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Careca de Saber | Licença? Só se for muito necessária

Careca de Saber | Licença? Só se for muito necessária

Com quase a metade dos vereadores na corrida eleitoral, suplentes fazem fila por vagas na Câmara, mas parlamentares resistem a abrir espaço e mantêm mandato até segunda ordem

Por Evilásio Júnior

01/06/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior

A temporada eleitoral já começou oficialmente nos bastidores da Câmara Municipal de Salvador. Dos 43 vereadores da Casa, pelo menos 20 — 46,5% das cadeiras — pretendem disputar as eleições de outubro, seja para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara dos Deputados.

O movimento, naturalmente, despertou a expectativa de suplentes que aguardam uma oportunidade para assumir uma cadeira, ainda que temporariamente.

Mas quem espera uma onda de licenças pode se decepcionar.

Pelo menos até agora, o clima predominante nos corredores do Legislativo soteropolitano é de resistência à abertura de vagas. A matemática é simples: em ano eleitoral, mandato significa visibilidade, estrutura política, agenda pública e contato direto com o eleitorado. Poucos parecem dispostos a abrir mão disso.

Muniz descarta prejuízo aos trabalhos 

Apesar do grande número de pré-candidatos, o presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), garante que a disputa eleitoral não comprometerá o funcionamento da Casa.

De acordo com ele, o cronograma legislativo já está organizado até o fim do ano e foi pactuado com os líderes partidários.

"Não teremos prejuízo nenhum. Temos votações todas as quartas-feiras e, no segundo semestre, vamos diminuir o ritmo, mas mantendo a tramitação dos projetos importantes do Executivo e dos vereadores", afirmou o tucano ao Blog do Vila.

Questionado sobre possíveis afastamentos, Muniz foi ainda mais direto: "Até agora só um vereador pediu licença. Nenhum outro vereador conversou comigo sobre pedir licença" 

A declaração reforça o que a coluna ouviu nos bastidores: o discurso público e o comportamento interno caminham na mesma direção.

A fila anda... mas nem tanto 

Até o momento, apenas o PP abriu efetivamente espaço para um suplente.

O vereador George Gordinho da Favela, pré-candidato a deputado estadual, licenciou-se do cargo e permitiu a posse de Tiago Queiroz, segundo suplente da legenda.

A movimentação, no entanto, não foi consensual.

Integrantes do próprio partido resistiam à licença porque Queiroz já declarou apoio à candidatura de Cacá Leão (PP) à Câmara dos Deputados. Em um momento de intensa disputa por bases eleitorais, abrir espaço para alguém alinhado a outro projeto não era exatamente o cenário ideal para todos.

Antes disso, o primeiro suplente, Sandro Bahiense, já havia assumido a vaga deixada por Jorge Araújo, que ocupa temporariamente uma cadeira na Câmara dos Deputados na vaga aberta com a ida de João Leão para a Secretaria Municipal de Governo.

No União Brasil, apoio virou moeda de troca 

Se no PP houve resistência, no União Brasil a discussão ganhou contornos ainda mais pragmáticos.

Segundo interlocutores da legenda, os suplentes mais próximos da convocação — Cátia Rodrigues e Binho de Ganso — precisariam assumir compromissos políticos claros antes de qualquer licença dos titulares.

Traduzindo do "politiquez": abrir espaço sem garantia de apoio eleitoral passou a ser visto como mau negócio.

Nem mesmo vereadores que não disputarão mandato demonstram disposição para deixar a cadeira.

É o caso de Claudio Tinoco, que atua na coordenação da campanha de ACM Neto, mas entende que pode desempenhar a função sem necessidade de afastamento.

André Fraga segura vaga e barra retorno de Suíca 

Outra situação observada atentamente nos bastidores envolve o vereador André Fraga (PV).

Pré-candidato a deputado estadual, ele não demonstra interesse em abrir espaço para o suplente Luiz Carlos Suíca (PT).

O motivo é político.

