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Roma fala em 'abrir mão de protagonismo para fortalecer aliança' contra o PT e vê ‘relação azedada’ de Coronel com governo
Roma fala em 'abrir mão de protagonismo para fortalecer aliança' contra o PT e vê ‘relação azedada’ de Coronel com governo
Presidente do PL na Bahia afirma que chapa avulsa não tem sustentação política, sugere mudança partidária de senador e admite que alianças exigirão renúncias para fortalecer oposição
Por Evilásio Júnior
28/01/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
O ex-ministro da Cidadania e presidente do PL na Bahia, João Roma, avaliou, em entrevista à rádio CBN Salvador, que a possível candidatura avulsa do senador Angelo Coronel (PSD) ao Senado é politicamente frágil e pode empurraR o parlamentar para uma mudança de partido como forma de viabilizar sua reeleição.
Para o dirigente, embora a engenharia jurídica permita esse tipo de movimento, falta sustentação política e capacidade de mobilização popular fora de uma chapa majoritária estruturada.
“É possível burocraticamente, mas não tem aderência política. É muito difícil explicar isso para a população. Chapas avulsas eu acho que prejudicariam o próprio Coronel”, afirmou.
Prazo de abril é decisivo
Roma ressaltou que o dia 4 de abril, prazo para desincompatibilização e filiações partidárias, será um divisor de águas para o senador do PSD.
“Ou o senador Angelo Coronel vai se submeter a toda essa agressão que estão fazendo em relação a ele, ou ele de fato vai seguir um novo caminho, inclusive partidário, para buscar viabilizar seu legítimo interesse”, disse.
Segundo o dirigente do PL, ao permanecer no PSD após o prazo, Coronel ficaria ainda mais dependente da estrutura comandada por Otto Alencar. “Quem domina é a estrutura partidária. O comando do partido aqui está na mão de Otto Alencar. Isso se decide nas convenções de julho”, pontuou. “Essa relação já azedou. Ele está sendo alijado, preterido, atacado por aqueles que ajudou a colocar no poder”, completou o ex-ministro.
PL aberto a composições e sem imposições
Questionado sobre o papel do PL na formação da chapa de oposição, Roma adotou discurso conciliador e disse que o partido está disposto a abrir mão de protagonismo para fortalecer a aliança contra o PT.
“Quem quer apoio, dá apoio. Para construir uma majoritária, muitos vão ter que abrir mão de várias coisas. O PL é o primeiro que está disposto a construir esse processo”, declarou.
Ele também minimizou especulações sobre e que a sua esposa, a deputada federal Roberta Roma, seria indicada para a vaga de vice. “Roberta atua hoje para sua reeleição. Muitas equações podem germinar, mas não há imposição. O PL não impõe nada”, disse.
Roma evita cravar Senado e reforça apoio a ACM Neto
Apesar de admitir que aparece bem posicionado em pesquisas para o Senado, Roma evitou confirmar uma candidatura específica e reforçou que seu foco é a construção de uma chapa forte com ACM Neto.
“Hoje ACM Neto está muito melhor posicionado do que Roma. As pesquisas mostram isso. Então, se é isso, nós estamos juntos”, afirmou.
Roma também rejeitou a tese de que parte do bolsonarismo poderia abandonar o ex-prefeito de Salvador, caso o PL não esteja formalmente na chapa majoritária.
“A direita não vai votar na chapa do PT. Não vai. O voto útil já aconteceu na última eleição e tende a se repetir”, cogitou.
Críticas internas no PL e disputa por protagonismo
O presidente estadual do PL minimizou ainda as críticas públicas feitas por deputados do próprio partido, como Leandro de Jesus, Capitão Alden e Diego Castro, ao classificar o cenário como parte do crescimento da legenda.
“Vejo isso como musculatura partidária. A política é disputa por poder. Muitas vezes essa disputa ocorre mais no ambiente interno”, avaliou.
Roma também comparou a situação com os conflitos internos no PT, ao citar tensões entre os dois prováveis postulantes ao Senado na chapa encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues: “Não é surpresa para ninguém que tanto o Rui Costa quanto o Jaques Wagner um fica batendo cabeça com o outro, atualmente é muito claro isso. O que ocorre é o seguinte: a política baiana sabe que há uma disputa interna ferrenha entre Wagner e Rui. É natural também: são 20 anos de ocupação de poder, aí um já se sente preterido em relação ao outro, mas já há um ambiente muito árido internamente”.
Presidencial: Flávio Bolsonaro e alianças abertas
Sobre o cenário nacional, Roma reafirmou apoio do PL a Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência, mas evitou cravar como isso se dará na prática em palanques estaduais, diante da aproximação de ACM Neto com outros nomes da centro-direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Júnior.
“Meu candidato é Flávio Bolsonaro. Mas tem muita água para passar debaixo da ponte até as convenções”, projetou.

