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Operação da PF mira Marcinho Oliveira e ex-prefeito de Serrinha por suposto esquema de locação de veículos
Operação da PF mira Marcinho Oliveira e ex-prefeito de Serrinha por suposto esquema de locação de veículos
Deputado estadual teve residência e gabinete na Alba alvos de busca; Adriano Lima é apontado como gestor do período em que teriam ocorrido as fraudes
Por Redação
01/04/2026 às 08:46

Foto: Reprodução / Instagram | Sandra Travassos / Alba
O deputado estadual Marcinho Oliveira, presidente do PRD na Bahia, e o ex-prefeito de Serrinha Adriano Lima, pré-candidato a deputado federal pelo PSD, estão no centro da Operação Tambuatá, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União na manhã desta quarta-feira (1º).
O parlamentar é um dos alvos da investigação e teve mandados de busca e apreensão cumpridos tanto em sua residência, localizada no condomínio Le Parc, na Avenida Paralela, em Salvador, quanto em seu gabinete na Assembleia Legislativa da Bahia.
A operação investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado a contratos de locação de veículos firmados pela Prefeitura de Serrinha entre 2017 e 2024.
De acordo com a investigação, o então gestor municipal, Adriano Lima, servidores públicos e empresas teriam atuado em conluio para direcionar licitações de locação de veículos no município. A suspeita é de que contratos tenham sido superfaturados ou sequer executados, com posterior repasse de recursos a agentes públicos.
Marcinho aparece na investigação por ser apontado como proprietário da empresa vencedora de contratos sob suspeita. Conforme a apuração, após as licitações, parte dos valores teria sido distribuída a integrantes do esquema, por meio de transferências bancárias e também em dinheiro em espécie.
Ao todo, a Operação Tambuatá cumpriu 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Salvador, Serrinha, Feira de Santana, Santaluz e Araci.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie. Todo o material será periciado pela PF para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos.
Além de Salvador, a operação teve desdobramentos em Feira de Santana, Santaluz, Araci e na própria Serrinha, onde teriam ocorrido os contratos investigados.
Em nota, Marcinho Oliveira afirma ter sido “surpreendido” pelo mandado de busca e apreensão e negou qualquer participação na condução dos contratos investigados em Serrinha.
O parlamentar alegou que nunca exerceu cargo público no município, que os fatos investigados remontam a 2017, quando atuava apenas na iniciativa privada, e sustentou que a ação ocorre em meio ao crescimento político do seu partido na Bahia.
Também em nota, Adriano Lima alegou que não teve "acesso integral ao conteúdo dos autos" e justificou "cautela" ao comentar o caso.
Já a Assembleia Legislativa da Bahia confirmou que agentes da Polícia Federal estiveram na Casa para cumprir ordem judicial de busca e apreensão no gabinete de um deputado estadual. A Alba afirmou que colaborou integralmente com a operação e ressaltou que a investigação não tem relação com as atividades institucionais do Parlamento.
Íntegra da nota de Marcinho Oliveira
“Venho a público esclarecer que fui surpreendido, nesta quarta-feira (1º), com o cumprimento de mandado de busca e apreensão relacionado a uma investigação sobre contratos no município de Serrinha.
Reforço que nunca exerci cargo público nem tive função de gestão no município de Serrinha, não tendo qualquer participação na condução desses contratos.
Os fatos mencionados são de 2017, período em que atuava na iniciativa privada, e não têm qualquer relação com o meu mandato parlamentar.
Registro ainda que isso ocorre em um momento em que nosso partido cresce em toda a Bahia, e a perseguição política é evidente.
Sigo com a consciência tranquila, fé em Deus e confiança de que a verdade será esclarecida. Seguirei trabalhando com compromisso pelo povo baiano.
Deputado Estadual
MARCINHO OLIVEIRA”
Íntegra da nota de Adriano Lima
O ex-gestor Adriano Lima informa que, até o presente momento, não teve acesso integral ao conteúdo dos autos, uma vez que o processo tramita sob segredo de justiça, o que impõe cautela na análise dos fatos e na manifestação pública.
Reitera seu respeito às instituições responsáveis pela condução das investigações e afirma que sempre pautou sua atuação na legalidade e no interesse público durante o exercício de suas funções.
Destaca, ainda, que está à inteira disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, confiando que todos os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos no curso regular do processo legal.
Íntegra da nota da Alba
“A Assembleia Legislativa do Estado da Bahia informa que, na manhã desta data, agentes da Polícia Federal estiveram em suas dependências para o cumprimento de ordem judicial de busca e apreensão no gabinete de um deputado estadual.
A medida foi executada de forma regular, tendo sido assegurado o pleno acesso dos agentes públicos às dependências da Casa, nos termos da decisão judicial.
A Assembleia Legislativa ressalta que a investigação em curso não se confunde com as atividades institucionais do Parlamento, reafirmando seu compromisso com os princípios constitucionais da legalidade, da transparência e da governança pública.
A Casa reitera, ainda, que mantém postura de absoluta colaboração com as autoridades competentes, não criando qualquer embaraço ao exercício das funções do Poder Judiciário, do Ministério Público e das instituições policiais.”

