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PF inclui Capitão Alden em inquérito que apura descumprimento de medidas cautelares de Bolsonaro

PF inclui Capitão Alden em inquérito que apura descumprimento de medidas cautelares de Bolsonaro

Relatório aponta que deputado baiano fez chamada de vídeo para o ex-presidente durante manifestação em Salvador, permitindo participação indireta no ato

Por Redação

21/08/2025 às 06:51

Atualizado em 22/08/2025 às 10:58

Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) incluiu o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) em investigação que apura descumprimento de medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro (PL). O relatório aponta que o parlamentar realizou uma chamada de vídeo com o ex-presidente durante uma manifestação em Salvador, no dia 3 de agosto, o que teria permitido a participação indireta do ex-mandatário no ato.

Segundo a PF, o episódio revela um “modus operandi de utilização de terceiros para burlar a medida cautelar” que impedia Bolsonaro de usar redes sociais. A restrição foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo conjunto de decisões que impôs ao ex-presidente o uso de tornozeleira eletrônica.

As apurações mostram conversas por WhatsApp entre Bolsonaro e Alden. Prestes a discursar, o deputado pediu um áudio para ser reproduzido no carro de som. O ex-presidente recusou e orientou: “Alden, se eu falar qualquer coisa, dá problema. Você pode ligar para mim na imagem falando: ‘Estou aqui com a imagem do Bolsonaro, está mandando abraço a todos vocês e parabenizando’. Aí você pode. Você fala. Eu não posso falar, não. Valeu”.

Na sequência, Alden perguntou se poderia ligar em cinco minutos e recebeu confirmação. O relatório registra que a ligação ocorreu às 12h10 e durou 14 segundos. Pouco depois, Bolsonaro enviou um vídeo ao deputado, em que cumprimentava os manifestantes, mas reafirmava que não poderia se pronunciar.

O material foi publicado na conta de Alden no X (antigo Twitter). Para os investigadores, a troca de mensagens indica que Bolsonaro orientou o aliado sobre como manter sua imagem exposta, mesmo diante das restrições.

A PF concluiu que a prática reforça a estratégia do ex-presidente de se valer de aliados para manter comunicação pública, apesar das limitações impostas pelo STF.

Em nota enviada à imprensa, o deputado federal Capitão Alden rebateu as acusações.

Leia a manifestação completa:

"Em razão das recentes reportagens que citam meu nome em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), em virtude de uma conversa com o presidente Jair Bolsonaro no último dia 3 de agosto, durante as manifestações legítimas pela liberdade em todo o Brasil, venho a público esclarecer:

O conteúdo da conversa nada mais foi do que uma saudação do presidente ao povo baiano, enviada por mim como porta-voz de milhares de cidadãos que estavam nas ruas, de forma pacífica, defendendo a democracia, a liberdade de expressão e o respeito à Constituição.

Não há qualquer ato ilícito nessa troca de mensagens. A manifestação foi pública, cívica e amparada pelo direito constitucional de livre reunião e livre manifestação do pensamento. Transformar isso em objeto de inquérito revela a fragilidade das acusações e a tentativa desesperada de criminalizar a oposição.

A posição do STF, de que Bolsonaro está proibido de dar entrevistas se estas forem reproduzidas nas redes sociais por terceiros — inclusive veículos de imprensa — é de uma gravidade institucional sem precedentes. Isso não atinge apenas Bolsonaro. Atinge a liberdade de imprensa, o direito à informação e o livre exercício da política.

Nem mesmo chefes de facções criminosas ou condenados por corrupção, como o presidente Lula, tiveram essa censura imposta. Aliás, Lula foi autorizado por decisão do ministro Lewandowski a dar entrevistas enquanto estava preso e condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. Bolsonaro sequer foi julgado ou condenado, e tampouco descumpriu qualquer das condições que, legalmente, poderiam justificar medidas tão graves, como risco de fuga ou obstrução da Justiça.

Outro ponto grave: eu estou deputado federal, no exercício pleno do mandato, e segundo a Constituição sou inviolável por quaisquer palavras, opiniões e votos. Se está acontecendo comigo — tendo conversas privadas expostas ilegalmente — quem dirá com um cidadão comum! Hoje somos nós, amanhã pode ser qualquer um. Em nome de uma suposta e pretensa “defesa da democracia”, estão violando os próprios pilares da democracia: os direitos e garantias fundamentais.

É sintomático que o vazamento seletivo dessa conversa ocorra no mesmo dia da votação do PL 2.628 — que trata da regulamentação das redes sociais —, da derrota do governo na CPMI do INSS, e da operação de busca e apreensão na casa do pastor Silas Malafaia. Tudo indica uma estratégia para desviar o foco da opinião pública e tentar manter a direita na defensiva, enquanto o Brasil enfrenta crises reais ignoradas por esse governo.

Por fim, reafirmo que não me calarei diante das tentativas de intimidação. Fui eleito para defender a liberdade, a verdade e o povo brasileiro. E seguirei fazendo isso com firmeza e coragem, doa a quem doer.

E é importante deixar claro: tanto o presidente Bolsonaro quanto suas principais lideranças — serão alvos de perseguições e tentativas de silenciamento. O sistema sabe que em 2028, com um Congresso mais forte, poderemos dar um freio aos desmandos de quem hoje se coloca acima da Constituição. Por isso tentam nos destruir desde já. Mas não conseguirão. A liberdade vai vencer."

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