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Manuel Rocha vê 'vida real' empurrar Angelo Coronel para oposição e aposta em vice do interior na chapa de ACM Neto

Manuel Rocha vê 'vida real' empurrar Angelo Coronel para oposição e aposta em vice do interior na chapa de ACM Neto

Deputado do União Brasil diz que senador do PSD tem “voto fidelizado” entre prefeitos e pode surpreender Wagner; para a composição da oposição ele cita Zé Cocá como nome ideal

Por Evilásio Júnior

22/01/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior

O deputado estadual Manuel Rocha (União Brasil) avaliou, em entrevista à CBN Salvador, que a disputa pelo Senado na Bahia pode ganhar contornos imprevisíveis em 2026, especialmente se o senador Angelo Coronel (PSD) mantiver a pré-candidatura mesmo fora da chapa governista. Para o parlamentar, o movimento já deixou de ser apenas especulação e entrou no terreno “real” da política.

“Vamos agora para a vida real. Existe a parte da especulação, mas existe o que já está colocado. O senador Coronel é um cara muito verdadeiro. Ele fala realmente o que pensa.”, afirmou.

Rocha disse que, na Assembleia Legislativa, o ambiente é de praticamente nenhuma dúvida sobre a intenção do senador de disputar a reeleição. O que ainda resta saber, segundo ele, é em qual formato a candidatura será levada adiante.

“Ele já disse, em alto e bom som, que é candidato ao Senado. Isso aí na Assembleia não tem discussão. A dúvida é: ele vai ser candidato na chapa do governo?”, pontuou.

Coronel “fora do governo” e com duas opções: avulso ou na oposição

Ao ser instigado sobre os cenários possíveis, Manuel Rocha concordou com a leitura de que a hipótese de Coronel integrar formalmente a chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) está praticamente descartada.

“Concordo que na chapa do governo já está descartado. Então sobram duas alternativas: independente ou na chapa da oposição.

Para ele, a viabilidade do senador cresce no interior por um fator decisivo: o alinhamento municipalista, somado ao peso das emendas e à capilaridade do PSD.

“Eu vejo no interior um voto bastante fidelizado dos prefeitos. Ele é um senador municipalista. Foi relator do orçamento e conseguiu ajudar quase que a Bahia inteira através das emendas parlamentares.”

 O “segundo voto” e o risco para Wagner

Na leitura do deputado, há um fenômeno em curso entre prefeitos da base governista que pode criar um enrosco para a chapa do PT: muitos já teriam “reservado” um voto para Coronel e deixariam o segundo voto para o nome indicado pelo governador.

“Os prefeitos da base dizem: ‘meu voto de senador é de Angelo Coronel, o segundo voto o governador vai indicar’.”

Tal movimento, na visão de Manuel Rocha, pode abrir caminho para uma surpresa — especialmente contra o senador Jaques Wagner (PT), apontado por ele como o nome mais vulnerável diante do jogo municipal.

> “Pode ter uma surpresa bastante negativa para Wagner e positiva para Coronel. Wagner é um cara bacana, agradável, mas é um cara que não tem viajado. Tem oito anos que não botou o nome na rua.”

Rocha ainda comparou o cenário de Wagner com o de Rui Costa (PT), que, no entendimento dele, se beneficiaria do cargo e das conexões construídas ao longo do ciclo petista.

“Rui hoje, ministro da Casa Civil, está fortalecido, tem a caneta na mão, foi governador… tem relacionamento com todos os prefeitos da Bahia.”

Chapa de Neto: Manuel Rocha considera Marinho “factível” e defende vice do interior

Ao tratar do desenho da oposição, Manuel Rocha classificou como “bastante factível” a possibilidade de Márcio Marinho (Republicanos) ser escolhido para disputar o Senado na chapa liderada por ACM Neto.

> “O nome de Marinho para o Senado é um nome bastante factível. O Republicanos é um partido forte, fiel do nosso arco de aliança e eu acho que certamente terá a indicação de uma vaga.”

Mas o deputado foi ainda mais enfático em relação à vice: para ele, a composição precisa corrigir uma fragilidade de 2022 e dar protagonismo ao interior.

 “A vice, eu tenho convicção que será um nome do interior. Um prefeito, um ex-prefeito, um ex-deputado do interior.”

Manuel Rocha relatou que a avaliação tem eco dentro do próprio grupo de Neto e seria vista como consenso.

“É um consenso de que seja o nome do interior que possa agregar, que possa interiorizar esse discurso de Neto, palanque de Neto.”

Menos Salvador, mais sertão: a chave do discurso

No ponto mais analítico da entrevista, Manuel Rocha defendeu que ACM Neto precisa ajustar o tom da campanha, saindo do terreno onde já tem autoridade reconhecida — a capital — para falar das dores do interior, de forma mais direta e territorial.

“Na última reuniã, falei para Neto: em uma campanha a governador, tem que falar menos de Salvador, porque a competência dele é inegável… e dialogar mais com o interior.”

O deputado citou exemplos concretos do que considera um discurso necessário para aumentar a competitividade no estado profundo.

“As dificuldades do sertanejo, da falta de água, da falta de infraestrutura elétrica… isso vai aproximar Neto mais do interior.”

Zé Cocá é o “nome ideal” — e o mercado político segue aberto

Quando questionado sobre um nome específico capaz de somar eleitoralmente, Manuel Rocha apontou o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como o perfil ideal para a vice, apesar de reconhecer que o gestor tem se aproximado do governo e ainda não selou posição.

“O nome ideal seria o de Zé Cocá.” E completou: “Enquanto ele não declarar o apoio dele ao governador, é um nome que ainda continuará sendo especulado. Eu aposto e acredito que o nome que poderia agregar muito na chapa de Neto como vice seria Zé Cocá.”

Para Manuel Rocha, a configuração final só tende a se definir em março, com o xadrez presidencial também influenciando diretamente o humor do eleitor baiano e a musculatura dos palanques.

“Esse cenário ficará mais claro depois do Carnaval. Todo mundo tem essa convicção de que, por exemplo, um Tarcísio de Freitas candidato a presidente fortaleceria o nome de ACM Neto na Bahia.”

Durante a entrevista, Manuel Rocha confirmou ainda que manterá a pré-candidatura à Câmara, mesmo que seu pai, o deputado federal José Rocha, não seja escolhido para integrar a chapa de ACM Neto. O parlamentar tem o Senado como objetivo, mas, conforme **informações de bastidores**, a possibilidade de entrar na composição hoje é considerada remota.

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