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Bruno Reis diz que Prefeitura já travava disputa contra empresas investigadas pelo Gaeco e pede bloqueio de contratos

Bruno Reis diz que Prefeitura já travava disputa contra empresas investigadas pelo Gaeco e pede bloqueio de contratos

Prefeito afirma que gestão já havia rescindido contratos, aplicado multas e preparava declaração de inidoneidade das empresas; investigação aponta esquema que teria movimentado mais de R$ 220 milhões em contratos públicos

Por Evilásio Júnior

15/07/2026 às 12:12

Foto: Betto Jr. / Secom-PMS

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil) afirmou que a Prefeitura já adotava medidas administrativas contra as empresas investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) antes mesmo da operação que afastou o secretário municipal Luciano Sandes e o vereador licenciado George Gordinho da Favela (PP)

De acordo com o prefeito, a gestão já havia rescindido contratos, aplicado multas e estava prestes a declarar a inidoneidade das empresas investigadas, a fim de impedi-las de firmar novos contratos com o município.

"Há muito a Prefeitura já vinha travando diversas batalhas, seja administrativas, penalizando essas empresas, rescindindo contratos e aplicando multas. Estávamos na iminência de decretar a inidoneidade para que elas ficassem impossibilitadas de contratar com o município", afirmou.

Bruno Reis também revelou que a Procuradoria-Geral do Município ingressará na Justiça para ampliar os efeitos das decisões já tomadas.

"Estamos pedindo à Justiça que amplie os efeitos da sentença para determinar o encerramento de todos os contratos. Todos eles sejam cancelados e suspensos, além de eventuais pagamentos futuros", disse.

O prefeito ainda classificou a atuação do Ministério Público como positiva para a administração municipal: "O Ministério Público prestou um serviço à cidade." 

MP detalha como suposto esquema operava dentro da Prefeitura 

Conforme a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a organização criminosa era dividida em núcleos empresarial, operacional e de agentes públicos. O grupo teria atuado por cerca de dez anos para fraudar licitações, superfaturar contratos, desviar recursos públicos, pagar propinas e ocultar a origem do dinheiro obtido de forma ilícita.

De acordo com o Ministério Público, empresas ligadas aos mesmos empresários participavam das licitações de forma coordenada para simular concorrência. Em seguida, servidores e gestores públicos direcionariam os editais para favorecer o grupo, que celebrava os contratos e ampliava seus valores por meio de sucessivos aditivos. Após os pagamentos, operadores financeiros das empresas investigadas fariam repasses a servidores públicos e integrantes das comissões de licitação.

A investigação aponta que o núcleo empresarial era liderado por Lázaro de Carvalho Nunes, Caroline Xavier da Cruz, Jandson de Carvalho Nunes e Ivan Rodrigo Ferreira de Almeida, apontados como os verdadeiros controladores do conglomerado de empresas investigadas, sobretudo a G3 Polaris.

No núcleo de agentes públicos, o Ministério Público atribui papel central ao ex-secretário Luciano Sandes e ao vereador licenciado Gordinho da Favela (PP). Segundo o Gaeco, ambos teriam exercido influência política e administrativa para garantir a contratação e a permanência das empresas investigadas na estrutura da Prefeitura, além de atuar em decisões relacionadas a pagamentos e aditamentos contratuais.

Na terça-feira (14), após a deflagração da operação, Luciano Sandes pediu exoneração da Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro. Apesar de ocupar esse cargo desde 2023, a investigação se concentra em sua atuação anterior como titular da Secretaria Municipal de Manutenção (Seman). A pasta passou a ser comandada pela advogada e publicitária Claudia Cavalcanti.

"Quem tiver culpa, que responda", diz prefeito 

Ao comentar o envolvimento de servidores públicos, Bruno Reis afirmou que qualquer responsabilização deve respeitar o devido processo legal, mas defendeu punição para quem eventualmente tenha cometido irregularidades.

"Quem tiver culpa, depois do devido contraditório e da ampla defesa, que seja servidor nosso, do Estado ou qualquer outro envolvido, caso tenha cometido alguma ilegalidade, que seja cumprido o que determina a lei.", salientou. 

O prefeito reforçou que a administração continuará a colaborar com as investigações conduzidas pelo Ministério Público.

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