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Erosão petista: Quaest mostra virada completa no cenário baiano em quatro anos
Erosão petista: Quaest mostra virada completa no cenário baiano em quatro anos
Comparação entre pesquisas de maio de 2022 e abril de 2026 revela inversão de forças políticas na Bahia e desgaste simultâneo de Lula e do PT no estado
Por Evilásio Júnior
08/05/2026 às 06:00

Foto: Romilson Santos / Divulgação
As pesquisas Genial/Quaest divulgadas em maio de 2022 e abril e maio de 2026 revelam uma transformação profunda no cenário político baiano. Em quatro anos, a Bahia saiu de uma eleição estadual que parecia praticamente decidida a favor de ACM Neto (União) para um ambiente de disputa equilibrada, com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) competitivo em sua tentativa de reeleição.
No entanto, os números também mostram um movimento importante no plano nacional que impacta localmente: embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda mantenha ampla vantagem eleitoral na Bahia, o petismo já não apresenta no estado a mesma força quase hegemônica registrada em eleições anteriores.
Nas contas das duas campanhas, conforme revelaram interlocutores de ambos os lados ao Blog do Vila, um desempenho de Lula superior a 65% favorece as candidaturas petistas para os governos estadual e federal. Entre 60% e 65% possibilita um segundo turno ao Palácio de Ondina. Já abaixo de 60% significaria a derrota do PT na Bahia.
ACM Neto tinha 67% em maio de 2022
Na pesquisa Genial/Quaest de maio de 2022, ACM Neto aparecia em situação amplamente confortável na disputa pelo governo da Bahia. No principal cenário estimulado, o ex-prefeito de Salvador tinha 67% das intenções de voto, contra apenas 6% de Jerônimo e 5% de João Roma (PL), hoje integrante da chapa oposicionista como postulante ao Senado.
Naquele momento, o petista ainda era pouco conhecido pela população e sequer havia consolidado sua candidatura. A própria pesquisa espontânea mostrava isso: Neto aparecia com 13%, enquanto Jerônimo tinha apenas 3%. O dado mais impressionante era o índice de indecisos: 74% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar.
O favoritismo oposicionista era tão dominante que Neto liderava em todos os recortes sociais e regionais. Entre jovens de 16 a 24 anos, chegava a 75%. Na Região Metropolitana de Salvador, atingia 82%. Até entre eleitores que avaliavam positivamente o governo Rui Costa, Neto aparecia com 68%, contra apenas 11% de Jerônimo.
Na prática, a eleição parecia caminhar para uma vitória em primeiro turno da oposição, o que não se concretizou nas urnas.
Quatro anos depois, Jerônimo chega vivo
O quadro atual é completamente diferente.
A pesquisa Quaest de abril de 2026 mostra Jerônimo com aprovação de 56% e desaprovação de 33%. Ao todo, 51% dos eleitores afirmam que ele merece ser reeleito, contra 42% que dizem o contrário — mesmo índice de sua rejeição, 10 pontos a mais que Neto.
Mesmo com desgaste administrativo e aumento da cobrança em áreas como segurança pública e saúde, o governador chega ao novo ciclo eleitoral em posição, em tese, menos desfavorável do que a que tinha no início da campanha passada.
A própria percepção de continuidade do projeto petista mudou. Embora apenas 22% defendam manter integralmente o modelo atual de governo, outros 40% preferem “mudar apenas o que não está bom”. Já os que desejam “mudar totalmente” somam 34%.
Os números mostram que, hoje, o sentimento predominante no eleitorado não é exatamente de ruptura radical, mas de correção de rota. Porém, as promessas de mais de 2 mil obras e a estratégia do “13 lá, 13 cá” serão suficientes para dar credibilidade à alteração no rumo, diante de fragilidades do governo como as áreas de Segurança Pública e Saúde, apontadas como principais preocupações do eleitorado?
Lula continua forte, mas perdeu gordura política
A comparação presidencial talvez seja ainda mais simbólica — e decisiva.
Em maio de 2022, a Quaest mostrava um eleitorado fortemente alinhado ao lulismo na Bahia. Naquele momento, 53% diziam preferir um candidato “mais ligado a Lula”, enquanto apenas 14% preferiam alguém “mais ligado a Bolsonaro”.
O apoio de Lula era considerado tão determinante que 46% dos entrevistados afirmavam que poderiam mudar o voto para governador caso o candidato fosse apoiado pelo petista.
Quatro anos depois, Lula ainda lidera com folga na Bahia, mas em patamares mais baixos. Na pesquisa de abril de 2026, o presidente aparece com 50% das intenções de voto no primeiro turno contra 23% de Flávio Bolsonaro.
No segundo turno, Lula vence Flávio por 55% a 22%. Contra Romeu Zema, o placar é 56% a 13%. Contra Ronaldo Caiado, 56% a 15%.
Ainda assim, os números indicam erosão gradual do domínio petista no estado.
A aprovação do governo Lula na Bahia é hoje de 60%, contra 33% de desaprovação. Embora continue alta, ela já está distante dos níveis históricos que o PT costumava registrar no estado em seus melhores momentos.
O dado central: a Bahia deixou de ser previsível
A grande conclusão da comparação entre as pesquisas é que a política baiana perdeu parte da previsibilidade que marcou os últimos ciclos eleitorais.
Em maio de 2022, ACM Neto parecia caminhar para uma vitória tranquila. Jerônimo era praticamente desconhecido, não tinha rejeição e carregava pouca densidade eleitoral própria.
Quatro anos depois, o PT continua dominante na Bahia, mas já enfrenta sinais claros de fadiga política após quase duas décadas no poder estadual.
A redução da margem lulista, o crescimento da desaprovação e o desejo majoritário por mudanças — ainda que parciais — mostram que o eleitor baiano segue mais aberto ao debate político do que estava há quatro anos.
Em 2022, a dúvida era se ACM Neto venceria no primeiro turno. Em 2026, a principal pergunta parece ser outra: até onde vai a capacidade de resistência do grupo petista na Bahia?
Até porque, hoje, 50% dos eleitores dizem que o voto é definitivo, mas 47% afirmam que ainda podem mudar de escolha. E a campanha oficial sequer começou.
Confira as pesquisas Genial/Quaest completas de maio de 2022, abril de 2026 e maio de 2026.

