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Adolpho Loyola defende gestão de Jerônimo e critica 'judicialização da política' no caso Master: 'lavajatismo'
Adolpho Loyola defende gestão de Jerônimo e critica 'judicialização da política' no caso Master: 'lavajatismo'
Para enfrentar o efeito “Luneto”, coordenador da campanha petista revela estratégia: “ACM não vota em Lula, não gosta de Lula e é um anti-Lula. Então, ele não merece ter voto com Lula”
Por Evilásio Júnior
10/09/2026 às 13:36

Foto: Joilson César / Divulgação
O coordenador-geral da campanha à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), Adolpho Loyola, revelou que a estratégia do grupo para a disputa deste ano será baseada no contato direto com a população, na apresentação de propostas e na defesa das realizações do governo estadual.
Em entrevista à CBN Salvador, ele também comentou temas sensíveis para a campanha, como as denúncias referentes ao Banco Master, a fila da regulação na saúde, segurança pública, educação, VLT e a ponte Salvador-Itaparica.
De acordo com Loyola, a escolha de seu nome para comandar a campanha ocorreu de maneira natural, em razão da experiência acumulada na articulação política do governo e da relação construída com partidos, deputados e lideranças.
“Eu participei da campanha de 2022, fui assessor direto do então candidato Jerônimo. Eu já trabalhei com ele em 2014, trabalhei com ele em 2018, em campanhas. Em 2022, a gente se aproximou mais, ainda mais. Então, acabei trabalhando mais a fundo ali com ele. Também participei da coordenação, que foi feita pelo senador Jaques Wagner e por Caetano, que era secretário à época, se licenciou para participar da coordenação. A gente fez uma coordenação conjunta”, relatou.
Depois da eleição, Loyola assumiu a chefia de gabinete de Jerônimo e, posteriormente, a Secretaria de Relações Institucionais. Para ele, a passagem da articulação política do governo para a coordenação da campanha foi consequência natural do percurso.
“A gente fazia a coordenação política do governo e fazer essa coordenação política da campanha foi uma questão natural. Foi em consenso com os três candidatos, os dois senadores e o candidato a governo. O vice-governador Geraldo Júnior também ajudou nisso. Então foi uma coisa que foi mais consensual junto com os partidos políticos, foi natural, até porque eu já tinha uma relação com o Conselho Político, já tinha uma relação com os deputados”, afirmou.
Master: “Não gosto dessa judicialização da política”
Questionado sobre o uso eleitoral das investigações relacionadas ao Banco Master, que envolvem tanto aliados do grupo governista quanto adversários, Loyola adotou um discurso de cautela e disse ser contrário à utilização política de investigações ainda em andamento.
Nesta quinta-feira (10), uma reportagem do UOL noticiou que o banqueiro Daniel Vorcaro, em proposta de delação premiada não homologada pela Procuradoria-Geral da República por fragilidade de provas, apontou que ACM Neto e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, atuaram em favor do Banco Master em institutos de previdência em troca de 10% dos valores investidos na instituição. O candidato ao governo da Bahia afirmou que as "insinuações são absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas".
Aliados de Jerônimo aproveitaram a matéria para disparar declarações contra o adversário, a exemplo do líder do governo na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto, e o deputado federal Jorge Solla, ambos petistas
Há algumas semanas, o postulante à reeleição ao Senado pelo PT, Jaques Wagner, tinha sido alvo da Operação Compliance Zero acusado de receber propina para atuar em favor da instituição no Congresso, o que ele também nega. No entanto, no lado governista, até hoje impera o silêncio sobre o caso, apesar de um dos investigados ser o atual secretário de Meio Ambiente, Eduardo Sodré, que foi mantido no cargo.
“É muito ruim virar um lavajatismo, como virou. Nós fomos vítimas disso lá atrás. Então eu não gosto dessa posição de ficar apontando dedo e fazer uso político disso. Eu acho que tem que responder, é um caso de Justiça. Nós estamos vivendo uma crise no Judiciário hoje, na principal Corte. Então eu acho que isso tem que ser resolvido na Justiça”, declarou, ao citar a Operação Lava Jato, que prendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o impediu de se candidatar em 2018.
