/

Home

/

Notícias

/

Política

/

'Somos campeões nacionais em crianças internadas por desnutrição infantil', condena Tiago Correia

'Somos campeões nacionais em crianças internadas por desnutrição infantil', condena Tiago Correia

Líder da oposição na Alba aponta “guerra de narrativas”, ataca indicadores do estado e avalia que ACM Neto deve liberar aliados no primeiro turno

Por Evilásio Júnior

04/05/2026 às 12:03

Foto: Divulgação

O deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia e presidente do partido no estado, fez um duro diagnóstico dos cenários político e administrativo da Bahia durante entrevista à CBN Salvador

Em tom crítico, ele rebateu declarações recentes do ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), questionou os resultados dos governos petistas na Bahia e indicou que a oposição deve caminhar com liberdade no primeiro turno da disputa presidencial.

Ao comentar a fala do ex-governador sobre “oligarquias” e “controle das mídias”, o tucano classificou o discurso como ultrapassado e acusou o grupo governista de construir versões políticas para influenciar a opinião pública.

“Não vai ser uma guerra de verdades, e sim de narrativas. Criam um discurso, repetem massivamente e aquilo termina virando verdade, mas quando você confronta com a realidade, não se sustenta. [...] Nós tivemos um aparelhamento, pode-se dizer, de toda a mídia do Estado, e ela existe de maneira muito pesada até hoje, não só nas televisões, mas nas rádios e nos blogs. Não entendi bem o que ele quis dizer, mas o que a gente vê é quase a totalidade da mídia comprada pelo governo. E aí a gente vê um ex-governador falar de perpetuação de poder de oligarquia quando eles estão há 20 anos comandando o nosso estado, entregando resultados pífios”, apontou.

Avaliação do governo e disputa estadual 

Tiago Correia traçou um quadro negativo da gestão estadual, ao apontar problemas em áreas como segurança pública, saúde, educação e economia. Ele afirmou que os indicadores sociais da Bahia permanecem entre os piores do país após duas décadas de governos do PT.

“A Bahia é campeã nacional em desemprego, violência e extrema pobreza. Esses não são dados narrativos, são números. Nós somos campeões nacionais em crianças internadas por desnutrição infantil. Nós não estamos falando da África, e sim da Bahia. De cada 100 crianças baianas, 77 vivem a pobreza em uma de suas dimensões. Nós somos o estado com a pior política pública para mulheres. Quando nós vemos diversas ativistas da esquerda levantando a bandeira de defesa da mulher, a Bahia é o pior estado. Nós somos o 24º estado em competitividade. Então nós temos indicadores muito ruins nesses 20 anos de governo do PT. E eu peço para apontar um indicador que eles conseguiram melhorar”, declarou.

O deputado também avaliou que o cenário eleitoral atual difere do último pleito, ao citar maior desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aumento da reprovação ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“Hoje nós temos um cenário completamente diferente. O eleitor já conhece o governo e sente no bolso os efeitos da gestão”, disse.

Críticas à gestão Jerônimo

Apesar de reconhecer relatos positivos sobre o perfil pessoal de Jerônimo Rodrigues, Correia afirmou que o governo carece de identidade própria e sofre com disputas internas.

“Jerônimo não conseguiu criar uma marca de governo. Existe uma disputa de protagonismo entre Rui Costa e Jaques Wagner, e isso deixa a gestão desorganizada”, avaliou.

Ele também criticou a condução administrativa.

“É um governo sem coordenação, sem planejamento. Obras anunciadas não são entregues e muitas nem saem do papel”, afirmou.

Palanque aberto e cenário presidencial 

Sobre o comportamento da oposição na eleição presidencial, Correia afirmou que a tendência é de liberdade entre os aliados de ACM Neto no primeiro turno.

“Dada a diversidade de posicionamentos, ninguém vai botar o revólver na cabeça de ninguém. Cada um deve apoiar quem quiser neste primeiro momento”, pontuou.

Ele destacou que há diferentes preferências dentro do grupo — ao citar nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) — e avaliou que uma convergência deve ocorrer apenas em um eventual segundo turno.

“No segundo turno, todo o grupo vai marchar unido contra o presidente Lula”, completou.

Comunicação e estratégia eleitoral 

Por fim, Correia afirmou que o principal desafio da oposição será fazer com que dados e indicadores cheguem ao eleitor comum, especialmente no interior do estado.

“Quando chega no final do mês e o dinheiro não dá para comprar o que comprava antes, não tem narrativa que resista. O eleitor sente no bolso”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra: 

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.