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Aroldo Félix tem infecção após ser atingido por bala de borracha vencida da PM e reduz agenda de campanha
Aroldo Félix tem infecção após ser atingido por bala de borracha vencida da PM e reduz agenda de campanha
Com fortes dores, candidato da UP ao governo da Bahia está há 10 dias com atividades de rua limitadas após disparo durante manifestação de trabalhadores de aplicativo
Por Evilásio Júnior
11/09/2026 às 11:27

Foto: Divulgação
O candidato ao governo da Bahia pela Unidade Popular (UP), Aroldo Félix, está há dez dias com a campanha eleitoral limitada após ser atingido por um disparo de bala de borracha durante uma manifestação de trabalhadores de aplicativo, realizada no último dia 1º de setembro, na Avenida Paralela, em Salvador. Em nota, o Diretório Estadual da UP informou que o ferimento provocou fortes dores na região lombar e uma infecção no local atingido.
De acordo com o comunicado divulgado pelo partido nesta sexta-feira (11), o postulante acompanhava a mobilização dos entregadores por aplicativo quando a Polícia Militar realizou disparos durante a dispersão do ato. O candidato teria sido atingido na região lombar, próximo ao rim esquerdo.
A UP afirma que o projétil utilizado pela PM estava vencido havia 11 anos. Segundo a sigla, a munição tinha data de validade expirada em março de 2015. A legenda anexou à nota imagens do projétil e da lesão sofrida pelo candidato.
Desde o episódio, ainda conforme o partido, Aroldo Félix tem recebido atendimento em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Salvador e iniciou tratamento com antibióticos, com recomendação médica de duração de pelo menos 15 dias.
As limitações físicas também teriam afetado diretamente a agenda eleitoral. Conforme a UP, a infecção impede o candidato de permanecer por longos períodos em pé e de realizar viagens extensas de carro pelo interior do estado. Com isso, a campanha passou a priorizar compromissos de menor impacto físico, principalmente entrevistas a veículos de comunicação.
Manifestação
O ato acompanhado por Félix reunia trabalhadores de aplicativos que reivindicavam, entre outros pontos, a implementação de uma taxa mínima de R$ 10 por corrida, o fim de bloqueios considerados injustos pelas plataformas e a regulamentação das empresas do setor por meio de uma Medida Provisória do governo federal.
A Unidade Popular classifica a atuação policial durante a dispersão como "completamente desproporcional e violenta" e sustenta que a manifestação havia sido pacífica. O partido também questiona a utilização de munição fora do prazo de validade e afirma que a condição do projétil teria agravado o quadro de saúde do candidato.
A versão apresentada pela Polícia Militar é diferente. De acordo com a corporação, foram realizados três disparos de munição de "impacto controlado" com o objetivo de conter manifestantes que teriam feito manobras de risco na via pública. A UP contesta a justificativa e afirma que a manifestação já estava dispersa quando ocorreram os disparos.
Pedido de investigação
No mesmo dia em que foi atingido, Aroldo Félix protocolou um pedido de investigação na Corregedoria da Polícia Militar da Bahia. O objetivo, segundo a UP, é identificar e responsabilizar o comandante da operação e o policial que efetuou o disparo.
O setor jurídico da Unidade Popular acompanha o caso e cobra uma apuração das circunstâncias do episódio e das responsabilidades pela ação policial.
O partido também voltou a criticar a atuação das forças de segurança e classificou como "antidemocrática" a situação de um postulante ao governo estadual — cargo que inclui a função de comandante-chefe da Polícia Militar — ter sido atingido durante uma mobilização de trabalhadores.
A legenda encerrou a nota com a defesa do fim da violência policial e do direito de manifestação dos trabalhadores.

