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Angelo Coronel rompe com a base, deixa o PSD e articula disputar reeleição ao Senado por outro partido
Angelo Coronel rompe com a base, deixa o PSD e articula disputar reeleição ao Senado por outro partido
Senador diz que foi “praticamente expulso” da chapa governista, afirma que saída do PSD são “favas contadas” e inicia diálogo com ACM Neto, mas ainda não confirma destino; crise começou após PT fechar Senado com Wagner e Rui
Por Evilásio Júnior
31/01/2026 às 17:33

Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado
O senador Ângelo Coronel decidiu romper oficialmente com a base do governo Jerônimo Rodrigues (PT) e já definiu sua saída do PSD. A decisão encerra meses de tensão provocados pela montagem da chapa governista para 2026.
O estopim foi a consolidação da chamada composição “puro-sangue” petista, com Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado, movimento que deixou o PSD sem espaço na majoritária.
Desde então, Coronel reclamava publicamente do isolamento político e criticava a oferta de cargos secundários ao partido e acusando o PT de estimular a divisão interna da legenda. Em entrevista recente à CBN Salvador, chegou a afirmar que “o PT quer briga entre eu e Otto”, ao negar rompimento pessoal com o senador Otto Alencar.
Agora, a saída virou fato consumado. “A minha saída do PSD só falta formalizar no TSE. A decisão já está tomada”, afirmou em nova conversa com a CBN Salvador neste sábado (31).
Segundo Coronel, a permanência no partido se tornou inviável depois que a própria direção estadual sinalizou que não haveria espaço para sua candidatura.
“O próprio presidente Otto Alencar disse que minha permanência era insustentável. Isso é a mesma coisa que uma expulsão”, apontou.
Os filhos dele, os deputados estaduais Angelo Filho e Diego Coronel também seguirão o caminho do pai, assim como outros prefeitos e lideranças ligados ao senador, de acordo com ele.
“Praticamente expulso da base”
O senador também subiu o tom ao falar da relação com o governo estadual e disse que teve o direito de disputar a reeleição retirado.
“Estamos saindo da base governista, na verdade praticamente sendo expulsos. A partir do momento que me tiraram o direito constitucional de concorrer ao Senado, me ceifaram esse direito”, protestou, ao completar: “Se Jerônimo quer reeleição, se Wagner quer, se Rui quer, por que eu não posso disputar?”
União Brasil no radar
Com a saída do PSD encaminhada, Coronel já admite conversas com a oposição. O destino mais provável é o União Brasil, partido do ex-prefeito ACM Neto, cuja direção estadual publicamente já sinalizou portas abertas.
Apesar disso, o senador evita cravar o novo endereço partidário: “Ainda não defini se vou para o União Brasil, PSDB ou outra agremiação. Tem tempo até março.”
Ele confirmou, no entanto, que o diálogo com Neto começou oficialmente após o rompimento com a base. “Devo conversar com o Neto essa semana. Agora ele abriu o diálogo.”
Relação com Otto e governo
Mesmo após deixar o partido, Coronel fez questão de minimizar qualquer animosidade pessoal com Otto Alencar ou com o núcleo petista.
“Da minha parte, zero problema. Zero problema com Otto, com o governador, com Wagner ou com Rui. Desejo boa sorte a todos.”
Ele reforçou que seu objetivo é seguir em busca da reeleição: “Ângelo Coronel vai brigar pela reeleição. Quem tem que me tirar é a urna.”
Via crucis
A ruptura encerra uma crise que se arrastava há meses. Coronel defendia que o PSD, maior partido do estado em número de prefeitos, tivesse protagonismo na chapa governista.
Sem espaço, passou a questionar o alinhamento automático ao PT, especialmente após o PSD nacional caminhar para ter candidato próprio à Presidência — cenário em que ele já havia avisado que seguiria a orientação do partido, e não necessariamente Lula.
Sem acordo local e pressionado pela militância petista, o senador optou por mudar de rota e reposicionar sua candidatura no campo da oposição.
Agora, a definição do novo partido deve ocorrer nas próximas semanas.

