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Entre vaias, cartazes e polêmicas, 2 de Julho abre oficialmente a campanha de 2026

Entre vaias, cartazes e polêmicas, 2 de Julho abre oficialmente a campanha de 2026

Com protestos, recados, silêncios e acordos, o cortejo da Independência mostrou que a disputa pelo Palácio de Ondina já saiu dos bastidores

Por Evilásio Júnior

02/07/2026 às 16:03

Foto: Feijão Almeida / GOVBA

Se alguém ainda tinha dúvida de que a campanha eleitoral começou, o cortejo do 2 de Julho tratou de acabar com ela.

Muito antes de o calendário da Justiça Eleitoral permitir, governo e oposição transformaram a principal festa cívica da Bahia em um enorme palanque político. Cada caminhada, cada entrevista e até cada silêncio carregavam um recado.

E alguns deles falaram mais alto do que os discursos.

As vaias que o governo não esperava 

O momento mais constrangedor do cortejo foi reservado à passagem da cúpula petista.

Manifestantes direcionaram vaias ao governador Jerônimo Rodrigues, enquanto cartazes com referências ao caso que relaciona o senador Jaques Wagner às investigações sobre o Banco Master dividiam espaço com cobranças relacionadas ao escândalo dos respiradores, que afetam o ex-ministro Rui Costa.

O episódio quebrou uma tradição recente de relativa tranquilidade para o grupo governista durante o desfile e mostrou que a oposição encontrou um novo discurso para explorar durante a campanha.

O silêncio de Wagner 

Se Jerônimo enfrentou perguntas e respondeu praticamente tudo, Jaques Wagner adotou outra estratégia.

Depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal, o senador evitou falar com a imprensa durante todo o cortejo.

O silêncio foi percebido tanto pelos jornalistas quanto pelos aliados, principalmente porque Wagner costuma ser um dos políticos mais acessíveis em eventos públicos.

Às vezes, não conceder entrevista também é uma declaração.

Jerônimo muda o tom? 

Depois de semanas de forte troca de ataques com ACM Neto, Jerônimo resolveu "baixar a temperatura".

Questionado sobre as declarações do adversário, afirmou que pretende tratar a oposição "com o respeito da altura que a pessoa for".

Ao mesmo tempo, respondeu às críticas sobre o lançamento da estaca da Ponte Salvador-Itaparica e voltou a defender a obra como estratégica para o desenvolvimento do estado.

Foi um governador que tentou transmitir serenidade justamente no momento em que enfrenta sua maior turbulência política do ano. No entanto, a declaração foi vista como bullying à estatura do oponente.

PSD praticamente confirmado 

Entre uma entrevista e outra, talvez tenha passado despercebida uma das declarações mais importantes do dia.

Jerônimo confirmou haver entendimento com o PSD para composição da chapa majoritária, inclusive com a participação de Jaques Wagner nas negociações.

Não é anúncio oficial, mas também está longe de ser apenas especulação.

O Blog do Vila apurou que há duas semanas os pessedistas tinham aprovado internamente o nome do ex-vereador Edvaldo Brito para ocupar a primeira suplência ao Senado.

Bruno e Neto afinados 

Do outro lado, a oposição fez questão de mostrar unidade.

Bruno Reis voltou a defender que os partidos aliados tenham liberdade para escolher o candidato à Presidência da República, ao citar lideranças nacionais como exemplos, enquanto reforçou que o foco da eleição baiana será a necessidade de mudança após quase duas décadas de governos do PT.

Pouco depois, ACM Neto repetiu praticamente o mesmo discurso.

O recado era claro: a eleição presidencial não deverá contaminar a construção da aliança estadual.

A prioridade continua a ser derrotar o grupo governista na Bahia.

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A ausência de Lula 

A expectativa pela presença do presidente acabou frustrada. Presente na véspera ao ato simbólico do fincar da estaca da ponte, na reinauguração do TCA e em Alagoinhas, o petista trocou a festa cívica da Bahia por uma adutora no Rio Grande do Norte.

Jerônimo explicou que Lula permaneceu em Brasília por causa de compromissos institucionais e minimizou a ausência. Antes, o discurso era de que o cacique petista se ausentaria por recomendação médica.

Mesmo assim, a falta do principal cabo eleitoral do PT, após três anos seguidos de participação, foi um dos assuntos mais comentados do cortejo.

Justamente no ano em que Salvador voltou a ser simbolicamente a capital do país, apenas os presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) prestigiaram o evento.

O vídeo que incendiou as redes 

Outro momento que extrapolou o cortejo aconteceu nas redes sociais. Um vídeo mostrou o governador Jerônimo Rodrigues abordado por uma mulher durante o desfile. 

Ela abraça o pescoço do petista e diz: "Seu sorriso vai acabar." Nas imagens, Jerônimo retira o braço da mulher do próprio pescoço, serra os dentes, segura o braço dela e a afasta. A mulher reage imediatamente: "Vai me machucar, é?".

As imagens circularam rapidamente e alimentaram o debate político ao longo do dia. Entre as reações, o influenciador Henrique Leite, conhecido como Rei dos Áudios, ironizou a cena em um vídeo publicado nas redes sociais. 

Em tom de humor, afirmou que enviaria "três cartelas de Losartana" ao governador e disse que Jerônimo estaria "descontrolado", ao sugerir que ele precisaria se acalmar até a eleição de outubro.

Rui Costa, ao defender "isenção nas investigações" que atingem Wagner, cobrou investigação sobre a esposa de ACM Neto, que prestou consultoria ao Banco Master.

Imediatamente foi iniciada a chuva de manifestações de aliados do ex-prefeito relacionando a incoerência entre a prática e o discurso petista de valorização das mulheres.

Curiosidade: em outubro, em nenhum dos lados, candidaturas femininas estão disponíveis nas chapas majoritárias.

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