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Girão afirma que chapa do Novo pretende 'passar o país a limpo' e promete levar investigação do Banco Master à Presidência
Girão afirma que chapa do Novo pretende 'passar o país a limpo' e promete levar investigação do Banco Master à Presidência
Pré-candidato a vice na chapa de Romeu Zema, senador cearense afirma que abrirá espaço para apuração sobre venda da Ebal, critica blindagem em Brasília e aposta em candidatura como alternativa à polarização
Por Evilásio Júnior
07/08/2026 às 06:00

Foto: Marcos Oliveira /Agência Senado
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que, se eleito, pretende aprofundar as investigações sobre o Banco Master.
Ele sustenta que a origem do caso está na Bahia, a partir da desestatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018. A declaração foi dada em entrevista à CBN Salvador, na qual o parlamentar também defendeu a candidatura da chapa do Novo como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Questionado sobre o levantamento apresentado feito pelo Blog do Vila, que aponta a venda da Ebal por R$ 15 milhões e a permanência de parte do passivo sob responsabilidade do Estado, Girão afirmou que os fatos reforçam a necessidade de uma investigação parlamentar sobre o Banco Master.
"O ovo da serpente foi exatamente no Nordeste e na Bahia dessa maior fraude do sistema financeiro do planeta", apontou o senador sobre a expansão do CredCesta a partir da entrada do banqueiro Daniel Vorcaro no negócio.
De acordo com o postulante cearense, o Novo foi a única legenda a acionar o Conselho de Ética do Congresso contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) em razão das denúncias de envolvimento com o caso. O parlamentar voltou a acusar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de impedir o avanço da investigação.
"O Davi Alcolumbre segura, mata no peito. Eu tive que acionar o STF", declarou, ao afirmar que já reuniu 53 assinaturas para instalação de uma CPI sobre o escândalo apurado na Operação Compliance Zero.
Críticas ao governo Lula
Ao longo da entrevista, Girão ampliou o discurso para críticas ao governo federal. O senador citou o caso da compra dos respiradores pelo Consórcio Nordeste, presidido à época pelo candidato do PT ao Senado, Rui Costa, voltou a mencionar a CPMI do INSS e afirmou que o Brasil vive uma "crise moral sem precedentes".
"Vocês lembram do caso dos respiradores, que foram comprados 49 milhões de reais, cash, dinheiro na frente. Esse dinheiro evaporou. E a Bahia foi o epicentro do escândalo. Esse dinheiro foi para a indústria da maconha. Sim, da droga da maconha. Teve nordestino que deve ter morrido porque esses respiradores nunca chegaram. E uma parte desse dinheiro foi parar sabe onde? Lá em Araraquara, a terra do presidente do PT, Edinho Silva, que era o prefeito da cidade na época. O Consórcio do Nordeste é um escândalo que fica o Flávio Dino jogando a bola para o STJ, o STJ joga a bola para o STF", acusou.
Na avaliação do parlamentar, a chapa formada por Romeu Zema e ele próprio teria condições de "passar o país a limpo" e enfrentar interesses consolidados em Brasília.
Estratégia de campanha
Sem tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão por causa da cláusula de desempenho não atingida pelo Novo, Girão disse acreditar que a campanha poderá repetir o desempenho obtido por Romeu Zema em Minas Gerais, quando venceu a eleição para governador mesmo com pouca exposição na mídia tradicional.
O senador afirmou que a aposta da campanha estará nos debates e no contato direto com o eleitor.
"Nos debates, o Zema vai surpreender", apostou.
Segundo ele, a candidatura pretende se apresentar como uma alternativa à polarização nacional.
"Primeiro turno é exatamente para a gente se sintonizar com aquele candidato que tem mais afinidade de propostas, de valores e de princípios. O segundo turno, geralmente, é por exclusão", considerou.
Disputa no Ceará
Com a retirada do nome do páreo, Eduardo Girão vai apoiar a candidatura de Pedro Brito (Novo), que era seu vice na pré-campanha, para a disputa pelo Governo do Ceará. A chapa "puro sangue" terá ainda Vera Lúcia na vice e o General Theophilo para o Senado.
"Nós não vamos apoiar nem o PT e nem quem colocou o PT no poder, que é o Ciro Gomes, que quer voltar agora aí com o apoio do PL, esse acordão indecoroso", criticou.

