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Cajado bate o martelo, ignora acenos do governo e decide ficar no PP com Neto
Cajado bate o martelo, ignora acenos do governo e decide ficar no PP com Neto
Mesmo com articulações da base de Jerônimo, deputado avalia cenário, pesa fundo eleitoral e espaço político, e opta por permanecer no Progressistas e reforçar palanque oposicionista
Por Evilásio Júnior
20/03/2026 às 06:00

Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Deputado federal mais votado entre os que permaneceram no PP, com 154.098 votos — atrás apenas de Neto Carletto, que migrou para o Avante — e segundo da federação com o União Brasil, atrás somente de Elmar Nascimento, Cláudio Cajado decidiu permanecer no partido.
Embora tenha tido o nome especulado em legendas governistas, como PSD e PSB, o parlamentar ainda aguarda uma conversa formal com o secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, e com o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
No entanto, o Blog do Vila apurou que, mesmo que a reunião aconteça, Cajado deverá apenas comunicar sua decisão: permanecer no Progressistas e apoiar o pré-candidato oposicionista ACM Neto (União Brasil).
O entendimento do deputado é de que tem sido bem contemplado na legenda, onde acumulou espaços estratégicos, como as relatorias da PEC da Blindagem e do Novo Arcabouço Fiscal, além da recente presidência da Comissão de Viação e Transportes.
Outro fator decisivo é o peso eleitoral. No PP, Cajado tem direito ao teto do fundo eleitoral, estimado em R$ 3,6 milhões — cenário que não seria garantido em uma eventual migração para a base governista. Além disso, sua chegada ao grupo aliado ao Palácio de Ondina poderia gerar resistências internas, já que sua projeção eleitoral tende a disputar espaço com nomes da própria base.
A decisão também leva em conta o redesenho das chapas. O PSB perdeu força, enquanto o PSD passou por um inchaço recente com a chegada da chamada “rabada dos sonhos”, que inclui o deputado Raimundo Costa, o ex-deputado Bebeto Galvão e o ex-prefeito de Serrinha Adriano Lima.
Nos bastidores, outro elemento pesa a favor da permanência: com a possível saída de Mário Negromonte Júnior para um partido da base petista, a presidência estadual do PP deve ficar com Cajado. A lógica de rodízio no comando da sigla já foi pactuada com a executiva nacional, após as gestões de Cacá Leão e Negromonte.
Na formação da nominata, a federação estabelece que o PP terá direito a 30% das vagas — o equivalente a 12 dos 40 nomes. Para a disputa à Câmara, o partido conta hoje com Cajado e Cacá Leão, além da possibilidade de lançar os vereadores de Salvador Jorge Araújo e Sandro Filho.
O critério, no entanto, será rígido: só entrarão candidatos com potencial real de voto. A montagem da chapa tem sido conduzida diretamente por ACM Neto e pelo prefeito Bruno Reis.

