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PF mira Jaques Wagner e Augusto Lima em operação que investiga esquema bilionário ligado ao Banco Master
PF mira Jaques Wagner e Augusto Lima em operação que investiga esquema bilionário ligado ao Banco Master
Líder do governo Lula no Senado é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero; investigadores apuram supostas vantagens indevidas em troca de atuação parlamentar favorável a interesses do banco
Por Redação
18/06/2026 às 07:14

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal, está entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18). A investigação apura a suposta participação de agentes públicos em irregularidades que envolvem instituições financeiras ligadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, inclusive na residência do parlamentar petista, no Distrito Federal, no hotel onde ele mora, e em São Paulo. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram determinadas medidas cautelares, como a proibição de contato entre os investigados e a suspensão de passaportes.
Além de Wagner, a operação tem como alvo o banqueiro Augusto Ferreira Lima, apontado pelos investigadores como aliado de Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição liquidada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. O empresário já havia sido alcançado pela primeira fase da Compliance Zero e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica.
Também são alvos de busca Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, que é pai de Eduardo.
Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na sede do Instituto Terra Firme, na capital baiana. A instituição tem como um dos fundadores justamente Augusto Lima. Ainda foram cumpridas ações de busca e apreensão no apartamento de Jaques Wagner, no Corredor da Vitória.
O foco principal desta etapa da investigação é a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima. A Polícia Federal apura se o senador teria atuado em favor de projetos de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre eles a chamada “Emenda Master” e uma proposta de ampliação do limite do crédito consignado.
Em contrapartida, os investigadores suspeitam que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento, repasses que somariam R$ 3,5 milhões por meio de empresa ligada a familiares, além da utilização de aeronaves e ingressos para eventos e shows.
As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas no celular de Lima durante fases anteriores da operação. Até a publicação desta reportagem, a assessoria de Wagner não havia se manifestado sobre o caso.
Mensagens indicam negociação de apartamento para senador, diz PF
De acordo com a nova fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apura suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) receberia um apartamento de luxo em Salvador como contrapartida por supostas ações em favor de interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima. Segundo os investigadores, diálogos e outros elementos coletados ao longo da apuração apontam para a existência da negociação.
O imóvel citado pela PF fica no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas da capital baiana. Conforme a investigação, a unidade destinada ao senador estaria localizada no 17º andar e teria valor estimado em R$ 2,5 milhões. O apartamento possui cerca de 200 metros quadrados, quatro suítes e integra um condomínio de alto padrão com infraestrutura de lazer e serviços.

Foto: Reprodução / Moura Dubeux
Esquema bilionário
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça relacionado ao Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Deflagrada inicialmente em novembro de 2025, a investigação teve origem em indícios de emissão de títulos sem garantias suficientes para atrair investidores com promessas de rentabilidade acima da média do mercado. À época, a Polícia Federal estimou um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões.
Os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Defesa de Augusto Lima
A defesa do ex-banqueiro Augusto Lima negou qualquer envolvimento em irregularidade em nota enviada à imprensa:
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."