Embora integrem a mesma Federação Brasil da Esperança, o ambientalista mantém divergências e não vê alinhamento ideológico com os partidos federados, especialmente o PT.

Resultado: a cadeira deve permanecer ocupada.

PDT vive indefinição 

A situação mais nebulosa talvez seja a do antigo grupo do PDT.

Os vereadores Anderson Ninho, Roberta Caires e Débora Santana foram eleitos pela legenda, mas migraram para outras siglas durante a janela partidária.

Nenhum deles confirmou até agora se pretende solicitar licença durante a campanha.

Caso isso aconteça, os principais beneficiados seriam Zilton, Leo Kret do Brasil e Odiosvaldo Vigas.

No caso de Leo Kret, o momento é particularmente delicado.

A ex-vereadora foi exonerada recentemente da Diretoria de Políticas para Pessoas LGBTQIAPN+ da Secretaria Municipal da Reparação Social e teve seu nome citado na chamada Operação Sponsor, investigação que apura suspeitas de peculato, fraudes licitatórias e desvios de recursos destinados a entidades carnavalescas e eventos da comunidade LGBTQIAPN+.

Vinte candidaturas e um dilema 

A Câmara chega à corrida eleitoral com nove pré-candidatos à Assembleia Legislativa e onze à Câmara dos Deputados.

Pré-candidatos a deputado estadual 

  • Marcelle Moraes (União Brasil) 
  • Paulo Magalhães Júnior (União Brasil)
  • André Fraga (PV)
  • Cezar Leite (PL)
  • George Gordinho da Favela (PP)
  • David Rios (MDB)
  • Felipe Santana (PSD)
  • Anderson Ninho (PSDB)
  • Silvio Humberto (PSB)

Pré-candidatos a deputado federal 

  • Duda Sanches (PSDB)
  • Maurício Trindade (PSDB)
  • Alexandre Aleluia (Novo)
  • Jorge Araújo (PP)
  • Sandro Filho (PP)
  • Sandro Bahiense (PP)
  • Eliete Paraguassu (PSOL)
  • Hamilton Assis (PSOL)
  • Débora Santana (PSDB)
  • Cris Correia (PSDB)
  • Roberta Caires (Republicanos)

As três últimas, sobretudo Cris e Roberta, que resistem em disputar a eleição, ainda não decidiram se terão os nomes nas urnas, embora estejam nas nominatas de seus partidos. Já o entendimento dos pares é de que a candidatura Aleluia não será efetivada.

Quem está de olho nas cadeiras 

Enquanto os titulares medem custos e benefícios de uma eventual licença, dezenas de suplentes acompanham cada movimentação.

Entre os que seguem na expectativa estão:

União Brasil

Cátia Rodrigues, Binho de Ganso e Elton Pastor da Favela 

PSDB-Cidadania

Felipe Lucas, Tia Jove e Lourival Evangelista 

PL

Soldado Prisco, Alexandre Moreira e Lorena Brandão 

PP

Osvaldo Bernardinho, J. Carlos e Anna Valéria 

PDT

Zilton, Leo Kret do Brasil e Odiosvaldo Vigas 

MDB

Ana Rita Tavares, Rogério e Dr. Alan Castro 

PSD

Carlos Kléber, Xavier Pato Roco e André Araújo 

Federação Brasil da Esperança

Luiz Carlos Suíca, Joel Meireles e Gilmar Santiago 

PSB

Rodrigo Hita, Bruno Carianha e Geovani Azevedo 

PSOL

Laina Crisóstomo, Tâmara Azevedo e Rodrigo Coelho 

O mandato vale ouro 

Se há uma conclusão possível neste momento é de que a eleição transformou cada cadeira da Câmara em um ativo político valioso demais para ser entregue sem contrapartida.

A expectativa dos suplentes continua viva, mas os sinais emitidos pelos vereadores apontam para um cenário de poucas licenças e muita cautela.

Pelo menos por enquanto, a fila anda devagar.

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