Janela fecha com debandada, traições silenciosas e chapas infladas
Coluna detalha quem cresceu, quem encolheu, os principais movimentos da janela partidária e como ficaram as nominatas para a Câmara e a Alba
Por Evilásio Júnior
06/04/2026 às 06:00

Foto: Alejandro Zambrana / Secom / TSE
A janela partidária fechou oficialmente neste sábado (4) e deixou um rastro de insatisfação, acordos de última hora, mudanças inesperadas e chapas montadas no limite do prazo. Se na oposição o discurso é de tranquilidade e planejamento, na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) o sentimento predominante é de improviso.
“Virou um salve-se quem puder”, resumiu, em reservado ao Blog do Vila, um parlamentar petista incomodado com a montagem da chapa da Federação Brasil da Esperança.
A poucos meses do início efetivo da corrida eleitoral, os partidos agora entram em uma nova etapa: transformar chapas recheadas de nomes em votos suficientes para atingir as metas traçadas.
A partir desta segunda-feira (6), segundo coordenadores das campanhas, começa a fase final de montagem do quebra-cabeça. Nos próximos dias, devem ser anunciadas oficialmente 100% das nominatas. O retrato final da janela, porém, já está dado: quem soube montar chapa larga saiu na frente.
QUEM ENTROU, QUEM SAIU
Entre os principais reforços da janela partidária, alguns partidos conseguiram atrair nomes de peso e ampliar bastante suas perspectivas.
O Avante foi, sem dúvida, o partido governista que mais cresceu. Já tinha garantido o deputado federal Neto Carletto, eleito pelo PP, e manteve Sargento Isidório. Na Alba, saltou de apenas um deputado estadual eleito em 2022 para seis parlamentares após a janela. Chegaram Felipe Duarte, Laerte do Vando, Luciano Araújo, Soane Galvão e Vítor Azevedo, além da manutenção de Patrick Lopes.
O Republicanos também saiu fortalecido. O partido recebeu o senador Angelo Coronel e todo o seu grupo político: os deputados Diego Coronel (federal) e Angelo Coronel Filho (estadual), bem como os pré-candidatos à Assembleia Thiago Gileno e João de Furão. Também chegaram o deputado federal Leo Prates, a vereadora Roberta Caires e o ex-congressista Luiz Argolo.
Na oposição, o PL ampliou seu espaço na Assembleia com as chegadas de Paulo Câmara e Samuel Júnior, além de nomes como o ex-secretário municipal de Relações Institucionais Igor Dominguez.
O MDB também surpreendeu. Além de manter Ricardo Maia, que era cortejado pela oposição, conseguiu atrair a ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho, o empresário Danilo Henrique e o ex-presidente do Podemos Heber Santana.
Além de perder Leo Prates para o Republicanos, o PDT viu seu único deputado estadual eleito em 2022, Émerson Penalva, migrar para o PP. Ainda precisou liberar Roberta Caires, Débora Santana e Anderson Ninho, ambos no PSDB, para reforçar outras legendas da oposição. Como compensação, filiou os deputados estaduais Raimundinho da JR (ex-PL), Pancadinha (ex-SD) e Marcinho Oliveira (ex-presidente do PRD na Bahia) que, ao lado do ex-prefeito de Euclides da Cunha, Luciano Pinheiro, é considerado o nome mais competitivo.
BASE GOVERNISTA: CONFUSÃO, CIÚMES E CHAPAS LOTADAS
A Federação Brasil da Esperança terminou a janela sob forte tensão. Apesar de os parlamentares deliberarem que ninguém de mandato ingressaria nas siglas, os deputados estaduais Fabíola Mansur (ex-PSB), Antônio Henrique Júnior e Eduardo Salles (ex-PP) entraram no PV. O ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Ângelo Almeida (ex-PSB) ingressou aos 45 minutos do segundo tempo no PT, para grita geral dos petistas. As postulantes ligadas ao MST, Fabya Reis e Lucinha desistiram da disputa. Joseildo Ramos chegou a ameaçar trocar o PT pelo Avante para lembrar que não tem somente a candidatura do assessor do senador Jaques Wagner, Lucas Reis. Ficou, mas ainda admite a possibilidade de abrir mão da candidatura. Já a ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, e a suplente de deputada federal Elisângela Araújo, insatisfeitas, ingressaram no MDB e PSB, respectivamente. "A disputa será fraticida. A montagem foi uma embolação total. Virou um salve-se quem puder", confidenciou um parlamentar petista, em reservado, ao Blog do Vila. Em 2022, o grupo elegeu 10 deputados federais e 17 estaduais e agora tenta repetir a dose.
