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Cocá está 90% inclinado a ser vice de ACM Neto e pede prazo até o fim do mês

Cocá está 90% inclinado a ser vice de ACM Neto e pede prazo até o fim do mês

Prefeito de Jequié volta ao centro da majoritária da oposição e deve levar o deputado Hassan para a oposição; se recusar convite, Sheila Lemos passa a ser plano B

Por Evilásio Júnior

04/03/2026 às 09:44

Foto: Divulgação

A sucessão de 2026 já reorganiza o tabuleiro político na Bahia — e um nome voltou ao centro da disputa pela vice na chapa da oposição. O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), está hoje 90% inclinado a aceitar o convite para ser vice de ACM Neto (União Brasil) na corrida pelo governo do estado.

A informação foi confirmada ao Blog do Vila por interlocutores da oposição após conversas reservadas. As articulações são lideradas pessoalmente pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), e o deputado estadual Nelson Leal (PP), que é um dos coordenadores da pré-campanha do principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Cocá, no entanto, pediu prazo até o fim do mês para comunicar sua decisão final.

Caso confirme a disposição de integrar a chapa, ele se tornará o vice de Neto na disputa pelo Palácio de Ondina em outubro.

Hassan deve reforçar oposição

Independentemente da decisão de Cocá sobre a vice, um movimento paralelo deve fortalecer o campo oposicionista.

O deputado estadual Hassan (PP), aliado político do prefeito de Jequié, caminha para se aproximar do grupo de Neto. O nome dele chegou até mesmo a ser especulado entre parlamentares na vice, com o aval de seu líder, mas o fato que é negado pela cúpula da campanha da oposição.

Nos últimos dias, o parlamentar passou a circular com mais frequência entre lideranças oposicionistas, o que reforçou a percepção de que sua migração política é apenas questão de tempo.

Há meses a filiação dele ao PSB, ao lado dos correligionários Antônio Henrique Júnior, Eduardo Salles e Niltinho, era dada como favas contadas. O trio restante ainda é aguardado na legenda socialista.

Sheila vira plano B

Se a resposta for negativa, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, passa automaticamente a ser a segunda opção do grupo.

Antes vista como alternativa periférica — e até como “cortina de fumaça” para encobrir a prioridade nos “Zés” — uma vez que o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União), antes cogitado, praticamente cravou permanência no Executivo municipal —, Sheila passou a figurar como segunda opção concreta para a vice,.

Quem perdeu espaço foi o ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Quinho Tigre (PSD), que chegou a aparecer no radar da oposição, mas se queimou ao desfilar de mãos dadas com o ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) durante o carnaval.

Outro movimento simbólico reforça a mudança: o PSDB, que antes demonstrava incômodo com a atuação eleitoral do marido de Sheila, Wagner Alves, em áreas tradicionalmente tucanas, já não sustenta veto. Um dirigente do partido confidenciou ao blog que “tudo é conversado” quando o objetivo é ganhar a eleição.

Caso seja escolhida, porém, a tendência é que Sheila migre para o Republicanos, repetindo o arranjo político local de Vitória da Conquista.

Ricardo Maia e Charles Fernandes perdem força na majoritária

Outros nomes governistas que chegaram a ser cogitados nos bastidores para compor a vice de Neto foram os deputados federais Ricardo Maia (MDB) e Charles Fernandes (PSD).

O emedebista perdeu força após avaliações internas de que o parlamentar carrega uma fragilidade potencial de campanha em razão de um conflito familiar envolvendo disputa patrimonial com o próprio pai. Entre articuladores da oposição, a leitura é que o episódio poderia ser explorado eleitoralmente. 

Já o social-democrata ficou atrás na fila de Cocá. Recém-efetivado após a ida de Otto Filho para o Tribunal de Contas do Estado, ele deve migrar para o Republicanos.

Quem não esconde a felicidade com a possível saída de Fernandes da ala governista é a presidente da Assembleia, Ivana Bastos, conterrânea dele em Guanambi. A aliados, ela afirma que não aprecia o estilo político do deputado, não vota nele, mas diz respeitá-lo.

Aliados de Neto acreditam que, embora distantes da majoritária, Maia e Fernandes devem migrar para o campo oposicionista.

Neto entre Bolsonaro e Caiado

Se a disputa pela vice reorganiza a política baiana, o palanque nacional pode definir o tom da campanha.

Deputados da oposição afirmam que Neto já liberou sua bancada para apoiar Flávio Bolsonaro , embora o próprio ex-prefeito ainda mantenha cautela pública.

O PSD avalia lançar Ronaldo Caiado à Presidência, e Neto tem compromissos políticos com o governador goiano. Mesmo assim, cresce a avaliação de que neutralidade não será sustentável.

