Sheila Lemos admite deixar prefeitura para ser vice de ACM Neto: 'Aceito'
Prefeita de Vitória da Conquista afirma que decisão depende de consenso do grupo e diz que não negocia cargos; gestora também faz duras críticas ao governo Jerônimo Rodrigues
Por Evilásio Júnior
23/02/2026 às 11:42

Foto: Divulgação
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), admitiu de forma enfática que pode deixar o comando do terceiro maior município da Bahia para disputar a vice-governadoria na chapa encabeçada por ACM Neto (União Brasil)na eleição de outubro.
Em entrevista à CBN Salvador, nesta segunda-feira (23), a gestora foi direta ao responder se aceitaria um eventual convite. “Aceito!”, afirmou, sem hesitar.
A gestora condicionou a decisão a um entendimento político coletivo, mas deixou claro que está disposta a entrar na disputa, mesmo após ser reeleita com quase 60% dos votos.
“Se for a vontade do grupo, se for um consenso, se o povo da Bahia entender que é um nome que pode contribuir, eu estou pronta. Não é um desejo pessoal, mas a gente não pode pensar só na nossa vontade, tem que pensar no bem do estado”, declarou.
Embora estivesse na capital, ela disse que participava de uma “agenda pessoal” e que não se reuniu para tratar de política na cidade.
Surpresa no grupo e mudança de posição
A prefeita reconheceu que sua declaração pública recente pegou de surpresa aliados próximos, a exemplo do próprio ACM Neto e do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil). Segundo ela, até então, sua intenção era concluir o mandato.
“Eu sempre dizia que preferia continuar na prefeitura. Foi uma surpresa para eles quando eu coloquei isso publicamente”, revelou.
Sheila explicou que a mudança de postura ocorreu diante do cenário estadual. “A gente fica revoltado com o que está acontecendo na Bahia. Violência crescente, fila da regulação, pacientes esperando meses por atendimento. Isso inquieta a gente e faz pensar que precisa contribuir mais”, disse.
Conversas com Neto e portas abertas para outros partidos
A prefeita confirmou que já conversou com ACM Neto sobre o tema, mas ainda não houve reuniões presenciais após sua declaração pública.
“Conversei com Neto por telefone, apenas para dizer o que tinha acontecido. Ele disse: ‘Que bom que você colocou isso publicamente’”, contou.
Apesar de ser filiada ao União Brasil, Sheila não descartou mudar de legenda caso isso seja necessário para viabilizar a chapa. “Se o grupo entender que não dá para ser uma chapa puro-sangue, eu não tenho dificuldade nenhuma de conversar com outro partido da base”, afirmou.
Ela citou nominalmente o Republicanos, que nega aceitar ser barriga de aluguel, o PSDB e o PP como legendas com afinidade política.
Sem exigências e sem negociação por cargos
Diferentemente de outros movimentos comuns na formação de chapas majoritárias, Sheila afirmou que não estabeleceu condições para integrar o projeto oposicionista.
“Eu não negociei nada. Quando a gente confia no grupo, não precisa negociar. Vamos governar juntos e construir isso no caminho”, disse.
Críticas ao governo Jerônimo Rodrigues
Durante a entrevista, a prefeita fez duras críticas à gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), especialmente nas áreas de segurança e saúde.
“A gente vê guerras de facções, violência em cidades grandes e pequenas, pacientes esperando até 160 dias por atendimento oncológico. Isso é revoltante”, afirmou.
Ela também questionou promessas de obras. “Tem obras que são prometidas há anos, como a barragem do Catolé. É promessa demais e entrega de menos”, criticou.
Defesa da candidatura do marido
Sheila também confirmou que a pré-candidatura de seu marido, Wagner Alves, a deputado estadual está mantida, independentemente de sua eventual participação na chapa majoritária.
“É uma pré-candidatura que vem se fortalecendo. Quem decide é o povo, mas é um projeto que está crescendo”, afirmou.
A colocação do nome de Wagner já causou ruído com quadros aliados, sobretudo os tucanos Adolfo Viana e Tiago Correia, que reclamavam de uma suposta “invasão” de territórios eleitorais.
De acordo com a gestora, as rusgas estão "superadas".
Nome ganha força após recuos e indefinições
O nome da prefeita voltou a ganhar força nos bastidores após o enfraquecimento de outras opções, como o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), que se aproximou do governo Jerônimo, e as indefinições que envolvem o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil).
Sheila reconheceu que há outros quadros competitivos, mas afirmou que a escolha deve ser estratégica. “Não é um projeto de poder. O que queremos é transformar a Bahia. Quem melhor contribuir com isso deve estar na chapa”, disse.
Nos bastidores, também é citada a hipótese de o grupo atrair um nome do campo contrário para compor a majoritária.
Discurso alinhado com narrativa de mudança
Ao longo da entrevista, Sheila adotou um discurso alinhado à principal estratégia da oposição para 2026: a ideia de mudança após quase duas décadas de governos petistas no estado.
“O povo da Bahia quer mudança. E quando o povo quer, não tem aliança política que segure”, finalizou.
Caso Sheila Lemos efetivamente seja anunciada candidata a vice-governadora ela terá de renunciar ao mandato de prefeita em Vitória da Conquista. Quem assume, nesse caso, é o seu vice, Aloísio Alan, do Republicanos.

