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Fabíola Mansur admite cálculo eleitoral, mantém desejo de ficar no PSB, mas revela conversas com Avante
Fabíola Mansur admite cálculo eleitoral, mantém desejo de ficar no PSB, mas revela conversas com Avante
Deputada reconhece dificuldade da chapa socialista, diz que faz contas para manter o mandato e condiciona futuro à saída de Soane Galvão e ao apoio direto do governador Jerônimo Rodrigues
Por Evilásio Júnior
15/01/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
A deputada estadual Fabíola Mansur admitiu, em entrevista à CBN Salvador, que faz cálculo eleitoral para tentar manter o mandato em 2026 diante do cenário considerado por ela mesma como “muito difícil” dentro do PSB. Apesar de reafirmar o desejo de permanecer no partido, a parlamentar confirmou haver conversas com o Avante e outras legendas como alternativa.
“Se eu disser que não estou fazendo cálculo, eu estou mentindo. Eu quero manter meu mandato de deputada estadual”, afirmou.
O pano de fundo da disputa é a formação da chapa socialista, que deve reunir ao menos oito candidatos competitivos para uma projeção interna entre quatro e seis vagas na Assembleia Legislativa. A conta inclui tanto quadros históricos do PSB quanto os quatro deputados oriundos do PP — Hassan, Eduardo Salles, Antônio Henrique Júnior e Niltinho — que devem migrar para a sigla por alinhamento à base do governador Jerônimo Rodrigues.
Fabíola rebateu a avaliação de que os novos filiados seriam “enxertados” sem identidade partidária. Segundo ela, embora o PP não dialogue nacionalmente com o PSB, o quarteto atua de forma convergente no plano estadual.
“Eles são dissidentes do PP e são base do governador. Nos principais temas, têm tudo a ver com o PSB”, disse, ao citar pautas como saúde, municipalismo, agricultura familiar, educação e políticas para o interior.
O futuro da parlamentar, no entanto, passa diretamente por uma equação administrativa. Caso Soane Galvão, que não disputará a reeleição, assuma a Secretaria de Políticas para as Mulheres, Fabíola permaneceria no mandato até o fim da legislatura. O problema é que a pasta é hoje comandada por Neusa Cadore (PT), e o Partido dos Trabalhadores resiste em abrir mão do espaço.
“Isso depende do governador, em virtude de Soane não ser candidata. A gente está dialogando, mas ainda não há definição”, afirmou.
Além disso, o PSB trabalha com a possibilidade de filiação do ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre, o Marão, para ocupar o espaço político deixado por Soane, sua esposa. Além dele, a legenda ainda abriga nomes como Ângelo Almeida, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, e Ademar Lopes, ligado ao prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT).
Ao fazer um paralelo com a eleição de 2022, Fabíola lembrou o caso do PSD, que formou uma bancada de nove representantes na Alba a partir de puxadores de voto e contrariou o temor inicial de candidatos com votação média.
“Às vezes, você está em um partido pequeno e diminui suas chances. Quando tem puxador de voto, termina elegendo mais deputados”, avaliou, ao lembrar que teve 58 mil votos pelo PSB e ficou fora naquele pleito.
Mesmo com a reafirmação de sua ligação histórica com o partido — são 17 anos de filiação —, a deputada deixou claro que não repetirá um erro estratégico. “A minha vontade é permanecer no PSB, mas eu vou fazer cálculo, sim”, reforçou.
No contexto, o Avante surge como opção real, sobretudo pela relação política com Elmo Vaz, ex-prefeito de Irecê e hoje filiado à legenda. “Tem convite do Avante, tem convite de outros partidos”, admitiu.
O prazo para definição vai até 31 de março. Até lá, Fabíola diz manter diálogo com o governador, com a presidente do PSB, Lídice da Mata, com os deputados que ingressam na sigla e com o secretário Ângelo Almeida. No fim das contas, espera um gesto político decisivo. “Claro que eu preciso dessa ajuda do governador, de pegar no braço e dizer: essa daqui merece”, intimou.