“Neto terá que estar no palanque anti-PT”, afirmou um deputado do União, sob reserva. “Flávio conseguiu consolidar os conservadores e agora tenta atrair também os descontentes com Lula. Neto é peça importante nesse jogo.”

A coluna apurou que Neto e Flávio se encontraram na última quinta-feira (26), em agenda mantida sob discrição. Ainda não houve deliberação.

Coronel isolado e janela silenciosa

Entre os nomes ainda indefinidos está o senador Angelo Coronel, que resiste a ingressar no União Brasil para evitar a formação de uma chapa “puro sangue” com Neto.

Aliados lembram que o mandato de senador não pertence ao partido, o que permitiria disputar por qualquer legenda e migrar posteriormente.

Mesmo assim, um interlocutor avaliou: “Ele está dando motivo para falarem que está isolado politicamente”.

Rui reabre disputa pela vice governista

Enquanto a oposição reorganiza sua majoritária, o governo também convive com ruídos internos.

Entre deputados da base, a leitura predominante ainda aponta para a permanência de Geraldo Júnior como vice de Jerônimo Rodrigues em 2026.

O senador Jaques Wagner e o secretário estadual de Relações Institucionais Adolpho Loyola chegaram a sinalizar ao blog que essa seria a tendência natural.

Mas a cautela pública de Jerônimo, que desautorizou ambos, reacendeu especulações na Assembleia.

Nos bastidores, deputados relatam que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, atuaria para reabrir a discussão e viabilizar o nome do deputado federal Neto Carletto como alternativa à vice.

A leitura interna é política: Jerônimo e Geraldo são vistos como nomes do campo de Wagner. Uma eventual entrada de Carletto reorganizaria o eixo de influência dentro do grupo governista.

O recente vazamento de uma suposta conversa atribuída a Geraldo — em que aliados defenderiam enfrentamento digital contra Rui — passou a circular como elemento de desgaste. Um governista resumiu ao blog: “Só não será Geraldo se usarem o vazamento como justificativa”.

A matemática que ninguém quer abrir

Se a majoritária esquenta, a proporcional preocupa ainda mais.

Um dirigente partidário resumiu a estratégia: “Abrir o jogo agora mela a construção das nominatas. Os nomes estão guardados a sete chaves”.

Na oposição, calcula-se que sejam necessários cerca de 550 mil votos apenas para garantir a reeleição dos atuais deputados estaduais.

Na federação União Progressista, a conta é ainda mais delicada. Para garantir as sete cadeiras pretendidas e ainda viabilizar o nome de Emerson Penalva, faltariam aproximadamente **300 mil votos**.

No PSDB, a projeção interna mais realista aponta para apenas uma vaga na Assembleia. Um parlamentar provocou, reservadamente: “Quem sobra: Tiago Correia ou Jordávio Ramos?”

Na disputa pela Câmara dos Deputados, a régua também subiu. Nos bastidores do Republicanos, comenta-se que Leo Prates só seria “aprovado” na legenda se garantir ao menos 100 mil votos.

No PSDB, exigência semelhante circula para Carlos Muniz Filho e Adolfo Viana.

Samuel Júnior, por sua vez, é especulado no PL como forma de buscar sobrevida eleitoral para Abraão Reis. Entre deputados, há dúvidas de que o Republicanos repita em 2026 o desempenho de eleger três estaduais como ocorreu em 2022. Já o PL poderia alcançar quatro cadeiras impulsionado pelo eventual efeito presidencial de Flávio Bolsonaro.

Cortejados, isolados e partidos “abertos”

A janela partidária é tratada com extremo cuidado.

Entre os nomes em movimento, Paulo Câmara ainda não definiu para onde vai, diante das dificuldades de acomodação no PSDB. Hoje no PDT, Emerson Penalva também avalia caminhos e tem sido cortejado tanto pelo PP quanto pelos tucanos.

Marcelinho Veiga deve permanecer no União Brasil, assim como Robinho, que pretende disputar vaga na Câmara.

O deputado estadual Marcinho Oliveira, afilhado político do deputado federal Elmar Nascimento, permanece no PRD — partido que preside na Bahia — e pode levar consigo Júnior Nascimento, primo de Elmar e integrante da oposição.

O detalhe curioso é a definição interna da legenda. Segundo aliados, o PRD estaria “aberto para todos”, seja governo ou oposição. Um interlocutor ironizou: “Se Neto ganhar a eleição, duvida que no dia seguinte peçam para virar líder do governo?”

Eleito pelo PL e hoje alinhado ao governo, Vítor Azevedo deve migrar para o Avante.

Na base governista também são ventiladas mudanças envolvendo Fabíola Mansur, que poderia trocar o PSB pelo Avante, Rogério Andrade, que avalia deixar o MDB para a mesma legenda, e os progressistas Antônio Henrique Júnior, Eduardo Salles e Niltinho, esperados no PSB.

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