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Alice Portugal defende frente ampla na Bahia e explica por que Ângela e Augusto ficaram fora da disputa em 2026
Alice Portugal defende frente ampla na Bahia e explica por que Ângela e Augusto ficaram fora da disputa em 2026
Deputada diz que manutenção da aliança com o PSD é “necessária” e afirma que decisões internas do PCdoB sobre candidaturas passaram por limites estruturais e escolhas estratégicas
Por Evilásio Júnior
24/11/2025 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) defendeu, em entrevista à CBN Salvador, a preservação da frente ampla que sustenta o governo Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia.
De acordo com a parlamentar, o alinhamento entre os partidos da base “precisa ser tratado com zelo” para evitar rupturas no processo eleitoral de 2026. Especialmente diante das discussões sobre uma eventual chapa puro-sangue petista ao Senado, com o atual congressista Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil Rui Costa, o que excluiria a chance de Angelo Coronel (PSD) disputar a reeleição.
Alice destacou que o presidente da legenda, o senador Otto Alencar, tem sido “correto e fiel” e qualquer definição sobre as candidaturas passa necessariamente pela manutenção da coalizão. “Não podemos abrir mão de nenhum ator desse processo”, reforçou.
Por que o PCdoB terá poucos candidatos?
Ao ser questionada sobre a renovação defendida pelo presidente Lula e o fato de o PCdoB lançar apenas três nomes para a Câmara e dez para a Assembleia, Alice justificou que o partido opera dentro de suas limitações financeiras e estruturais.
Ela explicou que o fundo eleitoral da sigla é proporcional ao desempenho na eleição anterior e que, por ter elegido apenas seis deputados federais em 2022, o PCdoB não tem “musculatura” para montar chapas extensas.
A decisão, segundo ela, não é para “eternizar” velhos quadros, mas para evitar que candidaturas internas se anulem mutuamente dentro da federação.
Ângela Guimarães e Augusto Vasconcelos: por que não serão candidatos
Alice também esclareceu por que nomes considerados promissores da sigla, como Ângela Guimarães e Augusto Vasconcelos, ficaram fora da disputa de 2026.
Segundo a deputada, a secretária de Promoção da Igualdade Racial contava com “grande vontade coletiva” de se candidatar a deputada estadual, mas questões relacionadas à sua base política impediram o avanço do projeto. “Lamento, porque é uma intelectual qualificada, uma secretária maravilhosa. Adoraria tê-la como deputada estadual”, afirmou.
No caso de Augusto Vasconcelos, a parlamentar revelou que sua candidatura a federal chegou a ser cogitada. Mas a nomeação de Davidson Magalhães para ocupar um posto em uma organização social federal abriu espaço para que o vereador de Salvador assumisse a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte. “A opção foi por Olivia Santana como candidata federal. Não houve conflito”, disse.
Cálculo eleitoral e defesa da aliança
Alice reforçou que a lógica eleitoral impôs escolhas duras ao partido. Para manter e ampliar a bancada federal, o PCdoB aposta em três nomes já bem posicionados — ela própria, Daniel Almeida e Olivia Santana — e espera repetir um cenário já alcançado no passado. “A renovação não é só idade. É expressão, energia e produtividade parlamentar”, disse.
Ao final da entrevista, a deputada sublinhou que a discussão sobre a chapa majoritária está apenas no início, mas que sua posição é clara: a frente ampla precisa ser preservada. “Temos que conversar com todas as forças políticas”, concluiu.

