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'Sou adversário e penso diferente dele. O que ele faz na minha cidade eu não concordo e não vou concordar', diz Zé Neto sobre José Ronaldo
'Sou adversário e penso diferente dele. O que ele faz na minha cidade eu não concordo e não vou concordar', diz Zé Neto sobre José Ronaldo
Deputado do PT nega participar de articulação política para atrair prefeito de Feira para a base governista, mas diz ver com “bons olhos” aproximação institucional
Por Evilásio Júnior
07/01/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
O deputado federal Zé Neto (PT), vice-líder do governo Lula na Câmara, reconheceu avanços na relação institucional entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas afirmou não acreditar, neste momento, em uma mudança política concreta do seu principal adversário histórico para a base governista.
Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar deixou claro que a aproximação existente hoje tem caráter administrativo e beneficia a cidade, mas não representa, necessariamente, um reposicionamento político. “Eu gosto do que está acontecendo no sentido de que pelo menos minhas emendas estão chegando na cidade”, afirmou.
O petista lembrou que, em períodos anteriores, recursos indicados por ele se perderam por falta de diálogo institucional. “Eu botava emendas na cidade e perdi mais de um milhão de reais. Agora tem quadra sendo feita e posto de saúde sendo planejado”, destacou, ao citar ações em andamento.
Apesar disso, Zé Neto fez questão de marcar posição política. “Eu sou adversário dele. Eu penso diferente dele. O que ele faz na minha cidade eu não concordo e não vou concordar”, avisou, ao reforçar que continua na oposição ao prefeito.
Sobre as especulações de que José Ronaldo estaria prestes a aderir ao projeto do governador Jerônimo Rodrigues, o deputado foi cauteloso. “Se ele está vindo para o projeto da gente, ele está dizendo que o projeto de Jerônimo é melhor do que o de lá. Mas ele não disse isso”, observou.
O congressista avaliou que o movimento feito até agora é meramente republicano. “Ele se aproximou institucionalmente e isso é positivo. A gente gosta disso porque trata todo mundo bem”, afirmou, ao citar a postura do governador Jerônimo, do presidente Lula e do senador Jaques Wagner.
Questionado se a aproximação é positiva para ele, o deputado respondeu que, do ponto de vista administrativo, sim. “Para fluir melhor as relações institucionais e chegar mais coisa para o povo, é bom”, ponderou. Politicamente, no entanto, evitou criar expectativas.
O petista também lembrou que José Ronaldo enfrentou momentos de desgaste dentro do próprio grupo liderado por ACM Neto, especialmente após 2022, mas não rompeu. “Se ele não saiu de lá no pior momento, que foi uma humilhação profunda, não foi por falta de empurrão”, afirmou, ao sugerir que uma eventual saída provocaria um racha interno significativo.
Sobre sua participação em eventuais articulações, Zé Neto foi direto: “Eu não participo de nenhuma. Eu não sei em que pé está. Eu vejo com serenidade, mas não participei”.
Ao ser provocado a dar uma nota de zero a dez sobre a chance de José Ronaldo repetir o caminho de aliados que migraram para a base governista, como seu colega de Câmara Bacelar (PV), o deputado se esquivou. “Eu não tenho elementos sobre isso. Eu não posso dizer uma coisa que eu não estou participando”, disse.
No fim, em tom bem-humorado, resumiu sua posição. “Tá bom, eu estou em cima do muro”, admitiu, sem deixar de alfinetar: “Eu quero que ele continue deixando a gente trabalhar e conversando com o governo, porque isso ele não fazia”.
Zé Neto foi candidato a prefeito de Feira nos anos de 1996, 2004, 2012, 2016, 2020 e 2024, com seis derrotas, quatro delas para o próprio Zé Ronaldo.

