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Kiki Bispo cobra investigação sobre venda da Ebal e questiona passivo de R$ 92 milhões pago pelo Estado

Kiki Bispo cobra investigação sobre venda da Ebal e questiona passivo de R$ 92 milhões pago pelo Estado

Líder do governo na Câmara afirma que Alba "virou a Assembleia do Amém" e defende atuação dos órgãos de controle após revelação do Blog do Vila de que Estado já desembolsou seis vezes mais com passivo do que valor arrecadado com antiga estatal

Por Evilásio Júnior

20/07/2026 às 12:53

Foto: Evilásio Júnior

O líder do governo Bruno Reis (União Brasil) na Câmara de Salvador, vereador Kiki Bispo, defendeu nesta segunda-feira (20) o aprofundamento das investigações sobre a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela extinta rede Cesta do Povo.

Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar afirmou que a negociação realizada em 2018 "não fecha a conta" e classificou como "inaceitável" o fato de o Estado continuar a pagar o passivo da empresa oito anos depois da venda.

A declaração ocorre após levantamento do Blog do Vila revelar, com base em dados do Portal Transparência Bahia, que o Governo do Estado já desembolsou R$ 92,56 milhões para quitar obrigações da antiga estatal, embora a empresa tenha sido vendida por apenas R$ 15 milhões.

"Continuar pagando ainda um passivo, eu não vejo isso como viável em negócio nenhum. Como é que você arremata uma rede de supermercados com um patrimônio enorme e o passivo continua com o Governo do Estado? É o povo da periferia pagando essa conta. Isso é inaceitável", afirmou.

"Só os imóveis já pagariam a venda" 

Durante a entrevista, Kiki Bispo colocou em dúvida o valor pago pela antiga estatal e citou imóveis da rede Cesta do Povo localizados em áreas valorizadas de Salvador.

Segundo ele, unidades como São Caetano, Castelo Branco, Ogunjá, Rio Vermelho, Sete Portas e outras possuíam patrimônio imobiliário suficiente para justificar um valor muito superior ao obtido na privatização.

"Só os ativos já pagariam essa merreca dos R$ 15 milhões, como disse o ex-ministro Rui Costa. Estou falando apenas do patrimônio, sem considerar equipamentos, estoque, marca ou operação", enumerou.

O vereador lembrou ainda críticas feitas na época pelo ex-deputado federal e empresário do setor supermercadista João Gualberto, que já questionava a negociação e classificava o preço da venda como incompatível com o patrimônio da empresa.

Críticas à Assembleia Legislativa 

Ao comentar a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Kiki afirmou que não acredita na instalação de uma investigação.

"Infelizmente, a Assembleia virou a Assembleia do Amém. Diz sim para tudo que o governador faz", lamentou.

Apesar disso, defendeu que os órgãos de controle aprofundem as apurações.

"Precisamos nos movimentar. Buscar informações no Tribunal de Contas, no Ministério Público e em todos os órgãos de fiscalização. A sociedade precisa tomar conhecimento do que aconteceu", declarou.

Credcesta e Operação Compliance Zero 

O líder do governo municipal também relacionou o caso à criação do Credcesta, modalidade de crédito consignado que sucedeu o antigo cartão de compras da Cesta do Povo destinado aos servidores estaduais.

Conforme Kiki, o programa deixou milhares de servidores endividados.

"O servidor recebia um cartão para comprar alimentos. De repente aquilo virou um negócio financeiro extremamente lucrativo para quem comprou e muito prejudicial para quem utilizou", criticou.

O vereador lembrou ainda que, em 2022, o então governador Rui Costa editou decreto para restringir a portabilidade dos contratos do Credcesta e manter a exclusividade do Banco Master como operador da modalidade.

As declarações ocorrem em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que voltou a colocar em evidência o empresário Augusto Lima, ligado ao Credcesta, e o senador Jaques Wagner (PT), secretário de Desenvolvimento Econômico durante o processo de desestatização da Ebal.

"Os números não fecham" 

Para Kiki Bispo, a coincidência entre os valores envolvidos em diferentes episódios recentes reforça a necessidade de novos esclarecimentos.

"Esses números de R$ 15 milhões na compra da Ebal e R$ 140 milhões naquele terreno... essa contabilidade não está fechando", comparou, sobre a venda do Centro de Convenções da Bahia, arrematado em leilão nesta segunda-feira (20) pelo Consórcio Pilar Incorporação e Construção Imobiliária, por R$ 134,8 milhões.

O vereador ressaltou que não cabe à Câmara Municipal investigar diretamente a privatização da empresa, mas afirmou que pretende buscar informações junto aos órgãos de controle para aprofundar o tema.

"A prova está nos documentos. O que precisamos agora é que tudo isso seja devidamente apurado", disse. 

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