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Arthur Maia vai comandar União Progressista; Cajado crava: 'Não há possibilidade de federação apoiar Jerônimo'

Arthur Maia vai comandar União Progressista; Cajado crava: 'Não há possibilidade de federação apoiar Jerônimo'

Partido de ACM Neto assume as rédeas e manda recado duro a Mário Negromonte Jr. e aos governistas: a federação começa na Bahia com cara de oposição

Por Evilásio Júnior

22/08/2025 às 06:00

Atualizado em 26/08/2025 às 11:03

Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

A oficialização da federação União Progressista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (19) mexeu diretamente no tabuleiro da política baiana. E a pergunta que ecoa nos corredores de Brasília e Salvador é: quem dará as cartas na Bahia?

O Blog do Vila apurou que o deputado federal Arthur Maia (União) desponta como favorito para comandar a federação no estado. A escolha tem aval pessoal do vice-presidente do UB e pré-candidato a governador do Estado, ACM Neto, devido ao perfil mais conciliador do aliado, diante da necessidade de ampliar a articulação, de olho nas eleições de 2026.

Paulo Azi, atual presidente do União Brasil na Bahia e da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, diante das atribuições em Brasília, não pode assumir o posto. O anúncio oficial deve sair nas próximas semanas.

Pelo critério adotado no estatuto, serão 11 membros no diretório estadual, sete do partido que irá presidir, o União Brasil, e quatro da legenda que irá integrar, no caso o PP.

Um pé em cada canoa, não

Para integrantes da nova agremiação, mais envolvidos com o projeto de oposição liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, o discurso do deputado federal Mário Negromonte Júnior, que insiste em falar em "independência" e até em aproximação com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) é avaliado como "conversa para inglês ver". O parlamentar se ausentou do evento que oficializou a junção das siglas e disse estar "fora da federação".

Em entrevista à coluna, um congressista muito ligado ao pré-candidato da oposição reforçou que a União Progressista terá posição clara: ou integra o projeto da oposição ou quem discordar terá que procurar outro partido.

"O controle da federação na Bahia será do União. Não tem como o PP fazer um movimento isolado. Com a federação, é como se o partido deixasse de existir. Não admitiremos um pé em cada canoa", enfatizou.

Deputado federal pelo PP, Cláudio Cajado foi taxativo, em conversa com a CBN Salvador: "Não há possibilidade de a federação apoiar Jerônimo". A lógica é simples: o União tem seis deputados federais na Bahia contra três do PP.

Ou seja, para continuar na base do Palácio de Ondina e manter a esposa Camila Vasquez no páreo para a vaga de conselheiro que pertencia ao pai no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Mário Júnior terá de mudar de sigla.

Deputados estaduais podem virar?

A máxima aplicada sobre Mário Jr. recai também sobre os deputados estaduais do PP: Antônio Henrique Júnior, Eduardo Salles, Felipe Duarte, Hassan, Nelson Leal e Niltinho

Eles podem até ficar na federação, mas terão que seguir a cartilha: "Ou integram o projeto da oposição ou terão que procurar outro partido. Não há meio-termo", alertou um deputado do União.

Nos bastidores, uma liderança próxima a ACM Neto foi ainda mais direta: "Não existe essa história de PP independente. A partir de agora, a federação é uma só, com comando majoritário do União".

Cajado preferiu não personalizar, mas deixou claro o calendário: "Tudo será resolvido na janela partidária de 2026. Até lá, cada deputado pode até falar o que pensa, mas a decisão formal só lá na frente".

Muitos deles seguem sem conseguir convencer uma legenda a abrigá-los e a ida em bloco é praticamente descartada. 

Mais um da federação na chapa com Neto?

Em relação à eleição para governador, tanto Cajado quanto os quadros do União afirmam que a federação pode ter mais de uma cadeira na majoritária, apesar de a cabeça de chapa ser destinada a ACM Neto

"A composição de chapa ainda está em aberto. Nada impede que outro nome da federação possa compor a chapa majoritária", ponderou um integrante do partido do ex-prefeito.

"É legítimo que todos apresentem nomes. Nada está fechado. Mas o protagonismo de Neto é indiscutível", completou Cajado, ao sentenciar que será candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Até o momento, há cinco partidos – União, PP, Republicanos, PL e PSDB – brigando pelas quatro vagas. O grupo ainda conta com a chegada do senador Angelo Coronel (PSD).

Nacional: aposta em Tarcísio

A projeção para 2026 também divide atenções em Brasília. "Se Tarcísio for candidato, haverá uma enorme união em torno dele já no primeiro turno. Se não for, cada partido lança o seu candidato e nos encontramos todos juntos no segundo", disse uma liderança ligada a Neto. 

Cajado concorda, mas adverte: "Na minha opinião, eu não falo em nome do partido nem da federação, falo em nome do deputado Cláudio Cajado, a decisão da união da centro-direita, inclusive da centro-esquerda, está nas mãos do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Se ele definir por uma candidatura familiar, da esposa ou do filho etc., já que muito possivelmente ele estará inelegível, vai dividir a centro-direita e a centro-esquerda. E essa divisão dá forças para o presidente Lula ser candidato fortíssimo à reeleição". 

Para o deputado, se Bolsonaro resolver apoiar um presidenciável sem seu sobrenome, "aí muda o jogo completamente". "E se o candidato for Tarcísio, que é um governador muito bem avaliado no estado de São Paulo, as condições elegíveis e eleitorais da centro-direita e centro-esquerda vão estar extremamente fortes. Mas se o presidente Bolsonaro não se decidir ou decidir por uma candidatura familiar, obviamente que esse jogo vai mudar. Você dividindo a direita, centro-direita e a centro-esquerda, você está facilitando a eleição do atual presidente da República, que já começou a responder à avaliação negativa e que, obviamente, tem a máquina do governo", pontuou.

A utopia de Daniel

Diante do cenário de possível polarização nacional, o vereador de Salvador Daniel Alves (PSDB), em entrevista à CBN Salvador, praticamente parafraseou o romancista e ex-senador francês Vitor Hugo, que escreveu no clássico "Os Miseráveis": "Não há nada como o sonho para criar o futuro".

"Nomes nacionalmente a gente tem para reduzir [a disputa entre lulismo e bolsonarismo]. Eu estava conversando com um amigo meu recentemente, dizendo que o meu sonho como cidadão era que o PT colocasse [Geraldo] Alckmin como o sucessor de Lula. e aí seria o meu sonho ter Alckmin disputando com o Tarcísio. São duas pessoas que eu acredito que são mais moderadas, que iriam correr dessa polarização", elucubrou o tucano.

Utopia hoje, carne e osso amanhã?

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