Principais nomes:
Câmara: Afonso Florence, Alice Portugal, Bacelar, Daniel Almeida, Ivoneide Caetano, Jorge Solla, Joseildo Ramos, Valmir Assunção, Waldenor Pereira, Zé Neto, Lucas Reis, Olívia Santana e Deyvid Bacelar.
Assembleia: Ângelo Almeida, Antônio Henrique, Bobô, Eduardo Salles, Euclides Fernandes, Fabíola Mansur, Fabrício Falcão, Fátima Nunes, Júnior Muniz, Marcelino Galo, André Fidalgo, Marquinho Viana, Neuza Cadore, Osni Cardoso, Radiovaldo Costa, Roberto Carlos, Robinson Almeida, Rosemberg Pinto, Zé Raimundo, Zó, André Fraga e Rowenna Brito.
PSB
Considerado outro grande prejudicado na montagem, o PSB ganhou o deputado federal Mário Negromonte Júnior (ex-PP), o deputado estadual Vítor Bonfim, pré-candidato a federal, e a ex-deputada Elisângela Araújo (ex-PT). Os outros dois nomes competitivos para Brasília são a deputada federal Lídice da Mata, que disputará a reeleição, e o vereador de Salvador Silvio Humberto. Para a Assembleia, perdeu Ângelo Almeida para o PT, Fabiola Mansur para o PV e Soane Galvão (que não será candidata para apoiar o marido e ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre) para o Avante. Aposta em nomes emergentes, como o pugilista Hebert Conceição, medalhista de ouro na Olímpiada de Tóquio 2020, e o advogado e influencer Marinho Soares. Além deles, o ex-deputado federal Tum e o ex-prefeito de Maragogipe Silvio Ataliba (ex-PT) reforçam a chapa estadual. Em 2022 elegeu um federal e dois estaduais e agora cresceu a meta para três federais e manteve a projeção de dois estaduais.
Principais nomes:
Câmara: Elisângela Araújo, Lídice da Mata, Mário Negromonte Jr., Vítor Bonfim e Silvio Humberto.
Assembleia: Tum, Silvio Ataliba, Marinho Soares e Hebert Conceição.
PSD
O partido liderado pelo senador Otto Alencar, perdeu Diego Coronel, na Câmara, mas ganhou Raimundo Costa (ex-Podemos). Na Alba deixou de contar com Angelo Coronel Filho (Republicanos) e Cafu Barreto (União), mas ganhou Ludmila Fiscina (ex-PV) e Niltinho (ex-PP). Ainda conquistou reforço dos pré-candidatos a deputado federal Bebeto Galvão (ex-PSB) e Adriano Lima, ex-prefeito de Serrinha, membros da chamada "rabada dos sonhos". Com a saída do deputado federal Otto Filho para o TCE, a família Alencar será representada por Daniel. Elegeu nove estaduais e seis federais em 2022 e a meta é crescer a bancada em pelos menos uma cadeira nos dois parlamentos.
Principais nomes:
Câmara: Antonio Brito, Charles Fernandes, Daniel Alencar, Gabriel Nunes, Paulo Magalhães, Raimundo Costa, Sérgio Brito, Bebeto Galvão e Adriano Lima.
Assembleia: Débora Menezes, Alex da Piatã, Cláudia Oliveira, Eduardo Alencar, Ivana Bastos, Jusmari Oliveira, Ludmila Fiscina, Marcone Amaral, Niltinho, Ricardo Rodrigues, Andréa Castro e Felipe Santana.
Avante
O Avante foi o partido da base governista que mais se reforçou. Para a Câmara, antes mesmo da janela, ganhou Neto Carletto (eleito pelo PP) e manteve o Pastor Sargento Isidório. Para a Alba, saiu de um deputado estadual eleito em 2022, para seis após a janela partidária. Entraram Felipe Duarte (ex-PP), Laerte do Vando (ex-Podemos), Luciano Araújo (ex-presidente do Solidariedade), Soane Galvão (ex-PSB) e Vitor Azevedo (ex-PL), além de manter Patrick Lopes. Com a pré-candidatura do ex-secretário estadual de Agricultura, Pablo Barrozo, projeta fazer até oito estaduais e três federais.
Principais nomes:
Câmara: Neto Carletto e Sargento Isidório
Assembleia: Felipe Duarte, Laerte do Vando, Luciano Araújo, Patrick Lopes, Mário Alexandre, Vítor Azevedo e Pablo Barrozo.
MDB
Conseguiu surpreender com as chegadas da ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho (ex-PT) e do empresário Danilo Henrique para a Câmara e do ex-presidente do Podemos Heber Santana para a Assembleia. A manutenção do deputado federal Ricardo Maia, que era cortejado pela oposição, também foi considerada surpreendente. Elegeu um federal e dois estaduais em 2022, e projeta fazer três federais — além de Jayme Vieira Lima, sobrinho de Geddel e Lúcio e presidente estadual da legenda, ainda tem a ex-vereadora Lúcia Rocha (de Vitória da Conquista) como grande aposta — e três estaduais (manteve os deputados Matheus Ferreira e Rogério Andrade).
Principais nomes:
Câmara: Ricardo Maia, Jayme Vieira Lima, Moema Gramacho, Danilo Henrique e Lúcia Rocha.
Assembleia: Matheus Ferreira, Rogério Andrade, Heber Santana, Fernando Torres, Carlinhos Sobral e David Rios.
PDT
Quase não consegue montar as nominatas, mas ao fim e ao cabo conseguiu sobreviver. Na Câmara, perdeu Leo Prates (para o Republicanos) e tem como grande objetivo reeleger o seu presidente estadual Félix Mendonça Júnior. Na Assembleia perdeu o único estadual eleito em 2022, Émerson Penalva, para o PP, mas ganhou Raimundinho da JR (ex-PL), Pancadinha (ex-SD) e Marcinho Oliveira (ex-presidente do PRD na Bahia), que ao lado do ex-prefeito de Euclides da Cunha, Luciano Pinheiro, é considerado o nome mais competitivo. Em atendimento ao pedido do prefeito Bruno Reis (União), ainda liberou os vereadores Roberta Caires (Republicanos), Anderson Ninho e Débora Santana (ambos para o PSDB) para reforçar as nominatas de deputados federais da oposição. Manteve apenas Omarzinho Gordilho na Câmara de Salvador. Fontes asseguram que o partido não voltou para o grupo de ACM Neto porque não recebeu garantia de montagem das nominatas.
Principais nomes:
Câmara: Félix Mendonça Jr.
Assembleia: Marcinho Oliveira, Pancadinha, Raimundinho da JR e Luciano Pinheiro.
Podemos / PRD / Solidariedade
Os articuladores do governo não conseguiram a tempo montar as nominatas da Federação PRD-SD e do Podemos, que acabou sob controle do grupo de ACM Neto. O novo presidente da legenda é o ex-deputado federal Marcelo Guimarães Filho, que desistiu de concorrer a um retorno à Câmara para ser suplente de Angelo Coronel ao Senado. Ele terá o desafio de recompor a sigla para as eleições de 2028 e 2030.
OPOSIÇÃO: MENOS DRAMA, MAIS ORGANIZAÇÃO
Ao contrário da base governista, a oposição avalia que conseguiu atravessar a janela sem grandes traumas. Segundo fontes ligadas ao pré-candidato ao governo ACM Neto (União), "não houve dor de cabeça no grupo", pois Neto e Bruno ouviram a todos e contaram com a ajuda dos coordenadores de campanha — o deputado estadual Nelson Leal (PP) e os ex-prefeitos de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho, e de Governador Mangabeira, Marcelo Pedreira. "Ao contrário de 2022, quando Neto e Bruno ficaram sozinhos, agora conseguimos equilibrar bem as nominatas, sem desgastes", disse um aliado. Nas contas do grupo, podem ser eleitos 19 federais e de 24 a 26 estaduais.
PL
Apesar do clima de tranqulidade na oposição, há reclamações de membros do PL, sobretudo os mais ligados ao bolsonarismo. Eles sequer prestigiaram o lançamento da chapa de ACM Neto em Feira de Santana na semana passada, embora tenham o seu presidente estadual, João Roma, confirmado como pré-candidato ao Senado. O partido foi o que mais cresceu proporcionalmente em número de representantes no parlamento, mas aponta riscos para a eleição dos representantes mais ligados ao pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Para a Câmara, além de manter os nomes de Capitão Alden, Jonga Bacelar, do deputado estadual Leandro de Jesus, que tenta chegar a Brasília, e da suplente federal Raíssa Soares, chegou o pré-candidato Abraão Reis, vereador de Lauro de Freitas (ex-Republicanos). Para a Alba, apesar de perder Raimundinho da JR (PDT) e Vítor Azevedo (Avante), chegaram à legenda os deputados estaduais Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Júnior (ex-Republicanos) e ex-secretário municipal de Relações Institucionais Igor Dominguez. Foram mantidos o deputado Diego Castro, que seria o mais prejudicado nas movimentações, e o suplente de vereador da capital Marco Prisco. Em 2022, o partido fez três deputados federais e quatro estaduais e pretende manter a mesma quantidade de parlamentares na Câmara e ampliar para seis cadeiras na Alba.