O coordenador da campanha de Jerônimo disse que os envolvidos devem apresentar suas explicações e que não cabe à campanha antecipar julgamentos.
“O ex-prefeito tem que se explicar, mas com a Justiça. O que teve na Compliance Zero, o senador, que não tem nada dele, nada especificamente, nada do senador, também se explique e faça as explicações que tem [a fazer]. Ele está muito tranquilo com isso, a gente tem conversado com ele, ele está muito tranquilo”, declarou, ao referir-se ao ex-líder do governo.
Loyola também criticou eventuais vazamentos seletivos e defendeu que as investigações sejam conduzidas sem distinção entre adversários e aliados.
“Agora, o que não dá é para a Justiça também ser seletiva, fazer uma operação em um e não fazer no outro, fazer vazamentos seletivos, como foi feito. Volto a dizer, para não virar um lavajatismo. Eu acho que outras pessoas são mais exaltadas, querem fazer a política e tudo. Não é o meu estilo, não é o estilo do governador Jerônimo, não é o estilo nosso de fazer política”, disse.
Para ele, a campanha deve evitar a disputa baseada em acusações e concentrar o debate nas prioridades do estado.
“O povo da Bahia, nós estamos em um período eleitoral, quer saber o que a gente tem de proposta. Não é isso que a gente quer saber? Está fazendo isso, está fazendo aquilo. Ele responda, na Justiça, o que tem que responder, e vamos para a luta. Nós queremos discutir a Bahia, o desenvolvimento da Bahia, mais segurança, mais saúde, mais educação”, afirmou.
Regulação: governo admite desafio e cita investimentos na saúde
A fila da regulação foi outro dos principais temas da entrevista. Loyola reconheceu a existência do problema, mas defendeu que o governo ampliou de forma significativa a estrutura de saúde no interior.
“O governador fez um investimento robusto na saúde também. O nosso investimento na saúde passa de quase 15% da receita corrente líquida. Então é um investimento vultoso. Só ele [Jerônimo] fez 15 novos hospitais e temos mais oito em construção. Nós interiorizamos ainda mais a saúde”, afirmou.
Conforme Loyola, a ampliação da rede estadual teria reduzido a necessidade de deslocamento de pacientes para Salvador, especialmente em procedimentos de média e alta complexidade.
“Nós tínhamos, logo quando assumimos o governo, no primeiro governo Jaques Wagner, pouquíssimos hospitais. Era um turismo de ambulância para o HGE e o Roberto Santos. Em Salvador, Clériston Andrade e o Hospital de Base de Vitória da Conquista, um hospital em Guanambi com pouquíssimas ferramentas. Então, qualquer média e alta complexidade era feita em Salvador. Nós, no nosso projeto de desenvolvimento da Bahia, interiorizamos demais a saúde, inclusive com policlínicas”, disse.
O coordenador também citou o Hospital Ortopédico da Bahia, em Salvador, como uma das estruturas que, segundo ele, ajudam a enfrentar a demanda reprimida.
“Nós temos o Hospital Ortopédico da Bahia, SUS, que é o Albert Einstein que cuida, que é o hospital que mais cirurgias ortopédicas faz no país. É da Bahia, é 100% SUS e é do governo Jerônimo. Você já desafoga grande parte da fila”, afirmou.
Ao falar sobre a demanda diária, porém, Loyola reconheceu que a regulação continua a ser um problema relevante.
“Não para. Nós temos em média, e aí a secretária Roberta [Santana], eu sugiro vocês escutarem ela, que aí é quem debruça sobre isso, dois mil, mil e quinhentos, mil e oitocentos, uma fila diária”, declarou.
O coordenador também responsabilizou a estrutura municipal de Salvador por parte da pressão sobre a rede estadual.
“Em Salvador, nós temos mais de 2,5 milhões de habitantes. Nós temos dois hospitais municipais, dois hospitais. O Hospital Municipal de Cajazeiras, que é porta fechada, não é porta aberta, ele tem 220 leitos. Ele é menor do que o hospital de Itabuna. 80% dos casos de saúde de Salvador, tanto de média e alta complexidade, são resolvidos pelo governo do Estado”, comparou.
