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Marcelo Carvalho defende salário mínimo de R$ 1.850 na Bahia: 'Essa será com certeza minha prioridade'

Marcelo Carvalho defende salário mínimo de R$ 1.850 na Bahia: 'Essa será com certeza minha prioridade'

Candidato da Rede ao Senado também propôs maior proteção aos trabalhadores, criticou privatizações de setores estratégicos e defendeu equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental

Por Evilásio Júnior

04/09/2026 às 12:40

Foto: Evilásio Júnior

O candidato ao Senado Marcelo Carvalho (Rede) defendeu a criação de um salário mínimo regional de R$ 1.850 na Bahia e a substituição da escala 6x1 pelo modelo 5x2 durante participação na sabatina da CBN Salvador. Professor e dirigente sindical, ele apresentou as propostas trabalhistas como algumas das principais prioridades de um eventual mandato no Senado.

Ao ser questionado sobre qual de suas propostas deveria ser aprovada primeiro, o candidato apontou o piso salarial estadual como prioridade.

“Essa será com certeza minha prioridade”, afirmou, ao defender a criação de um piso mínimo diferenciado na Bahia. De acordo com ele, a proposta poderia ser construída por meio de diálogo entre governo, trabalhadores e empresários.

Carvalho afirmou que o salário mínimo baiano de R$ 1.850 seria baseado em estudos realizados no âmbito do movimento sindical e citou como referência estados que já adotam pisos regionais acima do nacional, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Para o candidato, o aumento da renda dos trabalhadores também teria efeito sobre a economia local, já que, em sua avaliação, a maior parte do dinheiro retornaria ao comércio e aos serviços.

“Quem ganha R$ 1.621, se passar a ganhar R$ 1.850, ele não vai guardar dinheiro”, argumentou, ao sustentar que o aumento do consumo poderia aquecer a economia, gerar empregos e ampliar a circulação de renda. 

Defesa da escala 5x2

Outro ponto central da entrevista foi a defesa da substituição da escala 6x1 pela 5x2, atualmente já em discussão no Congresso Nacional. O postulante afirmou que a mudança deveria ocorrer de forma gradual para permitir a adaptação das empresas.

Na avaliação do candidato, a proposta prevê uma redução progressiva da jornada, com a troca de 44 para 42 horas semanais inicialmente e, posteriormente, para 40 horas. Ele também afirmou que setores que não conseguem interromper as atividades por dois dias consecutivos, como saúde, bares e serviços hospitalares, poderiam adotar folgas escalonadas.  

“Nós queremos que você, trabalhador e trabalhadora, tenha mais tempo com sua família, com a melhor qualidade de vida”, declarou. 

O candidato também rebateu a possibilidade de a mudança provocar fechamento de empresas ou desemprego. Para ele, o aumento do consumo e a possibilidade de geração de novos postos de trabalho compensariam os custos adicionais para os empregadores.

Crítica à informalidade

Durante a sabatina, Carvalho também criticou o alto nível de informalidade no mercado de trabalho e defendeu que empresas de aplicativos sejam responsabilizadas pela contribuição previdenciária dos trabalhadores.

Na avaliação dele, trabalhadores informais podem enfrentar dificuldades no futuro para acessar aposentadoria e outros benefícios da Previdência Social.

“As empresas de aplicativo têm que ser responsabilizadas por essa contribuição mínima ao INSS”, defendeu, ao argumentar que a proteção previdenciária precisa acompanhar as transformações provocadas pelas novas tecnologias. 

Segurança pública

Questionado sobre o avanço do crime organizado e o papel do Senado na atualização das leis penais, o candidato defendeu uma combinação entre endurecimento da legislação e políticas sociais.

Carvalho afirmou que o combate ao crime organizado não pode depender exclusivamente da ação policial e defendeu investimentos em qualificação profissional e proteção social para comunidades vulneráveis.

“Segurança pública não é só com o braço armado”, afirmou o candidato, ao defender uma política que combine repressão ao crime com prevenção. 

Ele também elogiou os profissionais das polícias Militar e Civil da Bahia e defendeu melhores salários e condições de trabalho para as categorias.

Privatizações

Na área econômica, Marcelo Carvalho afirmou que não é contrário a toda e qualquer privatização, mas fez uma ressalva para empresas consideradas estratégicas.

“Eu sou contra as privatizações de setores que são essenciais para a garantia da nossa soberania”, declarou, ao citar a Petrobras, as terras raras e outros segmentos com impacto ambiental. 

O candidato também criticou a exploração de recursos naturais sem que haja retorno econômico e social para a população baiana e defendeu maior agregação de valor à produção realizada no estado.

Meio ambiente e energias renováveis

Integrante da Rede Sustentabilidade, Carvalho também foi questionado sobre a expansão das energias eólica e solar na Bahia e os impactos ambientais e sociais dos empreendimentos.

Ele defendeu a conciliação entre geração de emprego, desenvolvimento econômico e preservação ambiental, ao citar como exemplo a região da Serra da Chapadinha.

“Você precisa gerar emprego, porque você precisa gerar renda, mas preservando sobretudo o meio ambiente, preservando sobretudo a vida”, afirmou. 

O candidato também defendeu maior responsabilidade das empresas após a exploração de áreas naturais e a destinação de terras para agricultura familiar quando houver condições para isso.

Política externa

Na discussão sobre política externa, o candidato apoiou uma maior integração do Brasil com outras nações da América Latina e defendeu uma posição de maior autonomia diante de Estados Unidos e China.

Carvalho criticou o que classificou como influência econômica e política excessiva das grandes potências e defendeu que o país preserve sua soberania sobre recursos naturais, como terras raras, petróleo e água.

“Nem pode ser os Estados Unidos e nem pode ser a China a ditar a regra do comércio”, afirmou, ao defender uma política externa baseada na soberania nacional. 

O postulante da Rede também afirmou que pretende levar ao Senado uma agenda voltada principalmente aos trabalhadores, à população de baixa renda e aos povos originários.

Ele ainda pediu o chamado “voto livre” e criticou a polarização política: “Chega dessa política de ódio, clamou, ao encerrar sua participação na sabatina. 

Confira a entrevista na íntegra: 

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