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Crise no PSDB, sucessão da Câmara e STF: Carlos Muniz segue no centro do jogo político em Salvador

Crise no PSDB, sucessão da Câmara e STF: Carlos Muniz segue no centro do jogo político em Salvador

Presidente da Câmara admite discutir bastidores da sucessão na Casa enquanto aliados avaliam possibilidade jurídica de nova candidatura dele ao comando do Legislativo municipal

Por Evilásio Júnior

11/05/2026 às 06:00

Foto: Evilásio Júnior

Enquanto vereadores já se movimentam silenciosamente pela sucessão da Câmara de Salvador, um fator ainda mantém o xadrez político completamente aberto: a possibilidade de Carlos Muniz disputar novamente o comando da Casa caso consiga respaldo jurídico para tanto.

Embora evite tratar publicamente do assunto, aliados do presidente afirmam haver pareceres para sustentar que o primeiro mandato dele ocorreu em condição excepcional — o que abriria margem para uma nova candidatura sem afronta ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre reeleições consecutivas nas mesas diretoras.

Muniz, porém, evita cravar qualquer movimento.

Reservadamente, interlocutores próximos dizem que ele prefere manter o debate em suspenso enquanto observa o ambiente político interno da CMS e o avanço das articulações de vereadores interessados na sucessão.

E o movimento já começou.

Quem se antecipar pode “queimar largada”

Nos bastidores do Legislativo municipal, a avaliação do grupo de Muniz é de que alguns vereadores começaram cedo demais a corrida pela presidência da Câmara — e podem repetir erros políticos já vistos em disputas anteriores.

O presidente acompanha de perto a movimentação, mas repete a aliados que não pretende impor sucessor nem transformar a eleição em uma disputa de enfrentamento interno.

A ideia, segundo pessoas próximas revelaram ao Blog do Vila, é construir uma candidatura de consenso dentro da base governista.

Hoje, os nomes mais citados nas conversas de bastidor são os dos vereadores Alexandre Aleluia (Novo), Ricardo Almeida (DC), Maurício Trindade (PSDB), Daniel Alves (PSDB) e Kiki Bispo (União), embora nenhum deles admita oficialmente campanha aberta.

Dentro do grupo governista, há ainda uma leitura considerada praticamente consolidada: qualquer candidatura que tente nascer ancorada prioritariamente na oposição chegaria muito fragilizada à disputa.

Um aliado de Muniz resumiu assim o cenário: “A oposição tem cerca de dez votos. Quem começar só por ali já larga muito atrás.” 

A crise silenciosa no PSDB

Enquanto observa o tabuleiro da Câmara, Muniz também atravessou nos últimos meses um momento de forte tensão partidária dentro do PSDB — episódio que quase provocou sua saída da legenda durante a janela partidária.

O motivo foi menos ideológico e mais matemático.

Conforme apuração da coluna, o presidente da Câmara desconfiava das projeções apresentadas internamente sobre a força da chapa tucana para deputado federal.

Enquanto dirigentes falavam em uma nominata capaz de alcançar cerca de 550 mil votos e garantir três cadeiras na Câmara Federal, Muniz trabalhava com uma conta muito mais conservadora.

Na avaliação dele, naquele momento a chapa teria algo entre 300 mil e 380 mil votos — desempenho considerado arriscado até para assegurar duas vagas.

A preocupação principal era o futuro político do filho, Carlos Muniz Filho, pré-candidato a deputado federal.

Nos bastidores, Muniz chegou a dizer a aliados que, naquele cenário, o filho “não teria futuro” ao permanecer no PSDB.

A crise rapidamente vazou para setores da imprensa política e acabou por alimentar especulações sobre um possível rompimento com ACM Neto — hipótese que pessoas próximas afirmam nunca ter sido colocada efetivamente na mesa.

O que mudou na chapa tucana

O cenário começou a mudar quando novos nomes considerados competitivos passaram a integrar a nominata tucana.

Entre eles, o vereador Duda Sanches, regresso do União, além de lideranças regionais e candidatos com densidade eleitoral no interior.

Com a reorganização da chapa, a avaliação dentro do grupo político de Muniz mudou significativamente.

Hoje, interlocutores já consideram viável a eleição de três deputados federais pelo PSDB — e não descartam uma quarta vaga caso a campanha cresça acima do esperado.

Nos cálculos mais otimistas feitos internamente, os nomes mais fortes neste momento seriam Adolfo VianaCarlos Muniz Filho e Duda Sanches.

O plano para eleger até seis estaduais

Muniz também participou diretamente da engenharia da chapa para deputado estadual.

A projeção trabalhada internamente pelo grupo é eleger entre quatro e seis parlamentares estaduais, desempenho que colocaria o PSDB entre as chapas proporcionais mais competitivas da oposição baiana.

Um dos nomes tratados como prioridade é o do vereador Anderson Ninho, que deixou o PDT na última janela partidária.

De acordo com aliados, Muniz prometeu ajudar diretamente na campanha do edil e avalia que ele pode alcançar uma vaga caso a chapa confirme o desempenho esperado.

No fim das contas, a crise que quase levou Muniz a deixar o PSDB serviu para pressionar uma reorganização interna da legenda.

E, agora, enquanto acompanha a montagem das chapas de 2026, o presidente da Câmara continua a exercer influência direta sobre outro jogo igualmente importante: quem comandará o Legislativo municipal a partir do próximo ano — ou até se ele próprio continuará sentado na cadeira principal.

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