Educação: promessa de universalizar ensino integral
Na educação, Loyola destacou a expansão da rede de ensino em tempo integral e prometeu acelerar a implantação do modelo, caso Jerônimo seja reeleito.
“Nós temos hoje na rede 740 escolas de tempo integral, distribuídas em todo o estado. São quase 500 mil estudantes nas escolas de tempo integral. Mas ainda nós temos políticas públicas de permanência, como o Bolsa Escola, nós temos as monitorias. Então nós investimos ainda quase R$ 600 milhões por ano para que a gente fomente ainda o Pé-de-Meia, que é do governo federal, na parceria com o governo do Estado”, citou.
Ele destacou ainda a estrutura física das novas unidades.
“Essas escolas, esses templos de saber que nós temos construído na gestão do governador Jerônimo, são escolas com quadras cobertas, campos de grama sintética, com teatro, com restaurante. O estudante faz quatro refeições lá, professores também sendo valorizados com salários”, disse.
Para um eventual segundo mandato, Loyola afirmou que a prioridade será ampliar o modelo para todo o estado.
“São mais de 1,2 mil escolas. O programa do governador Jerônimo é agora universalizar todas essas escolas em tempo integral. Então nós vamos meter o pé no acelerador para que a gente consiga universalizar e colocar escolas de tempo integral de qualidade em todas as cidades da Bahia”, declarou.
Ponte Salvador-Itaparica: “As obras já estão acontecendo”
Em relação à polêmica sobre a obra da Ponte Salvador-Itaparica, Loyola fez uma defesa enfática do projeto e garantiu que a obra saiu do campo das promessas.
“Ficam jogando contra, eu acho. Nem jogam contra, ficam criando narrativas falsas, porque a ponte é uma realidade. E vou lhe dizer aqui: essa ponte ia ser começada a construir em 2019. Nós já tínhamos feito, já tínhamos um contrato com uma empresa chinesa, só que em 2019 veio a pandemia. O mundo parou por dois anos. Então os preços subiram, o preço do aço subiu, aí veio a eleição de 2022, nós vencemos”, afirmou.
Na avaliação de Loyola, a atual gestão herdou projetos considerados estratégicos e que estavam paralisados, entre eles a ponte e o VLT.
“O governador assumiu em 1º de janeiro de 2023 com dois grandes problemas emperrados: a ponte e o VLT. Rui tinha licitado, também parou o VLT. A gente acabou com os trens do subúrbio, era um preço social subsidiado, a população ficou chateada, tudo, mas também não dava para continuar sucateado”, declarou.
Sobre a ponte, Loyola afirmou que o contrato foi renegociado e que os trabalhos já começaram.
“O contrato da ponte são R$ 12 bilhões de reais. Um investimento desse porte você não faz isso de um dia para o outro. E nós conseguimos. Nós fizemos, vamos puxar, negociar com os chineses não é fácil. Eles têm as articulações deles, nós temos as nossas. A gente puxa, põe preço, puxa preço, leva para o governo federal, conversa com o embaixador, leva Lula para Xi Jinping para consertar. Conseguimos o contrato assinado e as obras já estão acontecendo”, assegurou.
Questionado sobre a declaração do prefeito Bruno Reis (União) de que ainda não teria recebido o projeto executivo da ponte, Loyola classificou a discussão como parte da disputa política.
“Aí é a politização, gente. É a politização. Nós tivemos uma reunião boa com o prefeito Bruno, para tratarmos inclusive de VLT. (...) Institucionalmente tem [boa relação]. Só que chega no ano eleitoral, aí polui. Depois que passar, a gente volta e volta novamente e vai andar”, disse.
Em relação à relação com Bruno Reis, Loyola fez questão de afirmar que o prefeito não teria criado obstáculos para os projetos estaduais.
“Ele não atrapalha em nada. Tudo que a gente precisou acelerar, ele nunca foi um, vamos chamar, sacana nisso, não. Eu tenho uma boa relação com o Cacá. ‘Cacá, estou precisando disso aqui’. Cacá Leão, que foi secretário de governo, ele ajudava. O prefeito Bruno nunca atrapalhou, vou ser muito sincero”, afirmou.
