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Associações ligadas a ex-sócio do Banco Master tinham mais de 103 mil descontos em folhas de servidores da Bahia

Associações ligadas a ex-sócio do Banco Master tinham mais de 103 mil descontos em folhas de servidores da Bahia

Asteba e Asseba tinham carteira estimada em R$ 1 bilhão em 2025; entidades são investigadas pela PF no caso que envolve a venda de créditos ao BRB

Por Redação

17/09/2026 às 13:11

Foto: Reprodução / Wikipedia | Governadoria do Estado da Bahia

Duas associações de servidores públicos da Bahia ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinham mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores estaduais em 2025. Juntas, Asteba e Asseba mantinham uma carteira estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão, conforme documentos que integram a investigação da Polícia Federal sobre o caso Master. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (15) em reportagem da Folha de S.Paulo.

Os dados vieram a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender o sigilo de documentos do inquérito. As duas entidades foram alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.

De acordo com os dados que integram a investigação, a Asteba tinha 52.176 autorizações de desconto, enquanto a Asseba somava 51.111. O valor estimado das carteiras das duas entidades, de cerca de R$ 1 bilhão, é inferior aos R$ 6,7 bilhões em créditos que o Banco Master inicialmente informou ao Banco Central terem origem nas associações. 

Créditos vendidos ao BRB entraram no radar da PF

As associações passaram a ser investigadas depois que o Banco Master informou ao Banco Central, em março de 2025, que créditos consignados posteriormente vendidos ao Banco de Brasília (BRB) tinham origem na Asteba e na Asseba.

De acordo com a investigação, no entanto, a instituição financeira posteriormente mudou a versão e passou a atribuir a origem dos créditos à empresa Tirreno. Os investigadores apontaram inconsistências nas duas versões, entre elas a utilização de CPFs de diferentes estados e a ausência de movimentação financeira considerada compatível com o volume das operações.

A PF atribui a Augusto Lima a elaboração de carteiras consideradas fraudulentas. Uma auditoria citada na investigação estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao BRB relacionado à compra dos ativos. 

Apesar dos questionamentos, o Banco Master revendeu ao BRB, entre janeiro e maio de 2025, carteiras que somaram R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de aproximadamente R$ 5,5 bilhões, segundo documentos da investigação.

Vínculos com Augusto Lima

O Ministério Público Federal também investiga a relação entre Augusto Lima e as duas associações. Relatórios citados no inquérito apontam que as entidades teriam sido criadas e controladas pelo empresário.

Um dos elementos apontados pelos investigadores é que Asteba e Asseba utilizavam o mesmo e-mail de contato relacionado à Terra Firme da Bahia, empresa de propriedade exclusiva de Lima. A Asseba também compartilhava telefone cadastrado com a empresa. 

Lima foi presidente da Asteba até 2008 e, segundo a investigação, teria mantido influência sobre a entidade mesmo depois de deixar formalmente o cargo. Ele também aparece como procurador da Asseba perante instituições financeiras, com poderes apontados nos documentos para movimentação de recursos. 

O empresário chegou a ser preso no âmbito da Operação Compliance Zero e posteriormente passou a cumprir medidas cautelares, a exemplo do uso de tornozeleira eletrônica.

Defesa nega envolvimento de Augusto Lima

A defesa de Augusto Lima contesta as conclusões apresentadas pela investigação e afirma que as acusações não se sustentam diante das provas reunidas no processo.

Os advogados dizem que o próprio Banco Master prestou ao Banco Central informações equivocadas ao relacionar Asteba e Asseba aos créditos negociados com o BRB. A defesa alega que as associações jamais autorizaram ou assinaram documentos que as vinculassem aos créditos atribuídos ao banco.

A defesa também afirma que Lima mantinha apenas um contrato regular de prestação de serviços com as entidades, sem procuração e sem movimentação das contas das associações.

Os advogados ressaltam ainda que o empresário deixou formalmente a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do Banco Central, enquanto a operação policial contra ele ocorreu em novembro de 2025.

Em nota, a defesa afirmou que não há fundamento para atribuir a Lima os ilícitos investigados e declarou ter convicção de que sua inocência será comprovada no decorrer do processo.

Governo da Bahia pagou R$ 49,2 milhões ao Banco Master

A relação do Banco Master com operações envolvendo servidores baianos já havia provocado repercussão por outro motivo. Dados do Portal da Transparência mostram que o Governo da Bahia realizou 207 pagamentos ao banco entre 2023 e fevereiro de 2026, o que totaliza aproximadamente R$ 49,2 milhões. Do montante, cerca de R$ 47,4 milhões foram pagos somente em 2024

Os pagamentos estão relacionados principalmente à antecipação de créditos de precatórios do Fundef. De acordo com a Secretaria da Administração da Bahia (Saeb), os registros não representam uma contratação direta do Banco Master pelo Estado.

A explicação do governo é que servidores da Educação que tinham direito aos precatórios optaram por antecipar os valores junto a instituições financeiras. Nesse modelo, o beneficiário cede o direito de receber o crédito ao banco, que passa a ser o titular dos valores. Quando o Estado realiza o pagamento, os recursos são destinados à instituição financeira que recebeu o crédito.

A Saeb afirma ainda que o Banco Master estava regularmente credenciado para esse tipo de operação e que os servidores autorizaram individualmente a instituição a receber os valores. 

O Portal da Transparência também registra 237 pagamentos ao Banco Master entre 2019 e 2022, durante a gestão do ex-governador Rui Costa (PT), no valor total de aproximadamente R$ 1,61 milhão

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