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PF encontra dólares e euros em endereços ligados a Jaques Wagner durante operação sobre caso Banco Master

PF encontra dólares e euros em endereços ligados a Jaques Wagner durante operação sobre caso Banco Master

Líder do governo Lula no Senado é alvo da 9ª fase da Compliance Zero; investigação apura supostas vantagens indevidas e relação com banqueiro baiano ligado ao escândalo do Banco Master; saiba quem são todos os alvos da operação

Por Redação

18/06/2026 às 12:33

Foto: Divulgação / PF

A Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) durante o cumprimento de mandados da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (18). A informação amplia a pressão sobre o líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.

A operação investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça relacionado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Além de Wagner, a nova fase da Compliance Zero tem como alvo o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro e ex-controlador do Banco Pleno. Segundo a investigação, a atual etapa da operação concentra esforços na relação entre o senador petista e o banqueiro.

As apurações da PF indicam que Wagner teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master no Congresso Nacional. Em troca, segundo a linha investigativa, o parlamentar teria recebido ou sido beneficiado por vantagens indevidas, incluindo repasses financeiros, uso de aeronaves, ingressos para eventos e até a promessa de um apartamento de luxo em Salvador. As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima durante fases anteriores da operação.

Mensagens indicam negociação de apartamento para senador, diz PF

Entre os elementos reunidos pelos investigadores está a suspeita de que Wagner receberia um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, no Horto Florestal, em Salvador. Segundo a investigação, o imóvel estaria avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e seria uma contrapartida por ações de interesse do grupo financeiro investigado.

A unidade, ainda em construção, estaria localizada no 17º andar do edifício, com aproximadamente 200 metros quadrados e quatro suítes. A PF afirma ter encontrado diálogos que indicariam a existência da negociação entre os envolvidos.

Até o momento, a defesa de Jaques Wagner não se pronunciou sobre as novas informações reveladas durante a operação. Os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Quem são os alvos?

  • Jaques Wagner: Senador da República, é apontado pela Polícia Federal como o beneficiário central de vantagens econômicas indevidas. As investigações indicam que ele teria recebido benefícios como o uso de aeronaves privadas, ingressos para shows internacionais e a aquisição oculta de um apartamento de luxo, além de pagamentos a empresas de seu núcleo familiar. Em troca, teria atuado parlamentarmente em temas de interesse do Banco Master, como emendas sobre crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos;
  • Augusto Ferreira Lima: Gestor ligado ao Banco Master e principal interlocutor privado de Jaques Wagner. É descrito como a figura central na entrega de vantagens, coordenando desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para a compra do imóvel indicado pelo senador e os repasses para a BN Financeira;
  • Eduardo Mendonça Sodré Martins: Enteado de Jaques Wagner e gestor da BN Financeira. Teria exercido papel ativo na cobrança de pagamentos junto a Augusto Lima e é associado a planilhas de repasses que totalizam mais de R$ 2,3 milhões sob o apelido "Dudu";
  • Guilherme Henrique Sodré Martins ("Tio Guiga"): Pai de Eduardo Sodré e pessoa de confiança de Jaques Wagner. Atuaria como articulador entre o Banco Master, o gabinete do senador e o núcleo familiar, inclusive em tratativas sobre o imóvel Poème Horto após o início das investigações;
  • Valério Marega Júnior ("Valério Fundos") : Operador financeiro ligado a estruturas de fundos do Banco Master. Foi acionado por Augusto Lima para a operacionalização da compra do apartamento do empreendimento Poème Horto;
  • David Lopes Monteiro: Operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico. Alvo de busca e restrições pessoais;
  • Luiz Antonio Lombardi: Diretor da Epítome S.A., empresa que adquiriu formalmente o imóvel em Salvador. É suspeito de atuar como pessoa interposta (laranja) para ocultar o real beneficiário da compra, dada a incompatibilidade de seu histórico laboral com a gestão de grandes capitais;
  • Andréa Lima Novaes: Diretora da PKL One Participações S.A. e prima de Augusto Lima. Teria viabilizado a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira e integraria estruturas empresariais sob controle fático de terceiros;
  • BN Financeira Ltda.: Empresa central no eixo de pagamentos ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Apesar de constituída como microempresa e sem estrutura operacional aparente, recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One, funcionando, em tese, para dar aparência de licitude a repasses indevidos. Suas atividades foram suspensas judicialmente;
  • BN Representações Tecnológicas Ltda.: Empresa vinculada ao mesmo núcleo da BN Financeira, com a qual compartilha contador, telefone e endereço. É investigada por integrar o circuito de dissimulação de valores, tendo também suas atividades suspensas;
  • PKL One Participações S.A. (Credcesta): Empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima que efetuou a transferência milionária para a BN Financeira. Está inserida no contexto de negócios de crédito consignado que aproximaram o senador Wagner dos gestores do Banco Master;
  • Terra Firme da Bahia Ltda.: Empresa vinculada a Augusto Lima e onde Andréa Novaes possui vínculo profissional. É citada pelo trânsito de presentes de alto valor entre os investigados, como itens de empório acompanhados de bilhetes manuscritos;
  • GF4.15 Participações e Consultoria Ltda.: Sociedade administrada por Guilherme Sodré. Seu CNPJ foi compartilhado entre os operadores do esquema, o que sugere sua utilização no circuito financeiro ou documental sob investigação.

Bonnie Toaldo Bonilha (cônjuge de Eduardo Sodré e vinculada à estrutura societária da BN Financeira) e Patrich Toaldo Bonilha (vinculado à BN Representações Tecnológicas no contexto do núcleo familiar Sodré/Bonilha), presentes na decisão de Mendonça, tiveram a medida de busca e apreensão indeferida. 

Apesar da descrição das condutas envolvendo a atividade parlamentar, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), não acolheu o pedido de buscas e apreensão no gabinete de Jaques Wagner.

A PF havia solicitado, mas a Procuradoria-Geral da República havia se manifestado contra. Também não foi autorizado o cumprimento de medidas em escritórios ligados ao mandato de Wagner.

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