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Enquanto ACM Neto cobra fidelidade, aliados de Jerônimo exigem obras: a guerra por Salvador já começou
Enquanto ACM Neto cobra fidelidade, aliados de Jerônimo exigem obras: a guerra por Salvador já começou
Reuniões simultâneas dos dois grupos revelam prioridades distintas para 2026 e mostram que a capital voltou ao centro da disputa política baiana
Por Evilásio Júnior
22/06/2026 às 06:00

Foto: Valter Pontes / Secom PMS
Salvador ainda vive o clima de São João, mas os principais grupos políticos da Bahia já estão em modo eleitoral. E o que aconteceu nos últimos dias mostra que a disputa de 2026 começou muito antes do que parece.
Em movimentos quase simultâneos, o ex-prefeito ACM Neto reuniu deputados estaduais, federais e vereadores de sua base, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues colocou sua tropa da capital para conversar com o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola.
As duas reuniões tiveram um objetivo comum: preparar terreno para a eleição de outubro próximo.
Mas as preocupações de cada lado foram bem diferentes.
A COBRANÇA DE ACM NETO
Entre os dias 15 e 16, ACM Neto promoveu encontros com deputados e vereadores aliados.
No caso dos parlamentares, o tom foi de cobrança.
Conforme relatos obtidos pela coluna, o ex-prefeito recebeu os deputados individualmente e discutiu município por município, a fim de avaliar cenários eleitorais, potencial de votação e, principalmente, a relação dos parlamentares com prefeitos que já aderiram ou tendem a apoiar o projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues.
Um deputado resumiu o clima da reunião:
"Ele chamou um por um. Queria saber como estava a relação com os prefeitos, quem podia fazer jogo, quem já tinha definição e quem ainda estava em dúvida."
Outro parlamentar relatou que Neto chegou munido de mapas eleitorais detalhados.
"Ele tinha a votação de cada deputado. Município por município. O assunto era campanha, voto e estratégia."
Os momentos mais delicados teriam ocorrido justamente nos casos de deputados que possuem bases eleitorais em cidades administradas por prefeitos alinhados ao Palácio de Ondina.
A preocupação é evidente.
Hoje, o governo contabiliza apoio da ampla maioria dos prefeitos baianos, cerca de 380, e isso muda completamente a dinâmica eleitoral nos municípios.
O MEDO DA MÁQUINA ESTADUAL
Se entre os deputados a preocupação é o interior, entre os vereadores o alerta está em Salvador.
O encontro foi articulado pelo vereador Cláudio Tinoco, um dos coordenadores da pré-campanha de ACM Neto, e contou também com a participação da vice-prefeita Ana Paula Matos, em representação ao prefeito Bruno Reis, que estava em Brasília.
A avaliação dos aliados é de que os próximos três meses serão decisivos para o resultado final da campanha.
Um dos participantes resumiu: "Depois da Copa a coisa esquenta. Serão meses de muita intensidade e não podemos errar."
O grupo aposta em uma demonstração de força já no próximo 2 de Julho, quando pretende reunir cerca de 25 mil militantes nas ruas.
Mas há outra preocupação.
Aliados de Neto observam com atenção o avanço de obras estaduais em áreas consideradas estratégicas da capital, especialmente no Subúrbio Ferroviário.
Intervenções como a implantação e a duplicação da Estrada do Derba são vistas como investimentos capazes de reduzir a vantagem histórica do grupo carlista em regiões fundamentais para a disputa eleitoral.
A COBRANÇA DO OUTRO LADO
Enquanto ACM Neto cobrava posicionamento político, os vereadores alinhados ao governador fizeram uma cobrança diferente.
A reunião com Adolpho Loyola, realizada na sede da Serin, havia sido solicitada há cerca de três meses pelo líder da oposição na Câmara, Randerson Leal, e já havia sido adiada duas vezes.
O encontro serviu para discutir mobilização política para o 2 de Julho, especialmente diante da presença do presidente Lula pela quarta vez consecutiva nos festejos.
Mas o principal tema foi outro.
Os vereadores querem mais presença do governo nos bairros.
Na avaliação de integrantes da base, o governo estadual ainda deixa espaços importantes sem ocupação política e administrativa na capital.
As reclamações envolvem pequenas obras de grande impacto local, como escadarias, pavimentação, contenção de encostas e intervenções urbanas de menor porte.
Também há críticas à excessiva concentração de ações em determinados órgãos e à subutilização dos Centros Sociais Urbanos como instrumentos de presença do Estado nas comunidades.
A lógica é simples: se vencer Salvador é difícil, diminuir a diferença é obrigação.
A BATALHA DE 2028 COMEÇA EM 2026
Outro tema apareceu com força na reunião da base governista.
Os vereadores defendem que o processo eleitoral do próximo ano seja utilizado para começar a construir uma candidatura competitiva para a sucessão municipal de 2028.
A preocupação não é pequena.
Apesar do crescimento político de Jerônimo no interior, a oposição segue dominante na capital, principal vitrine eleitoral do estado.
Por isso, a estratégia do governo é clara: reduzir a vantagem de ACM Neto em Salvador para que a força acumulada no interior faça a diferença na soma final dos votos.
O QUE FICOU DAS REUNIÕES
As conversas realizadas pelos dois grupos revelam uma realidade incontestável. A disputa de 2026 será travada em dois campos ao mesmo tempo.
No interior, ACM Neto tenta impedir que o avanço da base de prefeitos de Jerônimo produza um efeito dominó sobre lideranças locais.
Em Salvador, o governador busca diminuir a vantagem histórica da oposição e transformar obras e ações de governo em capital político.
No fundo, ambos sabem da mesma coisa: a eleição ainda não chegou ao horário eleitoral, mas já entrou na fase da contagem de tropas.

