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'Momento de lamber feridas, somar esforços e marchar para o mesmo lado', diz Roma sobre deputados resistentes a Neto
'Momento de lamber feridas, somar esforços e marchar para o mesmo lado', diz Roma sobre deputados resistentes a Neto
Presidente do PL admite incômodo de ala mais ideológica do partido com apoio de pré-candidato a Ronaldo Caiado, mas diz que “quem não ajudar ACM Neto estará ajudando o PT”
Por Evilásio Júnior
11/05/2026 às 13:04

Foto: Max Haack / Divulgação
O presidente do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado, João Roma, admitiu nesta segunda-feira (11) o desconforto de deputados bolsonaristas do partido com a pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia.
O motivo da crise interna é o alinhamento político do ex-prefeito com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), enquanto a ala mais radical da sigla quer apoio fechado ao senador Flávio Bolsonaro (RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Durante entrevista à rádio CBN Salvador, o dirigente reconheceu a resistência de parlamentares do próprio partido — como os estaduais Diego Castro e Leandro de Jesus, além do federal Capitão Alden — em embarcar integralmente na campanha estadual.
De acordo com Roma, apesar das divergências, a tendência é de união no momento decisivo da campanha.
“Quem não estiver ajudando ou buscando reforçar a candidatura de ACM Neto, por um lado vai estar ajudando o PT”, reconheceu.
A declaração ocorre após sucessivas ausências de nomes do bolsonarismo raiz em atos políticos da chapa oposicionista. Integrantes da ala ideológica do PL têm evitado eventos públicos ligados a Neto justamente por causa da aproximação do ex-prefeito com Caiado.
“Não cabe a Flávio mandar recado”, diz Roma
Ao comentar a pressão para que Flávio Bolsonaro intervenha diretamente no diretório baiano do partido, Roma minimizou a crise e disse que a situação será resolvida internamente.
“Eu acho que não é papel de Flávio Bolsonaro estar mandando recado. Acho que são coisas que a Bahia tem que legitimar”, declarou.
Apesar disso, o ex-ministro reafirmou apoio integral ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Estou no PL e apoio desde o princípio a candidatura de Flávio, não só aqui na Bahia, como em todo o Brasil”, reforçou.
Roma ainda elogiou o desempenho político do senador nas pesquisas nacionais e disse que ele tem conseguido reduzir rejeição e ampliar aceitação junto ao eleitorado.
“Todo mundo precisa lamber as feridas”, afirma presidente do PL
Sem esconder os ruídos internos, Roma fez um apelo público pela pacificação da direita baiana e indicou que o partido precisa priorizar a derrota do PT no estado.
“É o momento de justamente lamber as feridas, todo mundo somar esforços e marchar para o mesmo lado”, sentenciou.
O dirigente também reconheceu que gostaria de disputar o governo da Bahia, mas afirmou que ACM Neto é hoje o nome “mais competitivo” da oposição.
“Será que você não acha que eu gostaria de ser candidato a governador? Óbvio que sim. Mas quem reúne mais condições de enfrentar o PT hoje é ACM Neto”, declarou.
Roma tenta consolidar chapa ampla da oposição
Na entrevista, João Roma também destacou a formação de uma frente ampla contra o PT, ao destacar a chegada do senador Angelo Coronel (Republicanos) ao grupo oposicionista e a adesão do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP).
Em sua avaliação, a oposição saiu fortalecida desde dezembro, quando o cenário era mais fragmentado.
O presidente do PL ainda intensificou as críticas ao ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao governador Jerônimo Rodrigues, ao acusar ambos de esconderem problemas da Bahia e de viverem uma disputa interna por protagonismo político.
“Rui quer voltar para o palco porque Jerônimo não segura o debate”, ironizou.
Segurança pública vira principal aposta da oposição
Roma afirmou que a segurança pública será o principal eixo da campanha oposicionista e citou Goiás, que foi governado por Ronaldo Caiado, como exemplo de enfrentamento ao crime organizado.
O dirigente do PL disse que a Bahia vive hoje uma sensação de “falta de comando” e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ele, relativizar o avanço do narcotráfico no país.
“Não dá para passar pano e fugir dos problemas como faz Lula”, opinou.
Confira a entrevista na íntegra:

