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Aliado do PT, Isidório diz que não teria filiado Binho Galinha ao Avante e defende CPI sobre venda da Ebal

Aliado do PT, Isidório diz que não teria filiado Binho Galinha ao Avante e defende CPI sobre venda da Ebal

Deputado afirma confiar em Rui Costa e Jaques Wagner, mas diz que "quem não deve, não teme" ao comentar revelações sobre a antiga Cesta do Povo

Por Evilásio Júnior

21/07/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior

Aliado histórico do PT na Bahia, o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) afirmou que não teria abonado a filiação do deputado estadual Binho Galinha, preso e investigado por organização criminosa, homicídios, tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e constituição de milícia.

Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar, que já presidiu o partido no estado, disse que respeita a presunção de inocência, mas admitiu que, se dependesse dele, a filiação não teria ocorrido.

"Eu não iria fazer isso. Se eu não filiaria, é um direito meu discutir as coisas. Como é que eu vou pegar alguém quando está pesando alguma coisa contra ele? Eu tenho que orar por ele, como por qualquer pessoa, mas eu não faria isso", admitiu.

Binho Galinha foi filiado ao Avante em janeiro deste ano, quando já estava preso no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

Apesar da posição pessoal, Isidório evitou criticar diretamente a direção estadual da legenda, comandada pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto, pré-candidato a suplente de senador na chapa de Rui Costa (PT).

"O partido não pertence ao presidente. Existe a Justiça Eleitoral. Eu não gosto de julgar ninguém", resumiu Isidório.

"Quem não deve, não teme" 

Durante a entrevista, o parlamentar também comentou a revelação do Blog do Vila de que o Governo da Bahia já desembolsou mais de R$ 92 milhões para quitar parte do passivo da antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada em 2018 por R$ 15 milhões.

Questionado se apoiaria a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para investigar o caso, Isidório respondeu que assinaria qualquer pedido de investigação.

"Qualquer CPI. Quem não deve, não teme", prometeu.

Ao mesmo tempo, fez questão de manifestar confiança no ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e no senador Jaques Wagner (PT), que comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico durante o processo de desestatização.

"Eu tenho obrigação de dizer que confio no ministro Rui Costa e no senador Jaques Wagner. Tudo haverá de ser esclarecido. Hoje existe transparência, existe Ministério Público, Gaeco e Polícia Federal trabalhando", disse.

Defesa da Polícia Federal 

Ao comentar as investigações da Operação Compliance Zero, Isidório afirmou confiar no trabalho da Polícia Federal e minimizou as críticas feitas por investigados.

"Todo mundo tem direito à defesa. Se alguém for acusado, vai procurar se defender. É para isso que existe o contraditório. Mas eu confio na Polícia Federal, que trabalha com independência", declarou.

O deputado lembrou ainda que já foi alvo de investigações que, segundo ele, acabaram arquivadas, e afirmou que operações policiais em período eleitoral devem ser conduzidas com responsabilidade.

"O combate ao crime começa nas fronteiras" 

Conhecido pelo trabalho de recuperação de dependentes químicos na Fundação Doutor Jesus, Isidório voltou a defender mudanças na política nacional de segurança pública.

Na avaliação do parlamentar, o enfrentamento ao tráfico deve priorizar o combate às organizações criminosas responsáveis pela entrada de drogas no país.

"Não adianta ficar derramando sangue. Mata um traficante hoje e amanhã aparecem outros dez. É preciso colocar Exército, Marinha e Aeronáutica nas fronteiras para impedir a entrada das drogas e permitir que as polícias investiguem as organizações criminosas", sugeriu.

Rui Costa ou Carletto? 

Questionado sobre quem exerce maior influência no Avante baiano — o presidente estadual Ronaldo Carletto ou Rui Costa — Isidório evitou entrar na polêmica.

"Essas coisas eu não sei. Quem me atende é Carletto. É ele quem tem o controle do partido. Eu sou do baixo clero", esquivou-se.

Na avaliação do deputado, Carletto fortaleceu a legenda e deverá ampliar a bancada nas eleições deste ano.

"Ele fez um grande trabalho. O Avante tem dezenas de prefeitos, centenas de vereadores e acredito que pode crescer ainda mais na Assembleia e na Câmara dos Deputados", apostou.

Atualmente, a sigla conta com dois deputados federais, ele e Neto Carletto, e sete estaduais — Felipe Duarte, Luciano Araújo, Soane Galvão, Vítor Azevedo, Patrick Lopes, Laerte do Vando e Binho Galinha.

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