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Luiz Carlos admite 'ponto de atenção' com baixa pontuação de Coronel nas pesquisas
Luiz Carlos admite 'ponto de atenção' com baixa pontuação de Coronel nas pesquisas
Presidente do Republicanos em Salvador atribui desempenho tímido à baixa exposição do senador, mas diz que cenário ainda pode mudar e aposta na força do interior
Por Evilásio Júnior
02/06/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
A posição do senador Angelo Coronel nas pesquisas para o Senado já acendeu o sinal amarelo dentro do Republicanos.
Embora descarte qualquer cenário de preocupação, o presidente municipal da legenda em Salvador e tesoureiro estadual do partido, Luiz Carlos de Souza, admitiu que o desempenho do parlamentar é um “ponto de atenção” para a sigla.
Em entrevista à Feliz FM 98,3, o dirigente avaliou que os levantamentos divulgados até agora podem não refletir integralmente a força política do congressista, especialmente no interior baiano.
“Não vejo como preocupação, mas é um ponto de atenção. Você tem, em uma estratégia, um ponto crítico e um ponto de atenção. Isso não é um ponto crítico, isso é um ponto de atenção”, afirmou.
Segundo ele, um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho modesto do senador é a metodologia utilizada pelos institutos de pesquisa.
“Essas pesquisas tendem a ter uma busca muito maior nas regiões centrais e na Região Metropolitana do que propriamente no interior, sobretudo nos municípios mais distantes, onde Coronel tem uma atuação”, argumentou.
Aposta na força do interior
Luiz Carlos também destacou que os petistas Rui Costa e Jaques Wagner aparecem em posição privilegiada por ocuparem espaços de grande visibilidade política vinculados ao governo federal.
“O Rui e o Wagner estão em uma evidência muito maior por conta do governo. É natural que você ganhe uma popularidade maior”, observou.
Na avaliação do dirigente republicano, no entanto, a exposição pública nem sempre se converte automaticamente em votos.
“Quando você vai para a urna, às vezes isso não se reflete”, ponderou.
Ele lembrou ainda que Coronel só recentemente passou a investir mais nas redes sociais e classificou o senador como um político de perfil mais tradicional.
“A eleição ainda está relativamente distante. Dá tempo para qualquer pessoa mudar sua estratégia, melhorar, potencializar aquilo que tem de potencializar e corrigir aquilo que precisa ser corrigido”, disse.
Influência de ACM Neto
Outro aspecto apontado pelo dirigente foi o peso que o desempenho do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), poderá ter sobre as demais candidaturas do grupo oposicionista.
“Com essa avaliação de Neto, é natural que ele puxe deputados estaduais, federais e também os senadores”, afirmou.
Apesar disso, Luiz Carlos acredita que a disputa pelas vagas ao Senado permanece aberta.
“Vejo que Coronel tem chance, como João Roma também”, declarou.
O senador republicano apareceu em quarto lugar em todos os levantamentos divulgados até agora.
Banco Master e defesa de Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, Luiz Carlos também comentou os desdobramentos da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu apoio antecipado do Republicanos para a disputa presidencial, e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao analisar a polêmica relacionada ao Banco Master, o dirigente minimizou o impacto do episódio sobre o aliado político.
“O que apareceu até agora não é nada diante do que pode surgir”, afirmou.
Para ele, o episódio sobre o pedido de financiamento para a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do pai dele, não caracteriza irregularidade.
“Ele pediu um patrocínio. Não pediu dinheiro para ele, para a conta dele. Quem faz evento sabe que precisa buscar patrocinadores”, argumentou.
Luiz Carlos reconheceu apenas que o momento escolhido para a cobrança, que ocorreu na véspera da prisão do banqueiro, quando já havia muitas suspeitas sobre a sua atuação, pode ter sido inadequado.
“Talvez ele não tenha sido sóbrio o suficiente para pensar nas consequências”, avaliou.
‘Não acredito que saia da candidatura’
Questionado sobre a possibilidade de o desgaste político comprometer uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro, o dirigente descartou mudanças de rota.
“Eu acredito que ele vai até o final”, respondeu.
Ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master e aos desdobramentos envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, Luiz Carlos afirmou que os fatos ainda estão longe de serem totalmente esclarecidos.
Para o dirigente, o avanço das apurações poderá atingir diferentes setores da política e das instituições.
“Tem muita gente envolvida. Do Judiciário, do Congresso, do governo. Tem muita gente”, declarou.
No momento, Vorcaro negocia uma nova tentativa de fechar um acordo de delação premiada com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal. A primeira proposta foi rejeitada no último dia 20, por não relatar fatos que já tinham sido descobertos, e ser considerada seletiva, por tentar proteger pessoas e esconder informações.

