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TPE na Alba: 'ciumeira' com Rowenna expõe racha silencioso no PT e já afeta votações do governo

TPE na Alba: 'ciumeira' com Rowenna expõe racha silencioso no PT e já afeta votações do governo

Deputados da Federação Brasil da Esperança reclamam, em reservado, de suposto uso da máquina estadual para turbinar candidatura da ex-secretária de Educação; ausência em votação do empréstimo da Embasa virou símbolo da insatisfação

Por Evilásio Jùnior

18/05/2026 às 06:00

Foto: Joá Souza / GOVBA

A chamada TPE — Tensão Pré-Eleitoral — já tomou conta dos bastidores da bancada governista na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). E, embora o discurso público ainda seja de unidade, parlamentares da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) não escondem mais, nos corredores e conversas reservadas, a irritação com o que classificam como um suposto favorecimento do governador Jerônimo Rodrigues (PT) à pré-candidatura da ex-secretária estadual da Educação Rowenna Brito (PT).

A “ciumeira”, palavra usada por integrantes da própria base, já tem produzido efeitos concretos no plenário da Alba. O principal exemplo citado nos bastidores foi justamente a tentativa frustrada do governo de aprovar, no último dia 5, a urgência do empréstimo milionário para a Embasa. A matéria acabou travada por falta de quórum — exatamente pela ausência de um deputado.

Nos bastidores, a não presença do deputado estadual Osni Cardoso (PT) foi interpretada como um recado político.

“A situação de Rowenna afeta de 10 a 15 deputados da federação por falta de cumprimento de acordo da Serin”, relatou um parlamentar petista, reservadamente, ao Blog do Vila.

SEC virou alvo principal das reclamações 

Entre os deputados ouvidos pela coluna, há um entendimento praticamente consensual: a estrutura da Secretaria da Educação do Estado (SEC), comandada por Rowenna até o período de desincompatibilização, seria usada de forma “escancarada” para impulsionar sua futura candidatura à Alba.

O episódio mais citado aconteceu em Feira de Santana, durante uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP) promovido pelo PT. De acordo com os parlamentares, diretores escolares, professores e integrantes da rede estadual promoveram um verdadeiro ato de adesão política à ex-secretária.

As reclamações, contudo, vão além.

Deputados relatam suposto assédio político sobre diretores, coordenadores de núcleos territoriais e trabalhadores terceirizados ligados à educação em diferentes regiões do estado. As queixas, segundo eles, têm sido levadas repetidamente à Secretaria de Relações Institucionais (Serin), sem efeito prático.

“Não adianta nada. Rowenna é de Jerônimo e, possivelmente, também de Adolpho Loyola. Ele só tem trabalhado para eleger Lucas Reis deputado federal e Rowenna para a Assembleia Legislativa. Você acha que ele vai fazer alguma coisa para equilibrar o jogo?”, ironizou outro parlamentar petista, ao citar o nome do ex-assessor do senador Jaques Wagner no rol dos beneficiados pelo Palácio de Ondina.

A fala também faz referência ao secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, apontado internamente como um dos principais articuladores políticos do núcleo duro do governo.

Osni virou símbolo da insatisfação 

No caso de Osni Cardoso, a crise ganhou contornos ainda mais evidentes porque sua ausência teve impacto direto sobre uma pauta prioritária do Palácio de Ondina: a operação de crédito de R$ 5,4 milhões para a Embasa.

Além do incômodo com o crescimento político de Rowenna, aliados do deputado afirmam que há insatisfação acumulada por acordos políticos não cumpridos pela Serin e pelo atraso no pagamento de emendas parlamentares.

O detalhe é que Osni também deixou recentemente o comando da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) para retornar integralmente à atividade parlamentar e preparar sua própria disputa eleitoral.

Um correligionário, no entanto, rebateu as críticas e classificou a reação do deputado como exagerada: “Esse boicote de Osni não tem cabimento. Ele está chateado sem motivo. Aparelhou a SDR por três anos e já tem mais de 100 mil votos.” 

A urgência do empréstimo acabou aprovada uma semana depois, mas o episódio serviu para escancarar o mal-estar interno na bancada governista.

André Fidalgo, Marta e a guerra silenciosa nas correntes do PT 

Outro foco de tensão envolve o nome de André Fidalgo, filho da deputada estadual Maria del Carmen, que não disputará a reeleição justamente para abrir espaço político ao herdeiro.

A irritação, nesse caso, respinga diretamente na vereadora de Salvador Marta Rodrigues, irmã do governador Jerônimo.

Marta lidera a corrente interna “Resistir e Avançar”, grupo historicamente ligado à antiga EDP (Esquerda Democrática Progressista), corrente comandada pelo ex-deputado federal e atual conselheiro do TCM Nelson Pelegrino.

Embora tenha apoiado Del Carmen em 2022, a corrente decidiu agora fechar apoio integral a Rowenna e ceder estrutura política à ex-secretária.

Um integrante do grupo confirmou o movimento à coluna, mas ponderou que não havia qualquer compromisso firmado com Fidalgo.

“Nunca houve acordo para apoiar André. A própria Maria sabia disso após a eleição de 2022, porque já havia a previsão de que ela não iria para a reeleição. Aí, a decisão foi manter o apoio a uma mulher, que no caso é Rowenna”, admitiu a fonte.

“Todo mundo está de TPE” 

Apesar do clima de irritação crescente, parte da bancada petista ainda tenta minimizar a crise e trata o embate como consequência natural da antecipação eleitoral.

Um deputado ouvido pela coluna resumiu o ambiente com uma definição que já virou piada interna entre os governistas: “É claro que Jerônimo tem cedido prefeitos e lideranças como forma de viabilizar a candidatura de Rowenna, o que é normal. A verdade é que todo mundo está de TPE — Tensão Pré-Eleitoral. Em eleição, tudo dá estresse, mas não é questão de vida ou morte.” 

Nos bastidores da Alba, no entanto, a avaliação é de que o episódio revelou algo maior: a disputa silenciosa pelo controle dos espaços políticos do PT baiano promete produzir novos capítulos até a montagem definitiva das chapas proporcionais da ala governista.

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