Home
/
Notícias
/
Política
/
João Roma acusa PT de implantar 'coronelismo 2.0' na Bahia e governo de pressionar prefeitos
João Roma acusa PT de implantar 'coronelismo 2.0' na Bahia e governo de pressionar prefeitos
Candidato ao Senado pelo PL afirma que gestão Jerônimo Rodrigues utiliza a máquina pública para constranger gestores municipais e aposta em mudança no cenário eleitoral
Por Evilásio Júnior
23/07/2026 às 12:57

Foto: Max Haack / Divulgação
O candidato ao Senado pelo PL e presidente estadual da legenda, João Roma, acusou o governo Jerônimo Rodrigues (PT) de implantar um "coronelismo 2.0" na Bahia.
Em entrevista à CBN Salvador nesta quinta-feira (23), um dia após a convenção que homologou sua candidatura, o dirigente afirmou que prefeitos são pressionados a demonstrar fidelidade política ao governo estadual em troca da liberação de obras e investimentos.
De acordo com o ex-ministro da Cidadania, a prática representa uma atualização do antigo coronelismo político.
"Até para entregar uma simples ambulância, o governo do PT faz questão que o prefeito vá lá fazer juras de amor, sob pena de sofrer o ódio administrativo. A esquerda criticava o coronelismo do passado, mas implantou na Bahia o coronelismo 2.0", apontou.
Roma também citou como exemplo a decisão da Justiça Eleitoral que determinou a retirada de um vídeo do prefeito de Érico Cardoso, Eraldo Félix (Republicanos), acusado de constranger servidores ao associar a permanência nos cargos ao apoio ao atual chefe do Executivo baiano.
Oposição fortalecida
Durante a entrevista, o dirigente do PL avaliou que a convenção da oposição marcou o início de uma nova fase da campanha e demonstrou unidade entre os partidos que apoiam ACM Neto (União Brasil).
Na sua avaliação, o grupo vive um "momento histórico" e encontra, nas viagens pelo interior do estado, um sentimento crescente de mudança.
"Em toda cidade aparece alguém dizendo que nunca votou fora do PT, mas que agora vai votar porque entende que a Bahia precisa mudar", relatou.
Discurso de ACM Neto
Roma também comentou o tom adotado por ACM Neto (União Brasil) durante o discurso na convenção, quando o ex-prefeito de Salvador elevou o tom das críticas ao governador Jerônimo Rodrigues.
Para o postulante ao Senado, a fala refletiu a indignação da população diante dos problemas enfrentados pelo estado.
"Aquilo não foi raiva. Foi a expressão de um sentimento que encontramos todos os dias nas ruas. Neto verbalizou um grito que está no coração de muitos baianos", declarou.
Ele ainda afirmou que o aliado chega mais preparado para disputar o governo do estado do que em 2022.
Críticas ao governo Jerônimo
Ao longo da entrevista, João Roma voltou a questionar o cumprimento das promessas feitas pelo governador Jerônimo Rodrigues durante a campanha de 2022.
Entre os exemplos citados, mencionou a fila da regulação na saúde, obras de infraestrutura e o ato que marcou o início da construção da Ponte Salvador-Itaparica.
Segundo Roma, o evento promovido pelos governos estadual e federal foi apenas um cenário montado para fotografias.
"Os próprios engenheiros disseram que aquilo não representava o início da obra. Foi uma estrutura montada apenas para fazer política", criticou.
Segurança pública
Outro tema abordado foi a segurança pública. Roma afirmou que o avanço das facções criminosas tem restringido a circulação da população e prejudicado comerciantes em diversas regiões da Bahia.
"Há locais onde comerciantes precisam pedir autorização para trabalhar. Isso também é violência. A Bahia perdeu a tranquilidade e a liberdade de ir e vir", disse.
Estudo divulgado nesta quinta-feira (23) no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que cinco cidades baianas estão no ranking das 10 mais violentas de todo o Brasil. O estado continua com o maior número absoluto de mortes violentas intencionais do país.
Suplentes e aliança
O candidato também comentou a escolha da ex-prefeita de Juazeiro, Suzana Ramos (PSDB), e do ex-prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge (PSDB), como suplentes de sua candidatura ao Senado.
Conforme o presidente do PL na Bahia, a composição fortalece a presença da chapa no interior do estado e representa um reconhecimento ao PSDB pela participação na construção da aliança oposicionista.
Roma ainda elogiou o deputado federal Adolfo Viana pela atuação nas negociações que resultaram na formação da chapa encabeçada por ACM Neto.
Eleição nacional
Ao analisar o cenário presidencial, Roma afirmou que a disputa nacional influencia a eleição baiana, mas avaliou que o eleitor tem capacidade de separar os votos para presidente e governador.
Para ele, o desgaste do governo estadual pesa mais na avaliação do eleitor do que a polarização nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
"O povo baiano sabe diferenciar as eleições e quer gestores que entreguem resultados. A Bahia precisa voltar a crescer", afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:

