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Bacelar celebra avanço da PEC do fim da escala 6x1, critica bolsonaristas e admite temor com votação no Senado

Bacelar celebra avanço da PEC do fim da escala 6x1, critica bolsonaristas e admite temor com votação no Senado

Deputado baiano classifica aprovação na Câmara como “vitória histórica”, acusa oposição de hipocrisia e prevê disputa difícil no Senado Federal

Por Evilásio Júnior

28/05/2026 às 13:51

Foto: Evilásio Júnior

O deputado federal Bacelar (PV-BA) classificou como “histórica” a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e abre caminho para o fim da escala 6x1. 

Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar afirmou que a medida representa um avanço para os trabalhadores brasileiros, mas admitiu preocupação com a tramitação no Senado Federal.

Ainda não vencemos a guerra. Vencemos uma batalha”, afirmou, ao comentar a aprovação da proposta na Câmara. “Não sei se a correlação de forças no Senado vai proporcionar aprovação da PEC”, ponderou.

Bacelar, que votou favoravelmente à matéria nos dois turnos, elogiou o trabalho do relator da proposta, o deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), e afirmou que o Brasil segue uma tendência internacional de redução da jornada de trabalho.

A escala 6x1 é uma escala escravizante. Tira do trabalhador o direito de conviver em família, do lazer, de acompanhar a educação dos filhos e de se qualificar”, declarou.

Críticas ao bolsonarismo 

Durante a entrevista, Bacelar fez duras críticas à oposição e acusou parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de mudarem de posição por pressão popular.

Quem é bolsonarista é contra a redução da jornada. Quem é bolsonarista é a favor da escala 6x1”, disparou.

Segundo ele, a adesão de deputados da direita ao texto aprovado ocorreu porque o governo federal já tinha votos suficientes para garantir a aprovação da PEC.

“Eles votaram pela pressão da sociedade. Viram que iam perder e aderiram”, afirmou.

O parlamentar também chamou de “hipocrisia” o comportamento de setores da oposição que, segundo ele, criticavam a escala 5x2, mas defendiam a possibilidade de uma jornada 4x3.

PEC prevê transição gradual 

Bacelar voltou a defender que a redução da jornada fosse implementada imediatamente após a aprovação definitiva da PEC, mas reconheceu que o texto final foi fruto de acordo político que envolveu, inclusive, o Palácio do Planalto.

A proposta aprovada prevê uma redução gradual da carga horária: duas horas a menos após 60 dias da promulgação da PEC e outras duas horas após um ano.

“Para mim, a redução para 40 horas começaria logo após a aprovação da PEC”, afirmou.

O deputado também rebateu críticas de setores empresariais e disse que o impacto financeiro será pequeno.

“Os estudos mostram que isso vai gerar um custo de cerca de 3,5%, menor do que o impacto anual do reajuste do salário mínimo”, argumentou.

Senado é principal preocupação 

Apesar do entusiasmo com a aprovação na Câmara, Bacelar afirmou que o Senado tende a representar o principal obstáculo à proposta.

“O Senado é mais conservador. Por isso estou contido na comemoração”, declarou.

O parlamentar ainda fez um apelo para que trabalhadores continuem a pressionar os senadores.

“Você que está nos ouvindo, trabalhador e trabalhadora, não descanse. Continue cobrando dos seus senadores um voto favorável ao fim da escala 6x1”, apelou.

Disputa eleitoral e defesa do governo Jerônimo 

Ao longo da entrevista, Bacelar também comentou o cenário político para as eleições de 2026 e saiu em defesa do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

O deputado afirmou acreditar na reeleição do petista ainda no primeiro turno e minimizou especulações sobre conflitos internos entre os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.

“O que eu vejo é Wagner dizendo que Rui é seu grande parceiro e Rui dizendo que Wagner é seu grande parceiro”, considerou.

Bacelar ainda elogiou obras do governo estadual, ao citar hospitais, escolas em tempo integral, o VLT de Salvador e investimentos do PAC na Bahia.

Ao ser confrontado pelos apresentadores com dados sobre violência, saúde e obras paralisadas, o deputado reconheceu dificuldades, mas atribuiu parte dos problemas à migração de facções criminosas para o Nordeste e à baixa qualidade da atenção básica prestada pelos municípios.

Defesa de Lula e ataques à oposição 

Bacelar afirmou ainda que a eleição presidencial de 2026 representará uma disputa entre “democracia e autoritarismo”.

Lula representa a democracia. Flávio Bolsonaro representa o autoritarismo e uma grande probabilidade de golpe de Estado”, suscitou.

O deputado também disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) crescerá eleitoralmente na Bahia ao lado de Jerônimo Rodrigues, impulsionado por programas sociais e medidas econômicas do governo federal.

“Não há crise no país. O mundo respeita o Brasil novamente”, apostou.

Confira a entrevista na íntegra: 

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