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Coronel II — A Missão? Republicanos nega assédio do governo, mas cobra Senado e recusa 'barriga de aluguel'
Coronel II — A Missão? Republicanos nega assédio do governo, mas cobra Senado e recusa 'barriga de aluguel'
Em conversas reservadas, integrantes da sigla falam em lealdade a ACM Neto, no entanto prometem tensionar por protagonismo na majoritária, vetam Marcelo Nilo e rejeitam filiar Zé Ronaldo ou qualquer outro candidato a vice
Por Evilásio Júnior
13/02/2026 às 06:00

Foto: Divulgação
A notícia de que o Republicanos estaria na mira do governo Jerônimo Rodrigues (PT) para deixar o campo oposicionista caiu como ruído — e foi rebatida de imediato por integrantes da legenda na Bahia. Os rumores ganharam força após o encontro do visita do bispo Guaracy Santos, da Igreja Universal na Bahia, ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) na última quarta-feira (11).
Em conversas reservadas com o Blog do Vila, representantes da sigla negaram, de forma categórica, qualquer negociação para migrar de palanque. A avaliação interna é de que não há tratativa em curso com o governo e, hoje, o cenário mais provável ainda é a permanência ao lado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto.
Publicamente, cautela. Nos bastidores, recado claro.
Um dos interlocutores afirmou que não trabalha com a hipótese de rompimento, embora reconheça haver chateação e que política é terreno movediço. Ao mesmo tempo, deixou escapar o tom que deve marcar as próximas semanas: o partido vai esticar a corda para não sair da montagem da chapa apenas como figurante.
A estratégia, segundo ele, pode lembrar o movimento feito pelo senador Angelo Coronel, que tensionou ao máximo por espaço antes de deixar o PSD e redesenhar sua posição no tabuleiro.
“Barriga de aluguel”, não
Há também incômodo direto com a forma como o debate sobre a vice tem sido conduzido.
O partido não aceita a ideia de servir apenas como abrigo formal para um nome que venha de fora. Em outras palavras: não quer ser “barriga de aluguel” para filiar, de última hora, um candidato a vice que pertença a outra legenda — como o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, do União Brasil, ou qualquer outro.
A mensagem é simples: se a vaga for do Republicanos, o nome precisa nascer dentro do partido, não ser importado.
Dentro da mesma lógica, de acordo com as fontes, o nome de Marcelo Nilo não será alçado à condição de indicado da agremiação para a majoritária.
Silêncio após janeiro
Outro representante relatou que a última conversa direta com Neto e com o prefeito de Salvador, Bruno Reis, ocorreu ainda em 27 de janeiro, portanto antes da adesão do senador Angelo Coronel ao grupo. Desde então, segundo ele, não houve nova rodada de diálogo para tratar da engenharia da chapa.
De lá para cá, as informações chegaram mais pela imprensa do que por negociação política propriamente dita — o que aumentou a sensação de isolamento.
O que foi sinalizado naquele encontro, conforme o relato, é que um dos principais quadros do partido, Márcio Marinho — deputado federal em sexto mandato, com forte ligação com o eleitorado evangélico e representatividade simbólica dentro da legenda —, estava no radar para a disputa ao Senado. A avaliação interna era de que o Republicanos poderia ocupar o espaço como parceiro de primeira hora.
Com a entrada de Coronel no jogo, porém, a conta mudou. E ninguém, segundo eles, explicou oficialmente como ficaria o rearranjo.
Lealdade com cobrança
Apesar do desconforto, a sigla ainda aposta na palavra de Neto e mantém o discurso de confiança. Mas a lealdade vem acompanhada de pressão.
O Republicanos quer ser tratado como força estruturante da aliança, não como peça de reposição.
No xadrez de 2026, o partido dá sinais de que continuará no mesmo campo, mas não aceitará assistir à partida do banco de reservas.

