itaparica.
Conforme Aroldo, comunidades tradicionais teriam manifestado resistência ao projeto durante encontro do qual participou.
“Não vai ter ponte no nosso governo”, assegurou.
Aplicativo público para concorrer com Uber, 99 e iFood
Entre as propostas voltadas aos trabalhadores de aplicativos, Aroldo prometeu criar, a partir de janeiro, um aplicativo estadual para concorrer com plataformas como Uber, 99 e iFood.
De acordo com ele, a intenção seria reduzir as taxas cobradas dos trabalhadores e fazer com que os valores pagos pelos usuários permanecessem majoritariamente com os entregadores e motoristas.
O candidato também defendeu a isenção de IPVA para entregadores de aplicativo.

