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'Almejo não ser vice, mas liderar uma chapa majoritária', diz Cris Correia sobre exclusão de mulheres em chapas
'Almejo não ser vice, mas liderar uma chapa majoritária', diz Cris Correia sobre exclusão de mulheres em chapas
Presidente municipal do PSDB em Salvador defende avanço gradual da participação feminina na política, critica cenário da segurança pública e afirma que violência dominará debate eleitoral na Bahia
Por Evilásio Júnior
12/05/2026 às 13:09

Foto: Evilásio Júnior
A vereadora Cris Correia, presidente municipal do PSDB em Salvador, avaliou que o partido chega fortalecido para as eleições deste ano e projetou crescimento das bancadas tucanas na Bahia.
Em entrevista à CBN Salvador, a parlamentar também fez críticas à ausência de mulheres nas chapas majoritárias, comentou o avanço do crime organizado nas comunidades e afirmou que a violência será o principal tema da disputa eleitoral no estado.
De acordo com Cris, a pré-nominata montada pelo PSDB dá ao partido condições de ampliar sua representação tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia Legislativa.
“Atualmente o PSDB tem apenas um deputado federal, que é Adolfo Viana, mas acredito que podemos sair dessa eleição com três ou até quatro deputados federais. Na Assembleia, hoje temos dois estaduais e acredito que podemos chegar a quatro”, afirmou, ao contabilizar os atuais integrantes da Alba, Tiago Correia e Jordávio Ramos.
“Ainda é muito reduzido o espaço da mulher”
Ao comentar o protagonismo feminino na política, Cris reconheceu que o espaço das mulheres ainda é pequeno, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos. Ela ponderou, no entanto, que não considera a ausência de mulheres nas chapas majoritárias deste ano um retrocesso automático.
“Nosso espaço na política ainda é muito reduzido? É muitíssimo reduzido. Mas eu acho que o hoje é muito melhor do que o ontem”, declarou.
A tucana também chamou atenção para a baixa presença feminina nos comandos partidários. Segundo ela, durante reuniões nacionais de presidentes municipais do PSDB nas capitais, era a única representante no grupo.
“Eu era a única mulher presidente de capital dentro do PSDB. Todos os outros eram homens. Esse espaço de presidente partidário ainda é muito restrito para a mulher”, disse.
Apesar da cobrança por mais mulheres nas chapas majoritárias, Cris afirmou que vê com cautela a ideia de tornar obrigatória a presença feminina como vice.
“Quando a gente coloca esse condicionamento de que mulher tem que ser vice, isso cria no imaginário coletivo que o espaço principal continua sendo do homem. Eu almejo não ser vice. Eu almejo liderar uma chapa majoritária”, afirmou.
Tanto ACM Neto (União) quanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) têm apenas homens em suas composições.
Segurança pública será tema central da eleição
Durante a entrevista, a presidente do PSDB em Salvador fez duras críticas à situação da segurança pública na Bahia e concordou que o tema dominará o debate eleitoral.
“A gente está morando em um dos estados mais violentos do país. Não dá para fechar os olhos e fazer de conta que a Bahia está sob controle, porque não está”, declarou.
Conforme a vereadora, o avanço das organizações criminosas nas comunidades já afeta diretamente a dinâmica política e eleitoral nos bairros populares.
“O que a gente vê é o crescimento assustador da ação das facções. Em algumas comunidades, o tráfico domina completamente”, afirmou.
Projeto sobre educação antirracista
Na entrevista, Cris Correia também comentou um projeto de sua autoria que será votado na Câmara Municipal. A proposta complementa uma iniciativa aprovada anteriormente voltada para a criação de uma feira literária com foco em educação antirracista na rede municipal.
Na avaliação da tucana, que também preside a Comissão de Educação da Casa, a pauta ainda é tratada de forma superficial nas escolas.
“Quando a gente fala de educação antirracista na rede municipal, infelizmente é uma pauta que a gente ainda não avançou”, afirmou.
Ela disse que pretende aprofundar a discussão durante o mandato e reforçou que a pauta tem relação direta com sua trajetória pessoal e política.
“Sou uma mulher negra e venho caminhando nessa direção desde a minha campanha eleitoral”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:

