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Ausência de deputados expõe desgaste na Alba e Osni cobra presença da base: 'Não tem sentido não ter quórum'
Ausência de deputados expõe desgaste na Alba e Osni cobra presença da base: 'Não tem sentido não ter quórum'
Parlamentar do PT critica adiamento de votação do reajuste dos professores, defende pacto para garantir produtividade da Assembleia e revela incômodo com entrada de novos nomes na federação
Por Evilásio Júnior
16/04/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
A falta de quórum na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), que impediu a votação do reajuste salarial dos professores da rede estadual, provocou críticas até mesmo dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
De volta ao mandato após passagem pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, o deputado estadual Osni Cardoso (PT) afirmou, em entrevista à CBN Salvador, que houve falha dos próprios integrantes da ala governista e defendeu um pacto para garantir a produtividade da Casa no período eleitoral.
O projeto enviado pelo governo prevê reajuste de 3,3% para os professores da rede estadual, o que colocaria os salários da categoria cerca de 2% acima do piso nacional. Apesar disso, a sessão foi encerrada sem votação por falta de quórum.
Na avaliação do petista, a ausência de parlamentares em uma pauta considerada consensual e positiva não faz sentido.
“Terça-feira já está registrado como dia de votação. Então não tem porquê não estar presente, não tem porquê não ter quórum. Não tinha motivação nenhuma de não ter gente para passar por esse ponto. Por que atrasar uma votação tão importante como essa?”, criticou.
Osni reconheceu que a oposição pode recorrer à obstrução como estratégia política, mas avaliou que a pauta dos professores não justificava tal movimento.
“Como é que eu fico obstruindo a votação para dar um aumento real ao servidor público? Acho um erro, mas é a opção deles. Agora, os deputados todos têm que estar ali. Eu mesmo não falto, só se for questão de saúde ou família”, afirmou.
Nos bastidores da Alba, há uma discussão sobre repetir um acordo semelhante ao firmado em 2006, na gestão do então presidente Clóvis Ferraz, quando governo e oposição se comprometeram a manter um número mínimo de deputados em plenário para evitar paralisações.
O parlamentar disse apoiar uma articulação semelhante nos dias atuais.
“Dá para a gente fazer dois dias completos ali e depois viajar para o interior. Não atrapalha ninguém, não tira voto de ninguém. Se todo mundo estiver ali, a corrida pelo voto vai estar igual para todos”, pontuou.
O deputado também saiu em defesa da presidente da Alba, a deputada estadual Ivana Bastos (PSD), que ficou irritada com o fracasso da sessão.
“Ela está lá de manhã, vai para as comissões, atende o interior, volta, se divide. Tem deputados muito frequentes na Casa, mas tem algumas pessoas que realmente não comparecem. Isso é muito ruim”, declarou.
PT convive com “intubação” após entrada de novos deputados
Na entrevista, Osni também comentou o clima dentro da federação formada por PT, PV e PCdoB após a chegada de parlamentares de outros partidos durante a janela partidária.
O deputado admitiu que há insatisfação interna, especialmente porque havia um acordo para não receber nomes com mandato, compromisso que acabou rompido com as entradas de Fabíola Mansur, Eduardo Salles, Antônio Henrique Júnior e Ângelo Almeida.
“A galera ficou intubada de última hora. No PT tem uma tradição: não venha por cima que vai ter sempre quem reclame com razão. Tem que vir construindo”, disse.
Mesmo assim, Osni avaliou que o impacto eleitoral pode ser menor do que em eleições passadas.
“Foi pior há quatro anos, porque a gente recebeu seis e os seis se elegeram. Nessa foram quatro. Na minha opinião, dois têm uma cadeira mais fácil e dois disputam por igual com os outros”, analisou.
Para ele, os mais consolidados entre os recém-chegados são Eduardo Salles e Ângelo Almeida.
Osni critica modelo de financiamento de campanha
Outro ponto abordado pelo parlamentar foi o financiamento público de campanha. Apesar de já ter sido defensor do modelo, Osni afirmou que passou a rever sua posição diante do aumento dos custos eleitorais e da desigualdade na distribuição dos recursos.
“Na teoria era lindo. Na prática se tornou uma coisa inviável. Está controlado por alguns internamente. Às vezes você joga na mão de determinado deputado um volume maior e protege um, enquanto descobre outros”, afirmou.
Segundo ele, o custo de uma campanha hoje é incompatível com a realidade da maioria dos candidatos.
“Quatro anos atrás eu recebi R$ 141 mil e não consegui pagar os papéis, que me custaram R$ 600 mil. Só de santinho. As campanhas são muito caras”, relatou.
O deputado ainda afirmou que muitos políticos acabam por se endividar para disputar eleições.
“Tem deputado até hoje com dívida, pagando conta. E aí acaba ficando na mão de determinados grupos e interesses”, declarou.
“Não existe isso de não gostar de política”
Ao longo da entrevista, Osni fez uma defesa enfática da participação popular no debate público e criticou o discurso de quem diz não gostar de política.
O petista alertou para o risco da abstenção eleitoral e para o fortalecimento da polarização.
“Quem deixa de participar está entregando a decisão para os outros. Depois reclama que o SUS não funciona, que não tem tratamento, que não tem obra. Mas isso tudo passa pela política”, concluiu.