Principais nomes:
Câmara: Capitão Alden, Jonga Bacelar, Roberta Roma, Leandro de Jesus, Abraão Reis e Raíssa Soares.
Assembleia: Diego Castro, Paulo Câmara, Samuel Júnior, Cezar Leite, Marco Prisco, Igor Dominguez, Jânio Natal Filho, Cinthia Marabá e Tenobio.
REPUBLICANOS
O partido foi turbinado com a chegada do senador Angelo Coronel e seu grupo: os filhos Diego (deputado federal) e Angelo Filho (estadual), além dos pré-candidatos à Alba Thiago Gileno e João de Furão. Para disputa à Câmara, chegaram ainda o deputado federal Leo Prates (ex-PDT), a vereadora Roberta Caires (ex-PDT) e o ex-deputado federal Luiz Argolo, que integrava a base aliada do governo e chegou a negociar com o Avante. Manteve os federais Márcio Marinho, Rogéria Santos e Alex Santana, que não disputará a reeleição, os estaduais José de Arimateia e Jurailton Santos, mas perdeu o deputado estadual Samuel Júnior e o vereador de Lauro de Freitas, pré-candidato ao Congresso Nacional, Abraão Reis, para o PL. Meta de fazer quatro federais e quatro estaduais.
Principais nomes:
Câmara: Diego Coronel, Leo Prates, Márcio Marinho, Rogéria Santos, Roberta Caires (candidatura ainda indefinida) e Luiz Argolo.
Assembleia: Angelo Coronel Filho, José de Arimateia, Jurailton Santos, Thiago Gileno e João de Furão.
UNIÃO/PP
A Federação União Progressistas teve uma troca doméstica, do deputado estadual Marcelinho Veiga, que passou para o PP, ganhou o deputado estadual Cafu Barreto, vindo do PSD, e o marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União), Wagner Alves. Manteve os demais parlamentares estaduais e federais, inclusive Cláudio Cajado (PP), Elmar Nascimento e Júnior Nascimento, ambos do União, que foram assediados pela base do governador Jerônimo Rodrigues. O PP ganhou ainda o deputado estadual Émerson Penalva (ex-PDT). Meta de eleger nove federais e 11 estaduais.
Principais nomes:
Câmara: Arthur Maia, Cláudio Cajado, Dal Barreto, Elmar Nascimento, Cacá Leão, Manuel Rocha, Leur Lomanto Jr., Paulo Azi, Robinho, Jorge Araújo, Sandro Filho e Ditinho.
Assembleia: Cafu Barreto, Hassan, Júnior Nascimento, Dinha Tolentino, Luciano Simões Filho, Marcelinho Veiga, Pedro Tavares, Penalva, Sandro Régis, Wagner Alves, Marcelle Moraes e Paulo Magalhães Jr.
PSDB
Inicialmente com uma formulação turbulenta, inclusive com ameaça de saída do presidente da Câmara de Salvador Carlos Muniz, em função da não garantia da eleição de seu filho a deputado federal, o partido tucano também foi reforçado. Perdeu apenas o deputado estadual Paulo Câmara (foi para o PL) e ingressaram os vereadores Duda Sanches (ex-União), Maurício Trindade (ex-PP) e Débora Santana (ex-PDT) — todos para federal —, bem como Anderson Ninho (ex-PDT) e o ex-presidente da Câmara de Camaçari Flávio Matos, ambos para estadual. Uma baixa foi a retirada da candidatura a federal do vice-prefeito de Feira de Santana Pablo Roberto, que decidiu permanecer no município. A meta é de eleger três federais e três estaduais.
Principais nomes
Câmara: Adolfo Viana, Carlos Muniz Filho, Cris Correia (candidatura ainda indefinida), Débora Santana, Duda Sanches e Maurício Trindade.
Assembleia: Jordávio Ramos, Tiago Correia, Flávio Matos e Anderson Ninho.
Outros
Novo
Principal nome: Alexandre Aleluia (pré-candidato a deputado federal).
PSOL
Principais nomes:
Câmara: Eliete Paraguassu e Hamilton Assis.
Assembleia: Hilton Coelho e Kléber Rosa.

