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Debandada eleitoral: secretários de Jerônimo e Bruno Reis deixam cargos para disputar eleições de 2026
Debandada eleitoral: secretários de Jerônimo e Bruno Reis deixam cargos para disputar eleições de 2026
Governo do Estado e Prefeitura de Salvador terão baixas estratégicas com foco na Câmara Federal e na Alba
Por Evilásio Júnior
02/03/2026 às 06:00

Foto: Roberta Santana, que iria para a Câmara desiste, mas Rowenna Brito (Alba) será a pré-candidata do governador Jerônimo Rodrigues | Wuiga Rubini / GOVBA
A pouco mais de sete meses das eleições de 2026, os governos estadual e municipal já começam a sentir os efeitos do calendário.
O Blog do Vila apurou que secretários e dirigentes de órgãos estratégicos devem deixar os cargos nos próximos dias para disputar mandatos de deputado federal e estadual, em uma movimentação que mistura projetos pessoais e articulações políticas dos grupos liderados pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil).
No governo estadual, as mudanças atingem áreas centrais da gestão e incluem nomes próximos ao governador e quadros com trajetória consolidada na política baiana.
Base de Jerônimo terá candidatos à Câmara e à Alba
Um dos principais nomes é o chefe da Casa Civil, Afonso Florence (PT), que é deputado federal licenciado e vai tentar a reeleição. Homem de confiança do PT e com forte atuação em Brasília, Florence retorna à disputa para manter o espaço do partido na Câmara.
Já a secretária da Saúde, Roberta Santana (PT), que era tratada como aposta pessoal do governador Jerônimo Rodrigues para a Câmara dos Deputados, desistiu de concorrer e poderá seguir na Sesab ou mesmo assumir a Casa Civil em lugar de Afonso.
Outro nome que disputará vaga em Brasília é Jayme Vieira Lima (MDB), atual presidente da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb), que é pré-candidato a deputado federal. Sobrinho de Lúcio e Geddel, ele é o atual comandante estadual emedebista.
Já na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o governo também terá diversas baixas.
A secretária da Educação, Rowenna Britto (PT), será candidata a deputada estadual, também com o apoio direto do governador. No mesmo caminho está a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis (PT), que tentará uma vaga no Legislativo estadual.
Outro que pretende disputar a Alba é o secretário da Agricultura, Pablo Barrozo (Avante), que já exerceu mandato parlamentar e busca retornar ao Legislativo.
Além deles, quatro secretários que já são deputados estaduais e estão licenciados deixarão o governo para reassumir os mandatos e disputar a reeleição: Ângelo Almeida (PSB), do Desenvolvimento Econômico, Osni Cardoso (PT), do Desenvolvimento Rural, Neusa Cadore (PT), de Políticas para Mulheres, e Jusmari Oliveira (PSD), de Desenvolvimento Urbano.
Prefeitura de Salvador também terá mudanças
Na Prefeitura de Salvador, o principal nome é o secretário de Governo, Cacá Leão (PP), que é pré-candidato a deputado federal. Ex-congressista e filho do ex-vice-governador João Leão, que anunciou aposentadoria da política, ele tenta retornar à Câmara após ter disputado o Senado em 2022.
Outro integrante do núcleo político do prefeito Bruno Reis que deve deixar o cargo é o secretário particular Igor Dominguez (DC), que será candidato a deputado estadual.
Igor integra o círculo mais próximo do prefeito e sua candidatura é vista como parte da estratégia de fortalecimento político do grupo governista municipal.
Movimento redesenha forças políticas
As saídas ocorrerão dentro do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral e obrigarão tanto Jerônimo quanto Bruno Reis a promover uma minirreforma administrativa em suas equipes.
Mais do que simples mudanças de governo, o movimento revela as prioridades eleitorais dos dois grupos e antecipa a disputa por espaços na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, consideradas estratégicas para o equilíbrio de forças na Bahia a partir de 2027.
No caso do governador Jerônimo Rodrigues, as candidaturas de secretários próximos indicam uma aposta em nomes da própria gestão para ampliar a influência do grupo político. Já na Prefeitura, as movimentações reforçam o projeto político do entorno de Bruno Reis e do União Brasil.

