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PT fecha portas para parlamentares com mandato e cobra alinhamento ideológico na Bahia
PT fecha portas para parlamentares com mandato e cobra alinhamento ideológico na Bahia
Deputados da legenda se reúnem em Salvador, definem critérios mais rígidos para novas filiações e demonstram preocupação com estratégia de Jerônimo para manter o Podemos na base
Por Evilásio Júnior
12/03/2026 às 06:00

Foto: Feijão Almeida / GOVBA
Em meio às articulações para as eleições de 2026, os deputados do PT na Bahia decidiram endurecer os critérios para novas filiações. Em reunião realizada nesta terça-feira (11), em Salvador, os parlamentares definiram que o partido não aceitará a entrada de candidatos que já possuam mandato em outras legendas e priorizará apenas nomes com afinidade ideológica com o petismo e compromisso com o programa partidário.
Segundo relatos obtidos pelo Blog do Vila, a decisão também exige apoio explícito à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e ao presidente Lula como pré-condição para quem desejar ingressar na sigla.
Apesar da nova regra, deputados ouvidos pela reportagem garantiram que não haverá questionamento interno sobre a permanência de quadros que já estão no partido, inclusive aqueles que não têm histórico ligado à legenda. É o caso dos deputados estaduais Júnior Muniz e Euclides Fernandes, que ingressaram na sigla durante a montagem eleitoral de 2022.
Meta é manter bancada federal e ampliar presença na Alba
No encontro, os parlamentares também discutiram a estratégia eleitoral do partido para o próximo pleito.
A meta do PT é manter ao menos os sete deputados federais eleitos em 2022 — Jorge Solla, Zé Neto, Afonso Florence, Waldenor Pereira, Ivoneide Caetano, Joseildo Ramos e Valmir Assunção — e ampliar a bancada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Hoje o partido possui oito representantes na Alba: Euclides Fernandes, Fátima Nunes, Júnior Muniz, Maria del Carmen, Robinson Almeida, Zé Raimundo Fontes, além dos suplentes Marcelino Galo e Radiovaldo Costa.
O número será alterado até o fim do mês, com o retorno aos mandatos dos secretários estaduais Osni Cardoso, titular de Desenvolvimento Rural, e Neusa Cadore, que comanda a pasta de Políticas para as Mulheres.
A deputada Maria del Carmen, por sua vez, não disputará a reeleição para apoiar a candidatura do filho, André Fidalgo.
Fora do grupo, a grande aposta é a postulante do governador, a atual secretária de Educação, Rowenna Brito.
Desconforto com estratégia para segurar o Podemos
Durante a reunião, também surgiu estranhamento entre parlamentares petistas em relação à estratégia do governador Jerônimo Rodrigues para tentar manter o Podemos na base aliada.
De acordo com relatos de bastidores, o governador teria estimulado a possibilidade de transferência para o partido de nomes como os deputados federais Mário Negromonte Júnior (atualmente no PP), Bacelar (PV) e a suplente Elisângela Araújo (PT), que atualmente exerce o mandato no lugar de Afonso Florence, ainda licenciado enquanto ocupa a chefia da Casa Civil.
A articulação ocorre no momento em que o senador Angelo Coronel se movimenta nacionalmente para assumir o comando do Podemos na Bahia, em negociação com a presidente nacional da legenda, a deputada federal Renata Abreu (SP).
Para petistas ouvidos pelo Blog do Vila, a estratégia do governador pode acabar fragilizando a montagem da chapa proporcional da federação entre PT, PCdoB e PV, ao transferir votos importantes para outra legenda.
“Não entendi a lógica de entregar de bandeja 180 mil votos que seriam importantes para a federação. Se perder os três complica e pode comprometer a eleição de quadros importantes”, confidenciou um petista à reportagem.
Possível rompimento com o Podemos é visto como provável
Apesar da movimentação do governo, nos bastidores a avaliação predominante é de que o rompimento com o Podemos segue como cenário mais provável.
Entre os fatores citados estão as recentes saídas do deputado federal Raimundo Costa, que migrou para o PSD, e do deputado estadual Laerte do Vando, que foi para o Avante.
Além disso, pesa o projeto político do senador Angelo Coronel, que deseja ter um partido sob sua influência direta no estado. Nesse contexto, interlocutores apontam que as negociações com União Brasil e Republicanos encontram resistências, tanto por fatores políticos quanto por vínculos partidários já consolidados.
Ainda assim, há pontos considerados administráveis na negociação, como a situação do atual presidente do Podemos na Bahia, Heber Santana. Segundo interlocutores, a acomodação seria possível caso Coronel garanta a viabilidade da candidatura dele a deputado estadual.
Outro desafio será a montagem da chapa proporcional da legenda, que pode contar com a ajuda do deputado estadual Samuel Júnior, hoje no Republicanos. O parlamentar busca garantir a própria reeleição à Assembleia e viabilizar a candidatura de seu aliado Abraão Reis à Câmara dos Deputados.
Além disso, o senador também trabalha para levar para o partido nomes próximos de seu grupo político, como Diego Coronel (deputado federal), Angelo Filho (deputado estadual) e Cafu Barreto (deputado estadual), além de possíveis candidaturas de João de Furão e Thiago Gileno para a Assembleia.
Negromonte pode permanecer no PP
No caso do deputado federal Mário Negromonte Júnior, o Blog do Vila apurou que o cenário de mudança partidária ainda não está definido.
O parlamentar chegou a conversar com PSD e PSB, mas pode permanecer no PP, legenda que ainda preside na Bahia, caso sua esposa Camila Vásquez não seja indicada para uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) até o próximo dia 30 de março.
A possível permanência ocorreria mesmo diante da rusga política com Cacá Leão, aliado do presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira.
Nos bastidores, aliados afirmam que Negromonte Júnior conta com o apoio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de quem é considerado próximo.

