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Presidente do PV promete recorrer à Justiça caso federação confirme que vai barrar candidatura de André Fraga
Presidente do PV promete recorrer à Justiça caso federação confirme que vai barrar candidatura de André Fraga
Ivanilson Gomes afirma que convenção do PV homologará o nome do vereador e acusa federação de desrespeitar autonomia partidária; dirigente diz que decisão pode causar "constrangimento nacional"
Por Evilásio Júnior
27/07/2026 às 12:51

Foto: Evilásio Júnior
O presidente estadual do Partido Verde (PV), Ivanilson Gomes, afirmou que a legenda manterá a candidatura do vereador André Fraga a deputado estadual, mesmo diante da possibilidade de a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) barrar o registro do parlamentar.
O Blog do Vila apurou que, em reunião realizada neste domingo (26), o comando do grupo, liderado pelo presidente do PT na Bahia, Tássio Brito, acatou o pedido de petistas e comunistas para negar a legenda ao ambientalista, que pretende disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Em entrevista à CBN Salvador, o dirigente classificou a medida como um desrespeito à autonomia dos partidos federados e não descartou recorrer à Justiça Eleitoral para garantir a candidatura.
De acordo Ivanilson, o PV foi comunicado de que a discussão sobre a candidatura de André Fraga foi levada à direção nacional da federação, mas não participou da deliberação. O dirigente afirmou que o partido homologará o nome do vereador em convenção e sustentou que cabe a cada legenda definir seus próprios candidatos.
"Nós vamos, sim, confirmar a candidatura de André. Se a federação quiser fazer o corte, que faça. O André terá o apoio do Partido Verde. Enfim, isso é algo que vai ter desdobramento", avisou.
Nos bastidores, a informação é de que parlamentares do PT e do PCdoB pressionaram a direção da federação para impedir a candidatura de André Fraga, sob o argumento de que ele poderia disputar espaço eleitoral com deputados de mandato. Ivanilson criticou a movimentação e disse que a preocupação é infundada.
"O André foi convidado pelo partido para ser candidato. Ele não pediu candidatura. É um quadro orgânico, dirigente nacional do PV, tem uma trajetória reconhecida na pauta ambiental e seria um ganho para a Bahia", afirmou.
"Dois pesos e duas medidas"
Durante a entrevista, Ivanilson também rebateu críticas ao fato de André Fraga integrar a base do prefeito Bruno Reis (União Brasil), aliado de ACM Neto, principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição deste ano.
Segundo ele, a condição não pode ser utilizada como justificativa para impedir a candidatura, ao lembrar que há diversos exemplos de parlamentares que apoiam governos diferentes das direções nacionais de seus partidos.
"Se me mostrarem uma declaração de André apoiando ACM Neto, tudo bem discutir. Mas ele nunca fez isso. Há uma punição antecipada por algo que sequer aconteceu", disse.
Justiça Eleitoral é possibilidade
Caso a federação mantenha a decisão de excluir o nome de André Fraga do registro coletivo das candidaturas, Ivanilson afirmou que o partido avalia medidas jurídicas.
Em sua avaliação, a legislação eleitoral permite que candidatos aprovados em convenção busquem o registro da candidatura caso sejam excluídos posteriormente do pedido oficial.
"Se for necessário recorrer à Justiça Eleitoral, nós vamos. Não existe justificativa para simplesmente retirar uma candidatura aprovada pelo partido", afirmou.
Críticas ao tratamento dado ao PV
Ivanilson também demonstrou preocupação com os reflexos políticos da decisão. Para ele, impedir justamente a candidatura de um dos principais nomes ligados à pauta ambiental pode provocar desgaste nacional para a federação.
"Retirar um ambientalista como André Fraga pode causar um constrangimento nacional. As pessoas precisam saber quem é André Fraga e a importância que ele tem para o Partido Verde", declarou.
O dirigente ainda defendeu que a federação preserve a autonomia dos partidos que a compõem e alertou para o risco de criar um precedente que enfraqueça o modelo federativo.
"Federação não é coligação. Cada partido precisa ter respeitada sua individualidade. Não podemos transformar divergências políticas em decretos. Isso enfraquece a democracia interna", advertiu.
Apesar de negar ser barriga de aluguel, na última janela partidária o PV foi "enxertado" pelo governo com nomes alheios à pauta verde, a exemplo dos deputados estaduais Eduardo Salles e Antônio Henrique Júnior, ligados ao agronegócio, e manteve nomes como Roberto Carlos e Bacelar, abrigados em 2022, em seus quadros.

