Home
/
Notícias
/
Política
/
Caiado promete classificar facções como terroristas e diz que Brasil vive processo de 'mexicanização'
Caiado promete classificar facções como terroristas e diz que Brasil vive processo de 'mexicanização'
Pré-candidato do PSD à Presidência defende uso das Forças Armadas contra o crime organizado, compara resultados da segurança entre Goiás e Bahia e afirma que modelo adotado em seu governo pode ser expandido para todo o país
Por Evilásio Júnior
14/07/2026 às 06:00

Foto: Reprodução / YouTube
O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou que fará do combate ao crime organizado uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral.
Em entrevista à CBN Salvador, o ex-governador de Goiás prometeu encaminhar ao Congresso Nacional, já no primeiro dia de um eventual governo, um projeto para classificar as facções criminosas como organizações terroristas, medida que, segundo ele, permitirá ampliar o emprego das Forças Armadas no enfrentamento ao crime organizado.
Durante a conversa, Caiado apresentou parte do plano de segurança pública que pretende defender na campanha presidencial.
Além da classificação das facções como organizações terroristas, ele propôs maior integração entre União, estados e países vizinhos no combate ao tráfico internacional, fortalecimento da inteligência artificial nas investigações, ampliação do sistema penitenciário federal e maior rigor no isolamento de líderes de organizações criminosas.
"No primeiro dia encaminharei ao Congresso a classificação de terroristas das facções criminosas. As Forças Armadas não foram criadas para prender criminosos, mas para reocupar territórios dominados pelo crime", afirmou.
Inteligência artificial e combate ao crime
Ao defender seu modelo de segurança pública, Caiado atribuiu à tecnologia parte dos resultados obtidos durante sua gestão em Goiás.
De acordo com o presidenciável, o estado investiu em inteligência artificial, cruzamento de dados e capacitação de policiais especializados em inteligência, o que teria elevado significativamente os índices de resolução de crimes.
O presidenciável também defendeu a criação de uma força integrada entre o Brasil e os dez países que fazem fronteira terrestre com o território nacional, nos moldes de cooperação existentes na Europa, para facilitar o combate ao tráfico internacional de drogas e armas.
"Hoje a maior base logística da cocaína no mundo está na Amazônia brasileira. Não basta agir apenas com as polícias estaduais. É preciso integrar inteligência, Forças Armadas e os países vizinhos", declarou.
Outro ponto destacado por Caiado foi a necessidade de impedir que chefes de facções continuem a comandar organizações criminosas de dentro dos presídios.
Segundo ele, novas penitenciárias e sistemas de isolamento seriam fundamentais para interromper a comunicação dos líderes com integrantes das quadrilhas.
Comparação entre Bahia e Goiás
Ao longo da entrevista, Caiado utilizou dados recentes sobre violência para comparar os indicadores da Bahia com os de Goiás.
Ao citar um levantamento divulgado recentemente pelo Instituto Sou da Paz, o pré-candidato afirmou que Goiás alcança índice de 86% de esclarecimento de homicídios, enquanto a Bahia registra 14%.
"O governo da Bahia se entregou ao narcotráfico, se ajoelhou para as facções e se acovardou diante do crime organizado", atacou.
Na avaliação do ex-governador, o avanço das organizações criminosas representa hoje o maior desafio nacional.
"O Brasil caminha para um processo de mexicanização. As facções já não disputam apenas territórios. Elas estão entrando na economia formal, influenciando eleições e ocupando espaços que deveriam ser do Estado", disse.
Críticas ao PT e ao governo Lula
O ex-governador também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar programas sociais, endividamento das famílias e declarações recentes sobre a falta de banheiros em residências brasileiras.
Só na Bahia, 540 mil pessoas vivem sem acesso a sanitário na casa onde moram, conforme estudo do Instituto Trata Brasil. O estado tem o terceiro maior índice do país, em números brutos, atrás apenas do Pará e do Maranhão.
O presidenciável declarou ainda que o PT estaria presente nos principais escândalos de corrupção do país e classificou o caso do Banco Master como "o maior escândalo de corrupção da história do Brasil".
"O Caiado não está envolvido em Mensalão, Petrolão, Banco Master, INSS ou rachadinha. São quarenta anos de vida pública sem qualquer processo", afirmou.
Ao defender sua proposta de governo, Caiado afirmou que pretende manter programas sociais, mas com foco na emancipação econômica das famílias.
De acordo com ele, sua gestão em Goiás priorizou cursos de qualificação, entrega de equipamentos para pequenos empreendedores e integração entre governo, Sistema S e iniciativa privada.
Segundo Caiado, programas de transferência de renda devem estar acompanhados de qualificação profissional e geração de emprego para promover a emancipação das famílias.
Apoio de ACM Neto e situação do PSD na Bahia
Apesar de integrar o PSD, partido que na Bahia é comandado pelo senador Otto Alencar e integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), Caiado minimizou a divergência interna.
Em sua avaliação, cada estado possui autonomia para definir seus palanques eleitorais, embora o seu postulante a vice seja o presidente nacional social-democrata, Gilberto Kassab.
"Quem vai ganhar a eleição na Bahia é ACM Neto. Não quero passar perto dessa estrutura que está aí. O baiano já cansou do PT", disse, ao revelar que o pré-candidato do União Brasil ao Palácio de Ondina se comprometeu em replicar seu plano se segurança na Bahia, caso seja eleito: "Tenho certeza de que ACM Neto vai devolver a Bahia aos baianos".
O presidenciável afirmou que ainda não sabe se conseguirá participar da convenção estadual do União Brasil, no próximo dia 22, em razão de compromissos já assumidos em Goiás.