VLT: “Já é realidade”
Loyola também utilizou o VLT do Subúrbio como exemplo da capacidade de execução do governo Jerônimo. Segundo ele, além da implantação do novo modal, a gestão conseguiu resolver entraves contratuais e trazer para a Bahia uma fábrica de trens.
“Nós tivemos que desfazer o contrato, um ano para desfazer o contrato e ter o jogo de cintura de comprarmos trens novos que estavam parados no Mato Grosso junto com o Tribunal de Contas do Estado, com o Tribunal de Contas da União e colocar o VLT para rodar, como já está rodando aí”, afirmou.
Ele também destacou a duplicação da Estrada do Derba e a integração futura do sistema.
“Você vai ter um trem que você vai levar a população com qualidade. Não são mais aqueles trens sucateados, são trens novos, com ar-condicionado, com vagão para marisqueiras e pescadores. Nós vamos entroncar com o metrô. O cara pode sair do subúrbio agora, vai chegar aqui no Campo Grande, sem suar, sem nada, com alegria, sem pegar trânsito. Transporte público de qualidade é isso”, declarou.
“Não somos pastel de vento”
Loyola fez ainda uma defesa contundente do legado do governo Jerônimo e afirmou que a campanha pretende transformar obras e investimentos no principal argumento pela reeleição.
“Nós não fizemos 32 hospitais na Bahia, nós não fizemos tantas escolas de tempo integral da boca para fora, não. Nós entregamos. E esse governador entregou. Você fazer 15 hospitais em menos de quatro anos não é pouca coisa, não. Você colocar esse tanto de escola, mais de 200 escolas novas dessas aí, escolas que custam R$ 30 milhões em média, você fazer oito mil quilômetros de asfalto, só o governador Jerônimo fez, ligando asfalto a povoados, a distritos, onde é que o povo nunca viu asfalto?”, questionou.
Loyola também citou a entrega de ambulâncias, ônibus escolares, investimentos culturais e a reforma do Teatro Castro Alves.
“É com esse conteúdo e com isso que nós vamos disputar a reeleição. Não é com falácia, não é com gogó e não é só com saliva, não. É com entrega real. É investimento em educação, é investimento em segurança, é investimento em assistência social, é investimento em cultura”, enumerou.
E resumiu a estratégia eleitoral em uma frase de forte tom político: “Olha o tanto de entrega que nós temos. E vem tentar criar narrativas velhas com essa política mesquinha. Não, nós temos entrega, nós temos um arcabouço de obras que nós vamos entregar e nós vamos disputar isso aqui, porque nós não somos pastel de vento. Nós fizemos entregas consideráveis.”
Estratégia contra o voto “Lula-Neto”
Por fim, Loyola falou sobre uma das principais preocupações da campanha petista: o eleitor que pretende votar em Lula para presidente e em ACM Neto para governador.
De acordo com ele, a campanha pretende reforçar junto ao eleitorado a ideia de que Jerônimo é o candidato de Lula na Bahia.
“ACM não vota em Lula, não gosta de Lula e é um anti-Lula. Disse que ia dar uma surra em Lula. Então, ele não merece ter voto com Lula. Nós vamos deixar isso muito claro. Quem Lula apoia e os avanços que nós tivemos na Bahia são graças às políticas sociais de Lula e nós sempre estivemos do lado dele”, afirmou.
O coordenador disse que a estratégia será apresentar as duas candidaturas como projetos políticos distintos.
“O candidato de Lula na Bahia é Jerônimo. Os dois senadores de Lula são Jaques Wagner e Rui Costa. (...) O nosso estilo é um e o deles é outro. São coisas antagônicas. O governo ACM é antagônico ao governo Lula. O governo Jerônimo com o governo Lula são parceria. E essa parceria que tem gerado grandes obras na Bahia, tem gerado construção de grandes obras e de muito mais coisas que nós vamos fazer nos próximos quatro anos com Jerônimo e com Lula”, concluiu.

