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Solla não crava anúncio de Lula no dia 7, mas diz que PT trabalha com 'chapa arrasa quarteirão' na Bahia
Solla não crava anúncio de Lula no dia 7, mas diz que PT trabalha com 'chapa arrasa quarteirão' na Bahia
Deputado afirma que expectativa do partido é formar composição com Jerônimo, Rui e Wagner, e diz que situação de Coronel “tem que combinar o jogo”
Por Evilásio Júnior
26/01/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior
O deputado federal Jorge Solla (PT) evitou confirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar oficialmente no próximo dia 7 de fevereiro, em Salvador, a chamada “chapa puro G” para as Eleições 2026 — com Jerônimo Rodrigues (PT) à reeleição e Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) ao Senado. Apesar disso, reforçou que essa é a expectativa do PT e chamou a composição de “chapa arrasa quarteirão”.
A declaração foi dada durante entrevista à Metropolitana FM, ao ser questionado se o ato de aniversário do partido, com a presença de Lula, marcaria o “pré-lançamento” do time governista no estado e se o senador Ângelo Coronel (PSD) estaria fora da disputa pela reeleição.
“Eu não sei se o dia 7 vai ser o dia”, afirmou o petista, ao ponderar que não tem como garantir que Lula fará um anúncio formal naquele momento. Ainda assim, Solla foi direto ao sustentar o desenho da composição majoritária: “A chapa vai ser Jerônimo, governador reeleito, Wagner e Rui Costa, senadores”.
“Problema bom” e disputa interna por espaço
Ao falar sobre o cenário, Solla classificou como um “problema bom” o grupo ter hoje dois senadores em fim de mandato e, ao mesmo tempo, um terceiro nome competitivo como Rui Costa, atual ministro da Casa Civil.
Segundo ele, pesquisas internas e de opinião têm mostrado que Rui aparece à frente de Wagner, o que, para o deputado, se explica também por um fator geracional.
“As pesquisas têm mostrado que ele está na frente de Wagner. Isso porque também tem um recall, né? A turma mais jovem viveu o governo Rui e não viveu o governo Wagner”, declarou.
Ainda assim, Solla fez uma defesa contundente do ex-governador e atual senador, com quem mantém relação política histórica dentro do PT.
“Para mim, depois de Lula, Wagner é o melhor político que esse país já construiu”, disse.
Alfinetada no bolsonarismo e elogios a Otto
Na entrevista, Solla também elevou o tom contra o governo Jair Bolsonaro (PL), ao afirmar que o país teria sido “destruído” no ciclo anterior e que Lula teria recolocado o Brasil em um patamar melhor do que em 2016.
O petista ainda fez elogios ao senador Otto Alencar (PSD), aliado do governador Jerônimo, ao salientar o papel do pessedista na construção da chapa de 2022.
“Ele poderia ter sido candidato a governador, mas não teve a vaidade, teve o desprendimento. Ele ajudou a construir o nome de Jerônimo para governador, ajudou a eleger o Jerônimo”, afirmou.
Solla reage a boatos e diz que Jerônimo está “muito bem”
Solla também comentou a circulação de rumores de que Jerônimo poderia ser substituído por Rui na cabeça da chapa em 2026, tese que ele classificou como um movimento para deslegitimar o governador.
“Plantaram as notas de que Jerônimo não vai ser o candidato a governador, que vai ser Rui”, disse, antes de reforçar confiança no chefe do Executivo estadual: “Jerônimo está muito bem, rapaz”.
O deputado ainda afirmou, sem apresentar números, que tem a percepção de uma adesão crescente de prefeitos ao governo estadual.
“A minha sensação é que mais de 70% dos prefeitos que apoiaram ACM Neto na eleição passada vão estar com o Jerônimo, já estão com o Jerônimo”, declarou.
“Coronel tem que combinar o jogo”
Questionado sobre o futuro de Ângelo Coronel, que já sinalizou publicamente que quer disputar a reeleição ao Senado, Solla defendeu que a permanência do senador no grupo precisará ser resolvida em negociação política.
“Aí tem que discutir, combinar o jogo”, disse.
Ele também indicou que o PT deseja manter Coronel na aliança, seja qual for o arranjo final, ao citar como alternativa até uma eventual composição para vice ou uma disputa proporcional.
“Nós queremos contar com ele na nossa chapa, seja como vice, seja como deputado federal”, afirmou.
No raciocínio do petista, mais do que garantir a majoritária, o grupo precisa assegurar uma base forte no Congresso.
“Eu estou muito preocupado com a Câmara Federal”, declarou, ao defender que Lula e Jerônimo precisariam de uma bancada mais robusta para sustentar os projetos do governo.
Na última sexta (23), o presidente Lula esteve em Salvador no evento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e, embora tenha anunciado aos presentes que disputará a reeleição ao Planalto, não comentou o imbróglio que envolve a formação da chapa governista na Bahia.

