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Rowenna admite 'ciúmes' no PT e nega ter instituído aprovação automática: 'Quem não frequenta não tem direito'

Rowenna admite 'ciúmes' no PT e nega ter instituído aprovação automática: 'Quem não frequenta não tem direito'

Deputada estadual eleita com 137,2 mil votos afirma que candidatura ajudou a ampliar bancada petista e diz que não descarta voltar ao Executivo

Por Evilásio Júnior

07/10/2026 às 13:59

Foto: Evilásio Júnior

Eleita deputada estadual pelo PT com 137.266 votos, a ex-secretária da Educação da Bahia Rowenna Brito admitiu que sua candidatura provocou “ciúmes” dentro do próprio partido durante a campanha eleitoral. Em entrevista à CBN Salvador, a futura parlamentar disse que chegou a perceber resistência de integrantes da legenda, mas avaliou que o resultado das urnas comprovou que a estratégia adotada pelo grupo estava correta.

Na avaliação da petista, a candidatura tinha como objetivo ampliar a bancada do PT na Assembleia Legislativa da Bahia e buscar votos em segmentos que, segundo ela, tradicionalmente não estavam entre os principais eleitores dos deputados petistas.

Ao todo, a Federação Brasil da Esperança elegeu 20 representantes, dos quais 14 do PT, três do PV e três do PCdoB.

“Óbvio que quando tem um novo nome no cenário da política, inquieta. E não é só na política, em qualquer lugar eu acho que isso acaba inquietando. Sobretudo se for mulher”, considerou.

A deputada eleita, no entanto, foi mais direta ao comentar a relação interna durante a campanha: “A coisa dos ciúmes, ciúme tem em todo lugar, de todo jeito, mas está tudo certo”. 

PT ampliou bancada na Assembleia

Rowenna afirmou que o resultado eleitoral demonstrou que sua candidatura cumpriu o objetivo estabelecido pelo partido.

Ela citou a eleição de cinco novos nomes  — ela própria, Vilma Reis, Júlio Pinheiro, Juvenilson Passos e Tagner — para a bancada petista na Alba e afirmou que sua candidatura buscou atingir principalmente jovens e parte do eleitorado feminino.

“A nossa estratégia era essa. Eu ser candidata ajudava a gente a aumentar a bancada. Foi isso. A nossa estratégia era essa”, afirmou.

Para Rowenna, o desempenho eleitoral demonstra que a estratégia de apresentar um nome novo funcionou.

“Nossa ideia era que eu conseguisse buscar votos que a bancada não tinha a capacidade de buscar esses votos. Os votos da juventude, por exemplo, os votos de uma parte das mulheres”, enfatizou.

“Não tem aprovação automática” na rede estadual

Ex-secretária da Educação, Rowenna também foi questionada sobre uma das principais polêmicas de sua gestão: as regras de progressão dos estudantes da rede estadual e as críticas de professores que apontam a existência, na prática, de uma aprovação automática.

Ela negou ter instituído o procedimento na Bahia e explicou que o modelo adotado pelo Estado está relacionado à recomposição da aprendizagem, especialmente dos estudantes prejudicados pela pandemia.

“Então não tem aprovação automática na Bahia. Qual é o desafio? É a gente aproximar essa aprendizagem para garantir que o estudante acesse a universidade”, declarou.

Conforme a deputada eleita, estudantes que não tiveram aprendizagem satisfatória durante determinado período podem continuar os estudos enquanto passam por um processo de recomposição.

Ela ressaltou, entretanto, que o estudante que não frequenta a escola não tem direito à aprovação.

Educação como marca do mandato

Rowenna afirmou que pretende levar para a Assembleia Legislativa uma atuação diretamente relacionada à educação. Professora da rede estadual e servidora pública concursada, ela disse que deseja retornar à sala de aula no futuro e encontrar uma escola melhor do que aquela que deixou.

“Eu quero voltar para uma sala de aula melhor do que a que eu deixei. Eu quero voltar para uma escola melhor do que a escola que eu deixei”, disse.

A deputada também defendeu a ampliação das escolas de tempo integral e destacou a importância de políticas públicas complementares, como alimentação escolar.

Segundo ela, a escola precisa ser vista dentro de um contexto social mais amplo, já que problemas como fome, evasão e vulnerabilidade interferem diretamente na aprendizagem.

“Sou fruto da política pública do presidente Lula”

Durante a entrevista, Rowenna também contou parte de sua trajetória pessoal e atribuiu sua formação acadêmica a políticas públicas implementadas durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Natural de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, ela afirmou ter sido a primeira pessoa da família a cursar uma universidade pública e relatou que conseguiu permanecer em Salvador durante a graduação graças a uma bolsa do programa Permanecer.

“Eu sou fruto da política pública do presidente Lula. Eu sou do interior da Bahia, eu sou a primeira da minha família a ter feito faculdade pública”, relatou.

A experiência, segundo ela, influencia sua defesa da manutenção de programas sociais e educacionais.

À disposição de Jerônimo para novo desafio

Questionada sobre a possibilidade de deixar a Assembleia Legislativa caso seja convidada pelo governador Jerônimo Rodrigues para retornar ao Executivo, Rowenna afirmou que está à disposição do projeto político, mas disse que não tratou com o governador sobre eventual convite para uma secretaria.

“Eu sou uma mulher de projeto, gente. Eu não sou individual, eu não sou sozinha”, afirmou.

De acordo com a deputada eleita, caso o grupo político entenda que sua participação em outro espaço seja importante, ela estará disponível.

“Se o nosso projeto entender que é importante que eu ajude em outro lugar, a minha tarefa é ajudar o povo da Bahia”, salientou.

Apesar disso, Rowenna afirmou que, neste momento, seu foco está na campanha pela reeleição de Lula e que ainda não parou sequer para comemorar a votação obtida.

“Eu não parei nem para comemorar ainda os nossos 137.266 votos. E não consegui fazer isso porque eu estou focada na reeleição do presidente Lula”, explicou.

“O erro foi na comunicação”

Ao avaliar o desempenho de Lula no primeiro turno, Rowenna apontou a comunicação como uma das principais dificuldades enfrentadas pelo campo governista. 

Para ela, é necessário ampliar o diálogo com eleitores que não estão necessariamente alinhados ao PT e utilizar de forma mais eficiente as redes sociais e os diferentes meios de comunicação.

“Nós temos que comunicar com as pessoas, nós precisamos falar a verdade olhando nos olhos das pessoas. A comunicação tem que ser ampla. Tem que levar a verdade”, avaliou.

Nos bastidores, petistas têm culpado o ministro das Comunicações, o baiano Sidônio Palmeira, pelo segundo lugar obtido nas urnas.

Com 137.266 votos, Rowenna Brito chega à Assembleia Legislativa como a terceira deputada estadual mais votada da Bahia, atrás apenas da atual presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), e do oposicionista Diego Castro (PL).

Confira a entrevista na íntegra:

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